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'Meu Próprio Filho': A história real da mulher que fingiu gravidez e inspirou filme da Netflix

Produção dirigida por Maite Alberdi revisita o caso de mexicana condenada a 13 anos de prisão após levar uma recém-nascida de um hospital

17 ago 2026 - 11h06
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Com quatro anos de produção, documentário acompanha a história da mexicana Alejandra Marín ?Mendoza
Com quatro anos de produção, documentário acompanha a história da mexicana Alejandra Marín ?Mendoza
Foto: Netflix/Divulgação / Estadão

A Netflix estreou na última quinta-feira, 13, o documentário Meu Próprio Filho. A produção revisita o caso de Eleonor Alejandra Marín Mendoza, conhecida como Ale, uma mexicana que tinha 26 anos quando protagonizou um episódio que ganhou grande repercussão no País. Na época, ela fingiu estar grávida e acabou levando de um hospital uma recém-nascida que não era sua filha.

Em 17 de junho de 2009, Alejandra deixou um hospital da Cidade do México com uma sacola de presentes. Dentro dela estava a bebê Katya Valentina, que havia sido retirada da unidade sem autorização. Horas mais tarde, Alejandra e o marido, Arturo, foram presos em um motel. A criança foi localizada e devolvida ilesa aos pais.

Alejandra acabou condenada a 13 anos de prisão por sequestro. O caso chamou a atenção da imprensa mexicana não apenas pelo roubo da recém-nascida, mas também pela história que o antecedeu: ela havia simulado uma gravidez e enganado o marido, familiares e profissionais de saúde.

"Eu me sentia como se estivesse vivendo em outra dimensão. Muitas vezes, eu queria dizer: 'Isso não é real' ou 'Isso não está acontecendo'. Mas eu não conseguia", disse Alejandra à diretora, Maite.

Atriz Ana Celeste Montalvo (à esquerda) interpreta a mexicana Eleonor Alejandra Marín Mendoza, tema de documentário da Netflix
Atriz Ana Celeste Montalvo (à esquerda) interpreta a mexicana Eleonor Alejandra Marín Mendoza, tema de documentário da Netflix
Foto: Netflix/Divulgação / Estadão

A versão de Alejandra

A diretora Maite Alberdi apresenta a primeira parte da história como uma espécie de conto de fadas dramatizado, acompanhando a trajetória de Alejandra desde o casamento com Arturo, em 2000.

A história mostra que, desde muito jovem, o desejo de ser mãe esteve acompanhado de forte pressão sobre Alejandra. Ela se casou aos 17 anos, já grávida, mas sofreu um aborto espontâneo. Um segundo aborto também teria acontecido. O terceiro foi mantido em segredo por ela, que temia a reação do marido e da família dele.

À polícia, Alejandra afirmou que conheceu no hospital uma mulher grávida chamada Mayra, que não queria ficar com o bebê. Segundo seu relato, ela convenceu a mulher a levar a gestação adiante e entregar a criança a ela.

Durante o período em que simulava a gravidez, Alejandra teria alterado a própria rotina para aparentar estar gestante, inclusive aumentando o consumo de alimentos calóricos. Seu peso passou de 54 kg para mais de 89 kg. Como trabalhava no setor de obstetrícia e ginecologia do hospital, ela também modificou seus registros médicos.

Segundo a versão apresentada por Alejandra, depois de dar à luz, Mayra teria deixado a recém-nascida no hospital sob a justificativa de que sairia da unidade. Em pânico, Alejandra colocou a bebê em uma bolsa e a levou para casa, com a intenção de apresentá-la ao marido como sua filha.

Arturo teria ficado surpreso com a chegada da criança e, assim como a esposa, afirmou que só descobriu a falsa gravidez naquele momento.

A mãe da criança contesta versão

Para apresentar outro ponto de vista sobre o caso, a diretora do documentário também conversou com Mayra Navarro Vega, mãe da criança sequestrada. Ela contesta de forma contundente a versão apresentada por Alejandra.

Em seu depoimento à Justiça, Mayra relatou que foi ao banheiro do hospital e, quando voltou, descobriu que sua filha havia sido levada. Ela nega ter feito qualquer tipo de acordo e afirma que frequentava outra maternidade.

Segundo Mayra, ela nunca havia conhecido Alejandra até o momento em que a mulher apareceu em sua ala se passando por assistente social. "Não sinto nenhuma compaixão por ela. Ela não sentiu nenhuma compaixão quando roubou meu bebê", disse.

Ao investigar a história, a diretora afirmou que também buscou compreender as circunstâncias sociais que poderiam ter contribuído para a situação, especialmente a pressão exercida sobre mulheres em relação à maternidade.

Segundo Alejandra, os sogros e o marido a responsabilizavam pelos abortos espontâneos, sob o argumento de que ela havia continuado trabalhando durante as gestações e não teria tomado os cuidados necessários. O desejo de Arturo por um filho biológico, especialmente por um menino, também aparece no documentário.

Em entrevista à diretora, a juíza responsável pelo caso afirmou que o depoimento de Alejandra incluía lembranças dos sogros "dizendo coisas como: 'você não vale nada como mulher se não puder ter filhos'".

"Eu me sentia pressionada a agradar a família dele. Era um desejo tão forte de ser mãe que me vi envolvida em problemas cada vez maiores, e comecei a tomar decisões e atitudes cada vez mais complicadas. Até que não havia mais saída nem volta", disse Alejandra.

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Estadão
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