‘Estou para morrer? Então quero saber quem sou': Gianecchini conta como câncer o levou à terapia
Em entrevista ao Terra, ator falou sobre processo de autoconhecimento durante o tratamento oncológico
Reynaldo Gianecchini revelou ter iniciado a psicoterapia aos 40 anos, após ser diagnosticado com linfoma não Hodgkin, destacando que o processo o ajudou no autoconhecimento e a enfrentar questões pessoais durante o tratamento oncológico.
O ator Reynaldo Gianecchini, de 53 anos, sempre soube da importância da psicoterapia. Entretanto, ele só se submeteu ao processo de autoconhecimento aos 40 anos, quando foi diagnosticado com um linfoma não Hodgkin — um tipo de câncer considerado agressivo e que ataca o sistema linfático.
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“Eu sempre quis fazer, mas demorei muito tempo para começar. Eu sempre quis fazer antes, mas nunca achava tempo. Prioridade, na verdade. Eu nunca dei prioridade, mas sabia que um dia ia chegar. Então, eu comecei com 40 anos, quando eu fiquei doente”, disse ele, em entrevista exclusiva concedida ao Terra.
Em 2011, ele passou por um momento delicado em sua vida profissional e pessoal. Em agosto, foi internado para cuidar de uma faringite e acabou descobrindo um linfoma não Hodgkin. Na mesma época, seu pai também enfrentava um câncer no aparelho digestivo. Em meio à quimioterapia, Giane decidiu que, mesmo psicologicamente bem, era o momento de aproveitar a pausa artística para progredir no âmbito pessoal.
“Eu comecei a fazer com muita curiosidade sobre mim, não a partir de um lugar de dor, mas de curiosidade. Eu pensei: ‘Eu tô para morrer aqui? Então eu quero saber quem eu sou, quem eu fui esse tempo todo, sabe?’”.
O tratamento, claro, corroborou para colocar essa busca em perspectiva. “O câncer era superagressivo, mas eu estava até bem de cabeça. Porém, quando me vi entre a vida e a morte, eu falei: ‘Cara, eu estou aqui cuidando da minha saúde, brigando para viver, e agora eu quero entender também a minha saúde mental. Eu quero entender como foi a história que eu contei para mim mesmo durante esse tempo todo’”.
Para ele, existe um Gianecchini antes e outro depois da terapia. Foi ali que ele aprendeu a reconhecer seus ciclos viciosos, seus traumas, coisas que colocava para debaixo do tapete — dores que nem sabia que ainda não tinha sentido.
“Assim, foi muito lindo. Eu realmente comecei a descobrir muita coisa minha, fui de peito aberto para a terapia, querendo fuçar mesmo nos meus demônios, nas minhas coisas mais cabeludas. E foi ali que eu comecei a aprender muito de mim. Tem um ditado que diz que a vida começa aos 40, e para mim isso faz total sentido, porque comecei a ficar muito impressionado com coisas minhas que eu realmente ainda nem tinha acessado.”
Atualmente, ele dá continuidade a esse processo para evitar repetir alguns ciclos e reviver traumas. “Se a gente não se conhecer, a gente só vai reproduzindo comportamentos que são nocivos, firmados lá atrás por uma criança completamente imatura, e a gente passa uma vida inteira repetindo padrões", disse. "O grande lance [da terapia] é você entender a historinha que você contou para você mesmo e revê-la.”
