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Vincent Cassel conta como foi atuar em português em 'À Deriva'

31 jul 2009 - 10h43
(atualizado às 20h51)
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Vincent Cassel é um ator cuja presença física fala mais alto que qualquer palavra pronunciada. E corpo, ele bem sabe, é um meio de comunicação universal. Fascinado pelo Brasil - sua primeira viagem ao País tinha como objetivo aprender a jogar capoeira -, Cassel se sente muito à vontade no País cuja língua ele aprendeu rapidamente a falar, ainda que seu corpo se expresse antes de sua voz.

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Em sua primeira produção nacional - primeira porque Cassel tem planos de passar temporadas mais extensas no País -, o ator francês interpreta o Mathias de À Deriva, efusivo pai de uma família com três crianças. Mas se até mesmo os bons instrumentos podem desafinar, essa família se vê de uma hora para outra fora de sintonia em seu arranjo antes perfeito.

Em entrevista ao Terra, o ator francês, casado com a atriz italiana Monica Bellucci, se mostra cada vez mais brasileiro e fala sobre sua relação com o Brasil - em português fluente, diga-se de passagem -, a experiência em trabalhar com atores de primeira viagem e, em especial, sua relação com a estreante Laura Neiva, que interpreta Filipa, a filha mais velha do personagem de Cassel.

Qual sua afinidade com o Brasil?
A primeira vez que vim ao Brasil foi há 20 anos para aprender capoeira (atividade que ele pratica no filme Doze Homens e Outros Segredos). Desde então, já retornei ao Brasil várias vezes, adoro este lugar.

O que você conhece do nosso cinema nacional?
Logo depois que me convidaram para fazer À Deriva, vi o Cheiro do Ralo (também de Heitor Dhalia). Mas claro que já tinha visto alguns filmes brasileiros como Cidade de Deus, sem contar vários filmes do (Hector) Babenco e Walter Salles. Recentemente, vi Dona Flor e seus Dois Maridos e achei muito bom, a história é fantástica.

Como surgiu o convite para trabalhar em À Deriva?
Recebi o convite quando estava fazendo Inimigo Público nº 1 - Instinto de Morte. Como já tinha um plano de passar três meses no Brasil e a época das filmagens casava com esse período que eu pensava em ficar por aqui, topei.

Pretende um dia morar no Brasil?
Estou construindo uma casa em Trancoso, na Bahia, e tenho uma casinha em Búzios. Gostaria muito de passar mais tempo aqui, mas tudo depende de outras coisas.

Você não tem planos de dirigir filmes?
Fiz dois curta-metragens e uma das coisas que aprendi no processo é que eu não posso ser diretor de cinema. Dirigir exige um tempo muito grande dedicado a uma coisa só e eu sou uma pessoa que gosta de fazer várias coisas em um espaço de tempo pequeno. Digamos que estou mais para um "sprinter" (corredor de pequena distância) do que para um maratonista.

Acha que o fato de o seu nome estar em destaque no elenco chamará mais público para À Deriva?
Não acho que as pessoas assistam a um filme por causa dos atores e sim por causa da história. Talvez tenha alguma influência, mas não creio muito nisso.

Como foi trabalhar com crianças e adolescentes que nunca haviam atuado antes?
Eu adoro crianças. O trabalho com a Laura (Neiva) foi muito intuitivo, porque era preciso um relaxamento e isso aconteceu em cena. Atuar é jogar, é achar as coisas, é improvisar. Então eu brincava direto com a Laura e conseguimos uma cumplicidade em cena. Gosto muito de trabalhar com crianças e adorei meus três filhos no filme. Sabe aquele menino, o Max (Huzar, que interpreta o filho mais novo do casal)? Max é poesia, ele sabe tocar violão, compõe, é especial.

À Deriva é um filme que fala sobre a fragmentação de uma família, bem num período no qual as referências costumam ser boas, como as férias de verão. Há algo na trama com o qual você se identifique?
Meus pais são divorciados há muito tempo, e eles se separaram quando eu era jovem também. Mas o que mais que aproxima da história é esse momento de férias, esse ambiente de tranquilidade. Me traz o sabor da minha infância, de coisas que já experimentei na minha vida.

Como foi ter que falar português? Você acha que o fato de você ser estrangeiro diz algo sobre essa história?
Acredito que a coisa mais importante em uma história não são as palavras. Sim, ok, eu falo bastante no filme, mas há uma linguagem universal ali que é maior do que a língua. Não foi tão difícil aprender português, mas ainda perco muitas palavras.

Foto: Getty Images
Fonte: Redação Terra
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