Deputado Lucas Bove é indiciado por ameaçar influenciadora
Deputado Lucas Bove é indiciado por violência psicológica contra ex; MP luta na Justiça para derrubar ordem que tentava silenciar Cíntia Chagas
O deputado estadual Lucas Diez Bove (PL) foi formalmente indiciado pela Polícia Civil de São Paulo pelos crimes de perseguição e violência psicológica contra sua ex-esposa, a influenciadora digital Cíntia Chagas. O inquérito, concluído em 15 de setembro, revela que o parlamentar usava seu poder para ameaçar e tentar destruir a carreira da ex-mulher, em um grave caso enquadrado na Lei Maria da Penha.
As investigações, conduzidas pela 3ª Delegacia de Defesa da Mulher, indicam que o deputado tentou controlar a vida profissional de Cíntia Chagas - que soma mais de 7,6 milhões de seguidores - por meio de intimidação.
O relatório policial aponta que Lucas Bove ameaçava expor a vida íntima da influenciadora, editar vídeos para prejudicar sua imagem e tentava impor cláusulas abusivas em contratos ligados à sua carreira. O teor das mensagens é claro: o deputado chegou a dizer que "acabaria com a carreira dela" se ela não aceitasse suas condições.
A delegada responsável, Dannyella Gomes Pinheiro, considerou que a conduta se enquadra perfeitamente nos crimes de perseguição e violência psicológica.
O caso trouxe à tona uma polêmica jurídica sobre a tentativa de silenciar a vítima. Paralelamente ao indiciamento, o deputado obteve uma medida cautelar que proibia Cíntia de comentar o processo nas redes sociais.
No entanto, o Ministério Público interveio de forma enfática, pedindo a revogação imediata da ordem. O promotor Fernando Cesar Gomes de Souza argumentou que a restrição não tinha base legal e poderia ser configurada como "violência institucional" contra uma vítima de violência doméstica, lembrando que o segredo de justiça deve proteger as mulheres, e não blindar os acusados.
Para Cíntia Chagas, o indiciamento é uma conquista relevante, especialmente após a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) ter arquivado um processo de cassação contra o deputado em agosto.
"Essa vitória é também a vitória das mulheres que são agredidas diariamente pelos companheiros e não têm coragem de denunciar" declarou a influenciadora, ressaltando o papel de seu caso como um alerta. "Eu não fui a primeira vítima do meu agressor, mas eu posso ser a última."
A advogada de Cíntia, Gabriela Manssur, defende que o parlamentar seja denunciado também por violência física. Já a defesa do deputado nega as acusações e critica a postura da ex-esposa, alegando que ela está descumprindo a ordem judicial ao divulgar informações do caso sigiloso.
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