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'Nunca vi a IA escrever uma piada que eu achasse engraçada', diz roteirista de 'Friends'

Adam Chase participou do evento Rio2C nesta quinta-feira, 28, e contou bastidores da série e citou dedicação de Matthew Perry

30 mai 2026 - 11h25
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RIO - Adam Chase, roteirista de Friends, revelou bastidores de uma das séries mais queridas pelo público no Rio2C. Chase participou de um painel conduzido pelo humorista Fábio Porchat nesta quinta-feira, 28, no qual compartilhou histórias de piadas marcantes da série, relembrou a dedicação de Matthew Perry e até refletiu sobre inteligência artificial.

"Eu nunca vi a IA escrever uma piada que eu achasse engraçada", disse ele. Chase entrou para a equipe de roteiristas de Friends no segundo episódio da primeira temporada, se tornou o roteirista que mais tempo permaneceu na equipe, ao lado dos criadores, Marta Kauffman e David Crane, e até virou produtor executivo e co-showrunner. Ele só não participou da temporada final da sitcom.

Os personagens Phoebe, Chandler, Rachel, Ross, Monica e Joey, de 'Friends'.
Os personagens Phoebe, Chandler, Rachel, Ross, Monica e Joey, de 'Friends'.
Foto: Warner/Divulgação / Estadão

Quando começou a trabalhar na série, Adam Chase tinha apenas 23 anos. Segundo ele, a maioria da equipe de roteiristas era formada por pessoas jovens. "Propositalmente, a Marta e o David queriam contratar roteiristas que tivessem a mesma idade dos personagens. O que foi muita sorte minha, porque era apenas o meu segundo emprego. E não teria como eu conseguir aquele trabalho se eu não estivesse na idade certa e no grupo demográfico certo", brincou ele.

As origens das piadas marcantes de 'Friends'

O roteirista detalhou como surgiram piadas que marcaram a sitcom. O episódio em que Ross (David Schwimmer) usa calças de couro apertadas, por exemplo, surgiu após ele mesmo comprar calças de couro muito justas. "Em 1997, uma mulher muito atraente me convenceu a comprá-las", brincou Chase.

Ele também contou que o clássico bordão 'How you doin'?', do personagem Joey Tribbiani (Matt LeBlanc), foi criado por uma mulher, a roteirista Shauna Goldberg. "Estávamos travados e precisávamos de uma última fala para o Joey. [...] Nós nem sabíamos realmente o que significava — obviamente, ele estava flertando —, mas o fato de que isso veio de uma mulher e não de um homem... Todo mundo sempre pensa que um homem inventou essa fala. Não foi. Foi uma mulher."

'Matthew Perry era um gênio'

Chase ainda relembrou a dedicação de Matthew Perry, que interpretou Chandler Bing na série e morreu em 2023, durante toda a produção. "Tenho que tirar o chapéu para o capitão Matthew Perry, porque ele era um gênio que chegava a sentar conosco na sala dos roteiristas às vezes, apenas por diversão", disse.

Segundo ele, o ator chegava até a participar de cenas de marcações de câmeras de outros personagens ou da pré-produção. "Ele conseguia criar histórias e sua habilidade de escrever piadas era tão boa quanto a de qualquer pessoa com quem já trabalhei."

'Salas de roteiro estão menores'

Chase também refletiu sobre o futuro das séries. Segundo ele, o streaming e cortes de custos dificultam que mais produções semelhantes a Friends surjam. "Não apenas as salas de roteiro são menores, mas os roteiristas não são empregados durante a produção. [...] Friends não seria o que é se não estivéssemos todos lá para cada tomada de cada episódio, porque havia muita reescrita do começo ao fim."

Para o roteirista, o mercado de streaming agora valoriza séries com poucos episódios, o que, a longo prazo, não cria uma "biblioteca de conteúdo" como a sitcom criou. "Não importa o quão brilhante seja a série, se ela tem três temporadas com seis ou oito episódios cada, eu não vou assistir a isso 10 vezes porque eu me lembro. Já se for Friends, Seinfeld, Modern Family ou Os Simpsons, eu posso ver de novo e de novo porque há muitos episódios. Toda vez que assisto a um, haverá uma piada ou um momento que não me lembro, mesmo que já tenha visto 10 vezes", disse.

Sobre IA, Adam afirmou que usa a tecnologia apenas como ferramenta de pesquisa. "A inteligência artificial 'suga' tudo o que já acontece e cospe de volta uma espécie de cópia pálida. Acho que pode ser uma ferramenta incrivelmente útil, mas, para mim, é uma ferramenta que um ser humano criativo, com uma alma, deveria estar usando. Não consigo imaginar querer ver algo que foi escrito por IA."

*A repórter viajou a convite do Rio2C.

Estadão
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