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Exclusiva: Primo de Tatá Werneck reage após ser acusado de crime grave por ex-BBB

'Usaram uma acusação de pedofilia para pedir votos': Heitor Werneck toma decisão radical após acusação; veja!

28 set 2026 - 11h12
(atualizado às 11h18)
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Resumo
O produtor cultural Heitor Werneck acionará a Justiça após ter falas descontextualizadas e ser acusado falsamente de pedofilia em um vídeo que pedia votos para um candidato a deputado federal. Coordenador artístico da Parada LGBT+ de SP, ele nega qualquer apologia a abusos, reforça que sua defesa do BDSM é pautada pelo consentimento entre adultos e repudia o uso eleitoreiro de sua imagem. Diante da ofensa à sua honra, seus advogados avaliam medidas cabíveis nas esferas cível, criminal e eleitoral.

Heitor Werneck decidiu levar à Justiça uma das acusações mais graves que recebeu ao longo de sua trajetória pública. Produtor cultural, figurinista e coordenador artístico da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, ele teve seu nome associado à pedofilia em um vídeo publicado nas redes sociais que termina com pedido de voto e o número de um candidato a deputado federal.

Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram
Foto: Mais Novela

Na gravação, Heitor é chamado de "monstro" e acusado de "abrir portas para a excitação da pedofilia e abuso de crianças". O produtor cultural nega categoricamente qualquer defesa de relações sexuais envolvendo menores e afirma que suas declarações foram retiradas de contexto para construir uma narrativa que considera falsa e ofensiva.

"Uma coisa é discordar das minhas ideias, do meu trabalho, da minha sexualidade ou das pautas que defendo. Outra, completamente diferente, é me atribuir uma conduta relacionada à pedofilia e usar isso para pedir voto. Eu jamais defendi qualquer prática sexual entre adultos e crianças. Criança não consente. Isso não é fetiche, não é BDSM e não tem relação alguma com aquilo que defendo", inicia Heitor em nota enviada ao Mais Novela por meio de sua assessoria.

'Não vou permitir que usem meu nome para ganhar voto'

O fato de o vídeo terminar com um pedido explícito de voto acrescenta uma dimensão eleitoral ao episódio. Heitor destaca que pretende buscar responsabilização judicial e que seus advogados deverão analisar as medidas cabíveis nas esferas eleitoral, criminal e cível.

"Não vou permitir que alguém tente construir uma candidatura colocando sobre mim uma acusação dessa gravidade. Se ele decidiu usar meu nome, minha imagem e uma acusação de pedofilia para conquistar votos, terá que responder pelo que afirmou. Estou tomando as providências jurídicas cabíveis e quero que cada afirmação feita contra mim seja confrontada com os fatos", declara.

A legislação brasileira estabelece limites para ataques à honra praticados na propaganda eleitoral ou com finalidade de propaganda. O Código Eleitoral prevê os crimes de calúnia eleitoral, difamação eleitoral e injúria eleitoral. E há um aspecto importante no caso: a vítima da ofensa não precisa necessariamente ser candidata para que, presentes os demais requisitos, difamação ou injúria possam ser enquadradas como eleitorais.

O artigo 324 do Código Eleitoral trata da calúnia eleitoral, caracterizada pela falsa imputação de fato definido como crime na propaganda eleitoral ou visando a fins de propaganda. A pena prevista é de seis meses a dois anos de detenção e multa. A lei estabelece ainda que quem sabe que a imputação é falsa e, mesmo assim, a divulga pode responder pela mesma pena. Já o artigo 325 trata da difamação eleitoral, com pena de três meses a um ano e multa, enquanto o artigo 326 prevê punição para a injúria eleitoral.

"Eu fui chamado de monstro e associado publicamente à pedofilia e ao abuso de crianças. Não estamos falando de uma crítica política dura ou de alguém dizendo que não gosta do meu trabalho. Estamos falando de uma acusação que atinge minha honra, minha carreira e minha vida. A liberdade de expressão não pode ser confundida com uma autorização para atribuir crimes a alguém sem prova", dispara.

