Dieta milagrosa? Especialistas analisam alimentações 'mágicas' das famosas
Paolla Oliveira, Sabrina Sato e Giovanna Ewbank apostam no equilíbrio à mesa; especialistas explicam por que dietas restritivas estão perdendo espaço
Nomes como Paolla Oliveira, Sabrina Sato e Giovanna Ewbank têm compartilhado nas redes sociais uma relação mais leve com a alimentação, priorizando equilíbrio e bem-estar em vez de restrições. Paolla, que mudou a dieta para viver a personagem Jeiza em A Força do Querer, apostou em aliados funcionais como café com óleo de coco e bolo fitness com biomassa, sem abrir mão do prazer. Sato, aos 45 anos, mantém uma rotina sem dietas super restritivas e não dispensa creatina e whey protein no dia a dia: "A creatina e a proteína, por exemplo, me ajudam bastante na energia e na recuperação. Faço tudo com orientação e de forma consciente, entendendo o que meu corpo precisa em cada fase." Giovanna Ewbank, por sua vez, tem o suco verde em jejum e a chia como aliados de uma rotina que une saúde e praticidade.
A tendência reflete uma mudança de mentalidade que vai além da estética. Para a psicóloga Claudia Melo, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, as dietas restritivas cobram um preço alto emocionalmente. "Esse padrão reforça pensamentos rígidos, como 'não posso', 'falhei' e 'perdi o controle', aumentando culpa, ansiedade e autocrítica. Estudos indicam que a restrição prolongada está associada a maior risco de compulsão alimentar, criando um ciclo de restrição, perda de controle e culpa. Com o tempo, a pessoa deixa de responder aos sinais naturais do corpo e passa a seguir regras externas, tornando a relação com a comida mais tensa, punitiva e emocionalmente desgastante", explica.
Sobre como construir uma relação mais saudável com a comida, a especialista defende um caminho de consciência e não de controle. "Uma relação saudável com a alimentação começa quando ela deixa de ser guiada pelo controle rígido e passa a ser orientada pela consciência. Na prática, isso envolve flexibilizar pensamentos, reconectar-se com os sinais do corpo — como fome, saciedade e satisfação — e desenvolver estratégias de regulação emocional, já que muitas vezes a comida é usada para aliviar tensões", orienta. Claudia também alerta para o papel do estresse nesse processo: "Em situações de estresse, há aumento do cortisol, o que pode intensificar o desejo por alimentos mais calóricos e de rápida recompensa — uma resposta natural do organismo, e não falta de disciplina", pontua.
A nutricionista e biomédica Dra. Luciana Novaes enxerga na mudança de comportamento das celebridades um reflexo de uma transformação mais ampla. "O público feminino, historicamente mais pressionado por padrões de corpo, passa a entender que o organismo tem limites e que estratégias sustentáveis trazem resultados mais consistentes do que soluções rápidas. Dietas restritivas geram desgaste emocional e alimentam um ciclo de restrição, culpa e compensação", afirma. Para ela, as dietas restritivas já vêm perdendo espaço — e com razão. "Entre os principais riscos estão o efeito rebote, o desenvolvimento de uma relação emocional negativa com a comida, o aumento de episódios de compulsão alimentar, além de possíveis alterações metabólicas e hormonais", alerta.
Sobre como conciliar saúde com momentos de indulgência, a nutricionista é direta: "Uma alimentação equilibrada não depende de perfeição, mas de constância. Quando a base alimentar está organizada e nutritiva, situações pontuais — como um doce ou uma refeição fora de casa — não comprometem os resultados. O problema não está nesses momentos isolados, mas na frequência com que ocorrem. Essa é a diferença entre viver de dieta e construir um estilo de vida saudável", conclui Dra. Luciana.
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