François de La Rochefoucauld, filósofo: 'Nunca somos tão felizes nem tão infelizes quanto acreditamos ser'
Nosso ego modifica a percepção da nossa mente e isso altera a forma como percebemos nossas emoções, segundo François de La Rochefoucauld, filósofo francês.
Poeta. Aristocrata. Político. Militar. E também filósofo. François de La Rochefoucauld pode não ser tão conhecido como Sócrates, Nietzsche ou, mais recentemente, Byung-Chul Han, mas as frases reunidas em seu livro "Máximas e Reflexões", publicado em 1665, merecem ser analisadas.
No contexto do livro, o francês, VI duque de La Rochefoucauld, tenta desmontar as ilusões que temos sobre nós mesmos: nossas virtudes, nossas motivações e também nossas emoções.
É por isso que sua frase "nunca somos tão felizes nem tão infelizes quanto acreditamos" tem tanto significado por trás.
O que o filósofo afirma é que nossa percepção da felicidade e da infelicidade é distorcida.
Os seres humanos, segundo o especialista, tendem a ampliar nossos estados emocionais.
Por isso, quando estamos bem, acreditamos estar no auge da felicidade e, quando estamos mal, nos sentimos completamente infelizes. Mas a realidade é que nenhum dos dois extremos é tão radical.
Nem tão felizes nem tão infelizes
Se nos aproximarmos da psicologia contemporânea e das pesquisas de Daniel Gilbert em Harvard, vemos que, em termos gerais, tendemos a superestimar a intensidade e a duração das emoções futuras, o que se conecta diretamente com La Rochefoucauld: nem a felicidade nem a infelicidade costumam ser tão grandes quanto antecipamos.
As emoções são muito mais dinâmicas do que acreditamos e nossa mente as regula em ambas as direções.
Por exemplo, quando passamos por uma separação, a dor que sentimos no início não dura para se...
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