Selton Mello diz que busca "respiração própria" no cinema
- Fernando Diniz
- Direto de Gramado
O ator e diretor Selton Mello evita falar em referências para seu filme, O Palhaço, que teve boa recepção na abertura do festival de Gramado. Ele admite influências do cinema italiano, mas diz estar mais liberto e em busca de uma "respiração própria".
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"Referências são muitas, como o (cineasta italiano) Ettore Scola, com o filme Feios, Sujos e Malvados, mas mais liberto dessa vez. É uma vontade de achar uma narrativa própria, uma respiração própria, uma forma diferente de contar uma história", disse neste sábado (6) o diretor, que já havia citado referências desde o italiano Frederico Fellini a Renato Aragão na concepção do longa.
O filme de Selton Mello narra a história de Benjamin, um palhaço sem identidade e CPF que passa por uma crise existencial no picadeiro. Quando não está atuando, tenta resolver burocracias da trupe do Circo Esperança e aparenta estar cansado das dificuldades da vida circense. "O filme é um desejo de falar sobre a vocação. Quem nunca pensou: 'é isso mesmo que eu quero? Será que não quero fazer outra coisa'", disse Selton.
Em O Palhaço, o cenário frequentemente interage com os personagens, como nas cenas em que aparecem vários ventiladores, objeto pelo qual o palhaço Benjamin (Selton Mello) nutre uma obsessão. Ou nas cômicas cenas em que personagens coadjuvantes encaram retratos de animais na casa de um prefeito interiorano.
Selton disse que Wagner Moura e Rodrigo Santoro foram cogitados para o papel principal. Os dois estavam indisponíveis, e ele decidiu vestir o personagem. "Eu não acumulei duas funções. Eu botava a roupa, ia lá e fazia. Eu sabia o que eu queria do palhaço Benjamin e não senti esse peso do acúmulo de funções".