Ele ganhou uma Brasília amarela dos Mamonas Assassinas e foi um dos últimos a ver a banda: 'Foi intenso'
Herbert Nogueira Cardoso passou uma tarde ao lado de Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio após ganhar uma premiação
Na memória de Herbert Nogueira Cardoso, de 41 anos, a lembrança de uma tarde com Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli nunca se apaga. O paulista tinha apenas 11 anos quando foi sorteado em uma promoção da banda Mamonas Assassinas e levou para casa uma Brasília amarela igualzinha a do clipe de Pelados em Santos — até mesmo com as rodas gaúchas.
"Quando eu ouço Mamonas, quando falamos de Mamonas Assassinas, vem o saudosismo. Também me remete àquele momento, àquela lembrança que foi maravilhosa. Foi um dia ótimo e muito bacana. Me traz uma sensação boa e ruim ao mesmo tempo. Nós perdemos eles tão precocemente", conta em entrevista ao Terra.
O prêmio veio de uma parceria entre a Rádio Nova FM e a banda. As chaves do carro foram entregues pessoalmente ao então menino e sua família. Herbert também ganhou a oportunidade de curtir uma tarde com direito à sorvete ao lado dos Mamonas.
Na época, mãe de Herbert afirmou em entrevista à Rádio Nova FM que o pai dele usaria o veículo, pois a família não possuía carro. Ele explica que conseguiu garantir uma cueca premiada jogada em uma pista de patinação onde sua mãe trabalhava.
"Eu cheguei em casa e minha mãe me contou que as cinco primeiras crianças que chegassem na pista de patinação, em um sábado, ganhariam um número para o sorteio e que esse número vinha em uma cueca. E aí nesse dia ela me levou para trabalhar junto com ela e acabei ganhando essa cueca. No dia do sorteio, eu estava na escola quando descobri do resultado", afirma.
Herbert relata que os colegas de escola custaram a acreditar que ele era o grande vencedor da premiação. "Eles estavam no auge, então, é difícil pensar que com, aquela distância toda que existia entre nós, era possível isso acontecer. E isso que tornou a situação algo grandioso. Foi muito legal. Depois, todo mundo viu asf tos e os vídeos. Não tinham redes sociais, né? Então era mais na teelvisão que circulava, aí a gente apareceu em alguns programas e foi ganhando proporção", recorda.
De acordo com o fã, os Mamonas Assassinas faziam parte da rotina das crianças daquela época, principalmente porque as músicas traziam um tom mais cômico. "Era legal você ver adultos se comunicando com pré-adolescentes, crianças, jovens, velhos, trazendo aquele humor. Era um humor ácido nas letras e na forma de se apresentar com fantasias. Tudo isso fazia com que a gente ficasse encantado com eles, não tinha nada parecido na nossa vivência até ali", diz.
Após o resultado do sorteio, veio o tão esperado encontro com o quinteto. Herbert revela que eles passaram bastante tempo juntos no dia da entrega da Brasília amarela. A entrega foi acompanhada por um canal de televisão, que transmitiu toda emoção de Herbert e de sua família.
"Eu conheci todos os integrantes. Foi uma experiência maravilhosa estar com eles na mesa, conversar com eles. A gente tomou sorvete juntos. E o Dinho era sensacional, aquele cara o tempo todo brincalhão. Mesmo cansados, eles compareceram e eu pude conversar com todos eles. Fui muito bem tratado e acolhido por eles", relembra.
E não é para menos. A Brasília amarela foi entregue em fevereiro de 1996, poucos dias antes da tragédia que abalou o Brasil. Naquele momento, Herbert se tornava uma das últimas crianças a verem de perto os integrantes dos Mamonas Assassinas.
A notícia do acidente foi um choque para ele. "Eu estava em casa com minha família e nós soubemos da tragédia pelo jornal, que o avião tinha colidido, mas ainda não era 100% confirmado. E aí ficamos no aguardo por dias, vendo o pessoal fazer a procura, a busca. Foi uma perda muito grande para o País. E foi uma semana depois de eu ter estado com eles e ganhado a Brasília, foi uma das poucas promoções que eles fizeram e eu tive o prazer de ter ganhado. Foi chocante", declara.
Reconstituição da queda do avião
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Análise do Radar
Inicie a simulação para observar o comportamento da aeronave PT-LSD nos momentos finais.
23:02 • A CHEGADA
Tempo fechado em Guarulhos. Condições meteorológicas desfavoráveis para pouso visual.
23:05 • ARREMETIDA
O piloto decide arremeter por falta de visibilidade. O avião ganha altitude novamente.
23:14 • ERRO DE CURVA
A torre solicita curva à direita, mas a aeronave curva à esquerda, em direção à Serra.
23:16 • COLISÃO
Impacto no Morro do Chapéu. Fim da trajetória da banda Mamonas Assassinas.
Segundo o fã, a notícia de que os integrantes da banda haviam partido foi um momento muito dolorosa. Eles e os amigos sentaram em um escadão próximo de casa e cantaram todas as músicas do único álbum que a banda lançou.
"Eu tive o prazer de estar em um momento com eles, de compartilhar um sorvete. Foi bem intenso o momento que a gente teve, não foi superficial. É fantástico para uma criança. Você está ali vendo seus ídolos e cantando a música deles num dia, no outro você está com eles, e aí de repente eles partem. A gente sabai todas as músicas, da primeira faixa à últimas. Ficamos cantando em homenagem. Era o que podíamos fazer como crianças", acrescenta.
A paixão pela música, que começou bem cedo na infância com o amor pelo Mamonas Assassinas, permeia na vida de Herbert até hoje. Atualmente, ele integra um grupo chamado Resenha de Batuqueiros, onde ele canta e toca violão. O foco da banda é samba raíz.
Infelizmente, por conta da falta de segurança do bairro em que morava com a família, o pai de Herbert optou por vender o carro. Segundo ele, o roubo de veículos na região crescia com o passar dos dias e, seu pai, com medo de sua casar ficar muito visada por criminosos, preferiu preservar a família vendendo a Brasília amarela. A família ficou com o carro por 2 anos.
"O que eu tenho até hoje são os itens que eu gostaria que fossem para as mãos de outros fãs, para que a história se mantenha contínua. Eu tenho as pedrinhas que meu tio me deu da gravação, tenho a cueca do sorteio, tenho um boné da rádio que patrocinou o sorteio, tudo autografado por eles. Tenho o documento da Brasília também".
Mamonas Assassinas
A trajetória meteórica do grupo que mudou o humor na música brasileira e se tornou um fenômeno imortal.
![[Jaqueta de integrante]](https://p2.trrsf.com/image/fget/cf/images.terra.com/2026/02/25/1059847146-jaqueta-de-integrante-dos-mamonas-assassinas-e-localizada-durante-exumacao-em-guarulhos.jpg)
![[Grupo Mamonas Assassinas]](https://p2.trrsf.com/image/fget/cf/images.terra.com/2026/02/23/355253545-restos-mortais-dos-cinco-mamonas-assassinas-serao-exumados-hoje-saiba-o-motivo.jpg)
Atenção, Creuzebek!
A banda de Guarulhos conquistou o Brasil em apenas 7 meses de sucesso estrondoso. Ouça a introdução clássica clicando no ícone ao lado.
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A banda começou com um som sério e progressivo antes da virada cômica.
Saíram do anonimato para as maiores audiências da TV brasileira em meses.
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Codinome do produtor Rick Bonadio.
Brasília Amarela
O maior símbolo visual da banda.
