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Ele ganhou uma Brasília amarela dos Mamonas Assassinas e foi um dos últimos a ver a banda: 'Foi intenso'

Herbert Nogueira Cardoso passou uma tarde ao lado de Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio após ganhar uma premiação

28 fev 2026 - 08h20
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30 anos da morte dos Mamonas Assassinas: do sucesso meteórico à saudade eterna:

Na memória de Herbert Nogueira Cardoso, de 41 anos, a lembrança de uma tarde com Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli nunca se apaga. O paulista tinha apenas 11 anos quando foi sorteado em uma promoção da banda Mamonas Assassinas e levou para casa uma Brasília amarela igualzinha a do clipe de Pelados em Santos — até mesmo com as rodas gaúchas.

"Quando eu ouço Mamonas, quando falamos de Mamonas Assassinas, vem o saudosismo. Também me remete àquele momento, àquela lembrança que foi maravilhosa. Foi um dia ótimo e muito bacana. Me traz uma sensação boa e ruim ao mesmo tempo. Nós perdemos eles tão precocemente", conta em entrevista ao Terra.

Herbert ganhou uma Brasília amarela de rodas gaúchas
Herbert ganhou uma Brasília amarela de rodas gaúchas
Foto: Reprodução/Rodolfo Roque/Youtube

O prêmio veio de uma parceria entre a Rádio Nova FM e a banda. As chaves do carro foram entregues pessoalmente ao então menino e sua família. Herbert também ganhou a oportunidade de curtir uma tarde com direito à sorvete ao lado dos Mamonas.

Na época, mãe de Herbert afirmou em entrevista à Rádio Nova FM que o pai dele usaria o veículo, pois a família não possuía carro. Ele explica que conseguiu garantir uma cueca premiada jogada em uma pista de patinação onde sua mãe trabalhava.

"Eu cheguei em casa e minha mãe me contou que as cinco primeiras crianças que chegassem na pista de patinação, em um sábado, ganhariam um número para o sorteio e que esse número vinha em uma cueca. E aí nesse dia ela me levou para trabalhar junto com ela e acabei ganhando essa cueca. No dia do sorteio, eu estava na escola quando descobri do resultado", afirma.

Herbert passou a tarde com os integrantes dos Mamonas Assassinas
Herbert passou a tarde com os integrantes dos Mamonas Assassinas
Foto: Reprodução/Rodolfo Roque/Youtube

Herbert relata que os colegas de escola custaram a acreditar que ele era o grande vencedor da premiação. "Eles estavam no auge, então, é difícil pensar que com, aquela distância toda que existia entre nós, era possível isso acontecer. E isso que tornou a situação algo grandioso. Foi muito legal. Depois, todo mundo viu asf tos e os vídeos. Não tinham redes sociais, né? Então era mais na teelvisão que circulava, aí a gente apareceu em alguns programas e foi ganhando proporção", recorda.  

De acordo com o fã, os Mamonas Assassinas faziam parte da rotina das crianças daquela época, principalmente porque as músicas traziam um tom mais cômico. "Era legal você ver adultos se comunicando com pré-adolescentes, crianças, jovens, velhos, trazendo aquele humor. Era um humor ácido nas letras e na forma de se apresentar com fantasias. Tudo isso fazia com que a gente ficasse encantado com eles, não tinha nada parecido na nossa vivência até ali", diz.

Dinho brinca com Herbert na entrega do prêmio
Dinho brinca com Herbert na entrega do prêmio
Foto: Reprodução/Rodolfo Roque/Youtube

Após o resultado do sorteio, veio o tão esperado encontro com o quinteto. Herbert revela que eles passaram bastante tempo juntos no dia da entrega da Brasília amarela. A entrega foi acompanhada por um canal de televisão, que transmitiu toda emoção de Herbert e de sua família. 

"Eu conheci todos os integrantes. Foi uma experiência maravilhosa estar com eles na mesa, conversar com eles. A gente tomou sorvete juntos. E o Dinho era sensacional, aquele cara o tempo todo brincalhão. Mesmo cansados, eles compareceram e eu pude conversar com todos eles. Fui muito bem tratado e acolhido por eles", relembra. 

E não é para menos. A Brasília amarela foi entregue em fevereiro de 1996, poucos dias antes da tragédia que abalou o Brasil. Naquele momento, Herbert se tornava uma das últimas crianças a verem de perto os integrantes dos Mamonas Assassinas.

