Estilista Carla Folloni comenta o futuro da moda, o impacto das canetas emagrecedoras e o poder das influencers
Criadora da Maison SPA defende roupas menos padronizadas e mais conectadas à personalidade das mulheres, sejam famosas ou anônimas
Celebridades como Suzy Rêgo, Solange Couto, Claudete Troiano, Myriam Rios, Vida Vlatt, Olga Bongiovanni, Lidi Lisboa e Leda Nagle já posaram para editoriais ou campanhas publicitárias da estilista Carla Folloni.
Agora, ela decidiu ser sua própria garota-propaganda.
Em conversa com a coluna, comenta a ascensão das influenciadoras, as mudanças na criação de roupas provocadas pelo emagrecimento com medicamentos injetáveis e a busca por mais autenticidade.
Você sempre escalou famosas da TV para suas campanhas. Agora a moda está dominada pelas influenciadoras. Está revendo o marketing?
Sempre convidei mulheres lindas e poderosas, independentemente do peso. Para mim, o que interessa é o poder da loba, como diria Shakira. Claro que o mercado de influenciadoras mexeu muito com a classe artística, porém, creio que há espaço para todos os perfis.
Hoje, as artistas da televisão ainda são referências de estilo e influenciam as vendas ou o poder está todo com as influencers?
Existem atrizes, apresentadoras e cantoras que também se tornaram relevantes nas redes sociais. O que dita o sucesso de uma celebridade é sua capacidade de influenciar positivamente. Esse mundo dos influenciadores é mais comercial para os jovens. Cada vez mais, o público vai deixar de consumir o superficial e valorizar o conteúdo.
Quais famosas são uma referência de elegância para você?
Gosto do visual de pessoas clássicas como Costanza Pascolato, Leda Nagle, Susana Vieira e Sílvia Poppovic.
As canetas emagrecedoras estão cada vez mais acessíveis. Esse fenômeno de emagrecimento afeta o segmento ‘plus size’ da moda?
Fico feliz pela cliente que se sente bem ao eliminar peso. Na minha marca, reduzimos os tamanhos. Faço ajustes e sob medida. Cada mulher tem um tipo de corpo e a moda precisa ser o mais democrática possível.
Há uma retração do movimento ‘body positive’ (aceitação dos corpos fora do padrão de magreza), inclusive com influenciadora da área anunciando que vai emagrecer. O que acha desse fenômeno?
Acredito no equilíbrio. Caso essas mulheres estejam procurando mais saúde, ok. Mas observo muitas delas em busca exclusivamente da beleza estética a qualquer preço, inclusive colocando em risco a saúde física e a saúde mental.
Após tantos temas de coleções, você disse ter buscado inspiração na sua própria história. Como ocorreu esse processo?
Foi a busca pela melhor versão de mim e por respostas para questões filosóficas e religiosas. O método de Sócrates, baseado no questionamento constante, me auxilia no desenvolvimento de uma coleção. Por exemplo, questiono a pessoas próximas se usariam tal peça e por quê. Aos 46 anos, tive que me desconstruir para me conectar novamente ao universo criativo. E a natureza continua a ser uma grande fonte de inspiração, onde eu busco as raízes para o ego feminino. O Yin de tudo.
Dizem que, apesar de tantos recursos de criação, como a IA, a moda em geral passa por uma crise criativa. Concorda?
Acredito em ciclos. As novas tecnologias trazem um primeiro estágio de empolgação. Porém, humano é humano e robô é robô. Como vamos crer em universos tão artificiais? A empatia é manifestada pela similaridade. Nós, seres humanos, somos indivíduos com qualidades e defeitos, o que nos torna únicos e interessantes. Em breve, esse ciclo de padronização de moda, fotos e pensamentos irá se encerrar e dará início a um ciclo mais desenvolvido com a combinação entre o universo da IA e a realidade. Aposto na beleza da imperfeição.
Usa Inteligência Artificial na criação de suas coleções?
Não. Para mim, a melhor interpretação de uma coleção ainda é o cérebro humano e meu conhecimento de estética e modelagem. Uso IA para lazer e busca de palavras.
Ainda existe tendência de moda?
A moda ficou diversa por conta dos modismos. Essa tendência ‘fast fashion’ (ciclo acelerado de produção e consumo de roupas) tende a diminuir. As festas que exigem looks mais refinados estão voltando. Cresce a procura por peças mais elaboradas para atender à personalidade de quem veste.
O que as mulheres, famosas ou anônimas, vão usar no próximo verão?
Aposto em túnicas, calças maxi pantalonas, chemisiers de linho e vestidos de festa com babados.
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