'Fjord' do romeno Cristian Mungiu vence Palma de Ouro do Festival de Cannes 2026
Depois de 12 dias de muito glamour, cinema e emoções, os vencedores do 79° Festival de Cannes foram revelados na noite deste sábado (23). O grande vencedor desta edição 2026 foi o longa "Fjord" (Fiorde), do romeno Cristian Mungiu, recompensado com a Palma de Ouro.
Adriana Brandão, enviada especial da RFI a Cannes
Como na noite de abertura, a cerimônia de encerramento do 79° Festival de Cannes foi apresentada pela atriz franco-maliana Eye Haïdara. No tapete vermelho e em cena, houve um desfile de estrelas e cineastas internacionais, que reiteraram em suas falas a importância do cinema e da arte como espaço de resistência e denunciaram as guerras atuais, principalmente no Oriente Médio e a situação em Gaza.
Este ano, 22 filmes estavam na competição. O júri, presidido pelo sul-coreano Park Chan-Wook, reservou algumas surpresas. Nem todos os favoritos apontados pela crítica foram premiados, com exceção do grande vencedor da noite, que integrava várias listas.
"Fjord" deu a segunda Palma de Ouro a Cristian Mungiu. Em 2007, ele recebeu o prêmio máximo de Cannes com "4 meses, 3 semanas e 2 dias". Em seu discurso de agradecimento, o diretor ressaltou que seu novo longa é um filme "contra a intolerância e o integrismo, e a favor da inclusão e da empatia". Segundo ele, esses valores devem ser aplicados com mais frequência na nossa sociedade.
Protagonizado pela premiada Renate Reinsve, a história se passa na Noruega e acompanha uma família evangélica perseguida por seus valores integristas. É um drama religioso, cultural e social que reflete uma realidade cada vez mais polarizada e sem saída. "Fjord" também foi recompensado em Cannes com os prêmios do Júri Ecumênico e Fipresci da crítica internacional.
Grande Prêmio para "Minotauro"
"Minotauro", do russo Andrei Zviaguintsev, recebeu o Grande Prêmio. A obra do cineasta russo, exilado na França, tem a guerra na Ucrânia como pano de fundo. Trata-se de um filme político sobre o colapso de uma vida que mergulha na violência, em um mundo cada vez mais instável. Foi o terceiro prêmio do cineasta em Cannes. Em sua fala, Andrei Zviaguintsev enviou um recado ao presidente russo, o único capaz de encerrar o conflito. "Milhões de pessoas na frente de batalha ucraniana e russa sonham que esse massacre cesse", declarou.
O Prêmio do Júri recompensou "Das Geträumte Abenteuer" (Aventura Sonhada), da cineasta alemã Valeska Grisebach. O terceiro longa da diretora vai até a fronteira com a Bulgária, nos confins da Europa, acompanhando uma arqueóloga.
Dois filmes foram premiados com a Palma de Melhor Direção. O primeiro foi "A Bola Negra", dos diretores espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi, que adaptaram um romance inacabado de García Lorca.
A segunda Palma de Melhor Direção recompensou "Fatherland" (Pátria), do polonês Paweł Pawlikowski, sobre o retorno do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann à Alemanha em 1949, 16 anos depois de ter fugido do país controlado pelos nazistas.
Melhores atores e atrizes
O prêmio de melhor interpretação masculina recompensou os dois protagonistas de "Coward" (Covarde), de Lukas Dhont. Eles vivem uma história de amor na frente de batalha na Bélgica, durante a Primeira Guerra Mundial. O prêmio de melhor interpretação feminina também recompensou as duas atrizes do filme "Soudain" (De repente). A francesa Virginie Efira e a japonesa Tao Okamoto vivem uma história de amizade entre uma diretora de um lar de idosos e uma dramaturga que luta contra um câncer.
"Notre Salut" (Nossa Salvação), de Emmanuel Marre, era um dos favoritos da crítica francesa à Palma de Ouro e recebeu o prêmio de Melhor Roteiro. O filme acompanha um colaborador do regime que se instala em Vichy, sede do governo durante a ocupação da França pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.
Por fim, o Caméra d'Or, que recompensa o melhor primeiro filme apresentado em todas as mostras do festival, premiou "Ben'Imana", da ruandesa Marie-Clémentine Dusabejambo. A diretora foi muito ovacionada por esse longa sobre o perdão após o genocídio em Ruanda.
A grande decepção foi a não premiação de "Paper Tiger", de James Gray. O longa do diretor independente americano, produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, integrava quase todas as listas de apostas e muitos críticos apontavam que ele venceria ao menos o prêmio de melhor diretor. Pedro Almodóvar, também muito aguardado este ano, deixou Cannes de mãos vazias.
Palma de Ouro Honorária a Barbra Streisand
A cerimônia de encerramento do Festival de Cannes começou com a entrega de uma Palma de Ouro Honorária a Barbra Streisand pelo conjunto da carreira. Mas a estrela de Hollywood foi a grande ausente da noite.
A atriz americana cancelou sua participação por recomendação médica, após uma lesão no joelho, mas a homenagem foi feita. A atriz francesa Isabelle Huppert lembrou os momentos fortes da carreira e da vida de Streisand. "Uma artista independente, sem concessão e profundamente livre e engajada", definiu Huppert. Barbra Streisand enviou uma mensagem em vídeo para agradecer a homenagem.
Ao encerrar a cerimônia, Eye Haïdara lembrou que, no ano que vem, o Festival de Cannes completa 80 anos.
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