Trecho do jornal O Estado de S. Paulo na qual Herbert é citado
Trecho do jornal O Estado de S. Paulo na qual Herbert é citado
Foto: Acervo do Estadão

A notícia do acidente foi um choque para ele. "Eu estava em casa com minha família e nós soubemos da tragédia pelo jornal, que o avião tinha colidido, mas ainda não era 100% confirmado. E aí ficamos no aguardo por dias, vendo o pessoal fazer a procura, a busca. Foi uma perda muito grande para o País. E foi uma semana depois de eu ter estado com eles e ganhado a Brasília, foi uma das poucas promoções que eles fizeram e eu tive o prazer de ter ganhado. Foi chocante", declara.

Relatório Técnico

Reconstituição da queda do avião

Análise passo a passo a manobra de arremetida e colisão; clique no botão abaixo para ver a simulação

Voo: PT-LSD
Impacto: 23:16h
 
 
 
 
Serra da Cantareira

Análise do Radar

Inicie a simulação para observar o comportamento da aeronave PT-LSD nos momentos finais.

23:02 • A CHEGADA

Tempo fechado em Guarulhos. Condições meteorológicas desfavoráveis para pouso visual.

23:05 • ARREMETIDA

O piloto decide arremeter por falta de visibilidade. O avião ganha altitude novamente.

23:14 • ERRO DE CURVA

A torre solicita curva à direita, mas a aeronave curva à esquerda, em direção à Serra.

23:16 • COLISÃO

Impacto no Morro do Chapéu. Fim da trajetória da banda Mamonas Assassinas.

 

Segundo o fã, a notícia de que os integrantes da banda haviam partido foi um momento muito dolorosa. Eles e os amigos sentaram em um escadão próximo de casa e cantaram todas as músicas do único álbum que a banda lançou.

"Eu tive o prazer de estar em um momento com eles, de compartilhar um sorvete. Foi bem intenso o momento que a gente teve, não foi superficial. É fantástico para uma criança. Você está ali vendo seus ídolos e cantando a música deles num dia, no outro você está com eles, e aí de repente eles partem. A gente sabai todas as músicas, da primeira faixa à últimas. Ficamos cantando em homenagem. Era o que podíamos fazer como crianças", acrescenta.

Atualmente, Herbert integra uma banda de samba raíz
Atualmente, Herbert integra uma banda de samba raíz
Foto: Arquivo pessoal

A paixão pela música, que começou bem cedo na infância com o amor pelo Mamonas Assassinas, permeia na vida de Herbert até hoje. Atualmente, ele integra um grupo chamado Resenha de Batuqueiros, onde ele canta e toca violão. O foco da banda é samba raíz. 

Infelizmente, por conta da falta de segurança do bairro em que morava com a família, o pai de Herbert optou por vender o carro. Segundo ele, o roubo de veículos na região crescia com o passar dos dias e, seu pai, com medo de sua casar ficar muito visada por criminosos, preferiu preservar a família vendendo a Brasília amarela. A família ficou com o carro por 2 anos.

"O que eu tenho até hoje são os itens que eu gostaria que fossem para as mãos de outros fãs, para que a história se mantenha contínua. Eu tenho as pedrinhas que meu tio me deu da gravação, tenho a cueca do sorteio, tenho um boné da rádio que patrocinou o sorteio, tudo autografado por eles. Tenho o documento da Brasília também".

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Especial 30 Anos

Mamonas Assassinas

 

A trajetória meteórica do grupo que mudou o humor na música brasileira e se tornou um fenômeno imortal.

[Jaqueta de integrante]
[Grupo Mamonas Assassinas]

Atenção, Creuzebek!

A banda de Guarulhos conquistou o Brasil em apenas 7 meses de sucesso estrondoso. Ouça a introdução clássica clicando no ícone ao lado.

3Mi
Discos Vendidos
182
Dias de Turnê
10
Músicas no Top 1
1995
Lançamento

A Formação

[Dinho]
Dinho
Vocalista
[Bento Hinoto]
Bento Hinoto
Guitarra
[Sérgio Reoli]
Sérgio Reoli
Bateria
[Samuel Reoli]
Samuel Reoli
Baixo
[Júlio Rasec]
Júlio Rasec
Teclados

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A banda começou com um som sério e progressivo antes da virada cômica.

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Saíram do anonimato para as maiores audiências da TV brasileira em meses.

Dicionário

Creuzebek

Codinome do produtor Rick Bonadio.

Brasília Amarela

O maior símbolo visual da banda.

Fonte: Portal Terra
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