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Escritora portuguesa Lídia Jorge conquista o Prêmio Camões 2026

Premiação literária é a mais importante da língua portuguesa; autora receberá 100 mil euros

2 jul 2026 - 15h55
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A escritora portuguesa Lídia Jorge conquistou o Prêmio Camões 2026, um dos maiores prêmios literários da língua portuguesa. A autora receberá premiação no valor de 100 mil euros (aproximadamente R$ 598 mil), além de um diploma assinado pelos chefes de estado do Brasil e de Portugal.

As últimas edições foram conquistadas pela angolana Ana Paula Tavares (2025) e a brasileira Adélia Prado (2024).

Lídia Jorge é uma das escritoras mais proeminentes da literatura portuguesa contemporânea, com uma obra reconhecida pela análise profunda da história recente de seu país, pela reflexão social e pela defesa dos direitos humanos e das mulheres.

A ata do júri destaca que o diversificado conjunto da obra de Lídia "contribui para enriquecer o património literário e cívico-cultural da língua portuguesa, trazendo experiências do último período da guerra colonial". O júri cita ainda o livro A Costa dos Murmúrios, de 1988, como um marco importante na sua obra, uma vez que destaca a sua experiência de vida em Moçambique e desconstrói as versões da guerra colonial sob a perspectiva de uma mulher".

Por aqui, as obras de Lídia são publicadas pela Autêntica Contemporânea. Entre elas estão Misericórdia, romance que trata a velhice, a urgência da vida e a resistência ao fim; e Diante da manta do soldado, publicado pela editora em 2025.

"A sua escrita, marcada por uma prosa poética densa, aborda o passado ditatorial de Portugal, a condição feminina, o impacto das transformações históricas na vida quotidiana, o significado das revoluções, a emigração, as tensões entre a sociedade moderna e pós-moderna, os conflitos entre gerações, as rupturas familiares, com um estilo literário de forte carga lírica e foco na memória coletiva", diz ainda a ata do júri.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, disse que a escolha de Lídia celebra uma das grandes vozes da literatura em língua portuguesa. "Celebrar Lídia Jorge é também reconhecer a força transformadora da palavra e da criação artística na construção de sociedades mais democráticas, diversas e humanas", afirmou.

Marco Lucchese, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, comentou que Lídia Jorge "vive no coração do presente" e que merece todo reconhecimento. "Seu conhecimento da África, sobretudo de Moçambique, de Portugal e dos países língua portuguesa empresta grande riqueza ao conjunto da obra".

Sobre Lídia Jorge

Nascida em Boliqueime, Algarve (Portugal), em 18 de junho de 1946, Lídia Jorge é graduada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa. No início dos anos 70, durante a Guerra Colonial Portuguesa, viveu em Angola e Moçambique - experiência que marcou sua produção literária. Seu primeiro romance, O Dia dos Prodígios (1980), inaugurou uma nova fase na literatura portuguesa ao romper com o realismo tradicional e com o tom documental, dominante à época.

Júri de 2026

Os jurados nesta edição foram o professor José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra - Portugal); a professora, poeta e ensaísta Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa - Portugal); a professora e pesquisadora Lucia Santaella (PUC-SP, Brasil); o professor, jornalista, historiador e doutor em Letras, José Ribamar Bessa Freire (Brasil); e o escritor e crítico literário Lopito Feijó, (Angola); a escritora, poeta, professora universitária e pesquisadora Odete Semedo (Guiné-Bissau).

Estadão
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