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Escorpiões e seu ouro líquido: veneno que vale milhões

O líquido mais caro do mundo vem do escorpião: descubra por que o veneno de escorpião vale milhões e como é extraído com segurança

4 jan 2026 - 11h03
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Entre as substâncias de origem animal estudadas atualmente, o veneno de escorpião aparece com frequência nas listas de líquidos mais caros do mundo. Essa valorização não está ligada ao uso cotidiano, mas ao interesse científico e médico. Laboratórios, centros de pesquisa e empresas especializadas enxergam nesse material uma fonte de moléculas com potencial para novos tratamentos e diagnósticos.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o preço elevado não significa que o líquido seja comercializado em grande escala para o público. O valor está associado a pequenas quantidades, geralmente miligramas, obtidas de forma cuidadosa. Trata-se de um produto de nicho, voltado quase exclusivamente para a pesquisa biomédica, farmacêutica e toxicológica.

Por que o veneno de escorpião é considerado tão caro?

O principal motivo para o veneno de escorpião ser apontado como um dos líquidos mais caros do mundo está na dificuldade de obtenção. Cada escorpião produz uma quantidade muito pequena de toxina, liberada apenas quando o animal é estimulado de maneira específica. O processo de extração exige manejo adequado, equipamentos apropriados e profissionais treinados, o que aumenta o custo de produção.

Além disso, a coleta não pode ser feita de forma indiscriminada. Em muitos países, há regras rígidas para criação, transporte e uso desses animais, tanto por questões de segurança quanto de preservação ambiental. A combinação de baixo volume produzido, alta demanda científica e controle regulatório contribui para que o veneno seja avaliado em valores muito acima de líquidos comuns.

Outro fator relevante é o uso especializado. O veneno de escorpião costuma ser vendido para pesquisas em quantidades ínfimas, como microgramas ou miligramas, o que leva a cálculos de preço por litro extremamente altos. Na prática, quase ninguém adquire um litro desse líquido; o número é apenas uma referência para demonstrar sua raridade e complexidade de obtenção.

Peptídeos do veneno são estudados por seu potencial em novos tratamentos médicos – depositphotos.com / yyanng
Peptídeos do veneno são estudados por seu potencial em novos tratamentos médicos – depositphotos.com / yyanng
Foto: Giro 10

Como é feita a extração do veneno de escorpião?

O processo de extração, chamado de "ordenha", é realizado em ambiente controlado. O escorpião é imobilizado de maneira a reduzir o estresse e evitar acidentes. Em muitos laboratórios, um estímulo elétrico de baixa intensidade é aplicado na região da cauda, induzindo a liberação de pequenas gotas de veneno pela ponta do ferrão. Esse material é coletado em microtubos ou capilares de vidro esterilizados.

Todo o procedimento deve seguir normas de biossegurança. O contato acidental com a toxina pode provocar reações severas, dependendo da espécie e da sensibilidade da pessoa atingida. Por isso, são utilizados equipamentos de proteção individual, como luvas, óculos e avental, e o trabalho costuma ser feito em estruturas especializadas, com ventilação adequada e contenção de risco.

Depois de coletado, o veneno passa por etapas de filtragem, congelamento ou liofilização, conforme o objetivo do estudo. Em pesquisas farmacológicas, é comum o fracionamento das toxinas em componentes menores, usando técnicas como cromatografia. Cada fração pode ter uma aplicação específica, o que torna o material ainda mais valioso para a ciência.

Para que serve o veneno de escorpião na pesquisa científica?

O uso do veneno de escorpião em pesquisas chama a atenção principalmente por seu potencial biomédico. Em pequena escala e em condições controladas, as moléculas presentes na toxina são analisadas por sua capacidade de interagir com células e sistemas do corpo humano. Há estudos que investigam seu uso em terapias contra tumores, controle de dor crônica e desenvolvimento de novos fármacos.

Entre os componentes estudados, destacam-se peptídeos que se ligam a canais iônicos de membranas celulares. Essas estruturas são importantes para a comunicação entre neurônios, contração muscular e outras funções vitais. Ao entender como o veneno atua sobre esses canais, pesquisadores conseguem mapear novas estratégias de tratamento para doenças neurológicas e cardiovasculares.

Outra frente importante é a utilização do veneno de escorpião em diagnósticos por imagem. Alguns peptídeos são marcados com substâncias radioativas ou fluorescentes e usados como guias, ajudando a localizar áreas específicas do organismo em exames avançados. Esse tipo de aplicação exige controle rigoroso de dose e segurança, reforçando o caráter altamente técnico do uso da toxina.

O líquido mais caro do mundo sempre será o veneno de escorpião?

A expressão "líquido mais caro do mundo" varia conforme a fonte consultada e o critério utilizado para cálculo. Em muitas comparações, o veneno de escorpião aparece no topo da lista ou entre os primeiros colocados, justamente pela combinação de raridade, custo de produção e interesse científico. No entanto, outras substâncias, como certos anticorpos monoclonais, toxinas purificadas e hormônios sintéticos, também podem atingir valores muito altos por volume.

É importante considerar que o mercado de substâncias biológicas é dinâmico. Conforme novas tecnologias de produção surgem, alguns líquidos tendem a ficar mais acessíveis, enquanto outros, mais específicos e difíceis de sintetizar, podem se tornar mais caros. O veneno de escorpião continua, em 2025, como uma das toxinas animais mais valiosas por mililitro, mas a posição exata em rankings depende da metodologia utilizada.

Independentemente da classificação, o caso do veneno de escorpião ilustra como um material associado a risco e acidentes pode ganhar um papel estratégico em laboratórios do mundo inteiro. A transformação desse líquido raro em ferramenta de pesquisa mostra a importância do estudo controlado de substâncias tóxicas, que, em vez de serem vistas apenas como ameaça, passam a ser analisadas como possíveis aliados no desenvolvimento de novas tecnologias de saúde.

O alto valor do líquido reflete raridade, dificuldade de extração e uso científico especializado – depositphotos.com / benjaminjk
O alto valor do líquido reflete raridade, dificuldade de extração e uso científico especializado – depositphotos.com / benjaminjk
Foto: Giro 10

Quais cuidados cercam o comércio e o uso desse líquido?

O comércio de veneno de escorpião é altamente regulado. Em diversos países, a criação em cativeiro exige autorização ambiental e sanitária, com registro da espécie, origem dos animais e destino do material coletado. Empresas e instituições interessadas em adquirir o veneno precisam comprovar infraestrutura de pesquisa, responsabilidade técnica e cumprimento de normas de segurança.

Além da regulamentação, há um debate constante sobre ética e bem-estar animal. Pesquisadores e criadores discutem formas de minimizar o sofrimento dos escorpiões durante a extração, garantindo intervalos adequados entre as ordenhas e condições de manutenção que respeitem as necessidades da espécie. Esse cuidado é importante para equilibrar avanço científico, segurança e responsabilidade ambiental.

Dessa forma, o chamado "líquido mais caro do mundo" não se destaca apenas pelo preço, mas por todo o contexto que o envolve: complexidade biológica, desafios de extração, rigor regulatório e potencial de uso em medicina e biotecnologia. O interesse crescente em toxinas animais sugere que, nos próximos anos, novas aplicações e substâncias igualmente valiosas possam surgir a partir desse campo de estudo.

Giro 10
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