Ataque também relaciona sexualidade e pedofilia

Outro trecho que Heitor considera particularmente grave é aquele em que o vídeo menciona sua orientação sexual ao questionar se, "por se achar gay", ele se sentiria protegido "de qualquer peso da lei". Em seguida, o conteúdo questiona por que o movimento LGBT+ o "abraça". Para Heitor, a construção não atinge apenas sua imagem individual, mas recupera uma associação histórica e preconceituosa entre homossexualidade e abuso de crianças.

"Minha orientação sexual não tem absolutamente nenhuma relação com pedofilia. Quando alguém coloca as duas coisas dentro da mesma narrativa, ainda mais para pedir votos, não está apenas me atacando. Está alimentando um preconceito que durante décadas foi utilizado contra pessoas LGBT+. Eu não aceito ser instrumento de uma estratégia desse tipo", frisa.

Heitor atua há décadas na cultura fetichista e sempre tratou publicamente o consentimento entre adultos como um dos princípios fundamentais do BDSM. Em entrevista anterior ao Gshow, por exemplo, explicou a importância do respeito, da conversa e dos limites nas práticas fetichistas.

Liberdade de expressão x ausência de responsabilidade

A legislação eleitoral também garante liberdade de manifestação na internet, mas estabelece limites e consequências para determinadas condutas. O artigo 57-D da Lei das Eleições veda o anonimato durante a campanha e assegura mecanismos de resposta. Em março de 2026, o próprio TSE decidiu, em outro processo, que a divulgação de conteúdo ofensivo, inverídico ou descontextualizado com relevante potencial de difusão pode caracterizar propaganda eleitoral irregular quando presentes os requisitos do caso.

Heitor diz que sua decisão de recorrer à Justiça não pretende impedir críticas. "Não quero censurar ninguém. Quero que quem fez uma acusação dessa dimensão assuma responsabilidade por ela. Pode me criticar, questionar minha atuação na Parada, discordar do BDSM, da minha estética ou das minhas posições. O que não considero aceitável é transformar isso em uma acusação de que eu incentivo pedofilia e, depois, colocar um número na tela e pedir voto", afirma.

Heitor quer que o contexto original seja analisado

Para o produtor, um dos pontos centrais da eventual ação será demonstrar o contexto integral das declarações utilizadas para construir o vídeo. Ele sustenta que trechos foram apresentados de maneira a produzir um significado diferente daquele que originalmente possuíam.

A diferença é juridicamente relevante. A Justiça Eleitoral não considera toda crítica contundente ilícita, e a configuração de crimes contra a honra depende dos elementos concretos da manifestação. No caso da calúnia eleitoral, por exemplo, jurisprudência do TSE exige a imputação de um fato determinado definido como crime; alegações genéricas, mesmo ofensivas, não bastam automaticamente para configurar o delito.

"Quero que o material completo seja visto. Quero que fique claro o que eu efetivamente disse e o que fizeram parecer que eu disse. Quem me acusa de uma coisa tão grave precisa estar preparado para demonstrar onde e quando eu defendi abuso sexual de crianças. Eu nunca fiz isso", ressalta.

Quem é o primo de Tatá Werneck?

Heitor Werneck construiu sua trajetória como produtor cultural, figurinista e um dos nomes ligados à cena fetichista brasileira. Também atua há anos na coordenação artística da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo.

Agora, afirma que decidiu responder judicialmente porque considera que permanecer em silêncio diante de uma acusação dessa natureza poderia permitir que a narrativa continuasse circulando sem contestação.

"Passei décadas defendendo que adultos tenham liberdade para viver sua sexualidade com responsabilidade, respeito e consentimento. Isso é justamente o oposto de defender abuso. Não vou permitir que minha história seja reescrita por alguém que resolveu transformar uma acusação gravíssima em instrumento eleitoral. Se ele fez a acusação publicamente, agora terá que responder por ela pelos caminhos previstos na lei", conclui Heitor.

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