Laura Neiva se acostuma agora à rotina de atriz
O trajeto que levou Laura Neiva até o set de filmagens de À Deriva é por si só uma boa história a ser contada. Descoberta pelo Orkut pela produção do filme, ela nunca havia atuado antes e, quando recebeu uma mensagem pela rede de relacionamentos online, achou que fosse um trote. "No Orkut, a gente recebe mensagem todo dia com coisas como você quer ser modelo? Você quer ir para a Tailândia?", admitiu ela durante a coletiva de imprensa do filme, em São Paulo. Três meses depois, a produção de À Deriva conseguiu, também via Orkut, entrar em contato com uma amiga de Laura que, por sua vez, passou o MSN da colega. Somente aí as conversas passaram a ser mais sérias, chegando então à mãe de Laura.
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Daí para a interpretação de Filipa, protagonista do filme de Heitor Dhalia e menina cujo ponto de vista guia toda a história, foi tudo muito rápido. E é também em velocidade acelerada que Laura vê agora sua rotina mudar.
Após a coletiva com vários jornalistas, a nova atriz participou de uma outra bateria de perguntas e respostas, desta vez sozinha, sem mais a companhia do elenco e dos realizadores do filme. Bastante segura de si mesma, ela começa a se acostumar intuitivamente com todo o processo de ser atriz, dentro e fora de cena. Confira a entrevista que o Terra fez com a nova profissional do cinema.
A essa altura, você já teve que responder a algumas perguntas semelhantes, o que mais te perguntaram até agora?
Ah, o que todo mundo pergunta é "como foi você foi achada no Orkut? É verdade isso?" E aí às vezes penso que poderia responder coisas como "Não, na verdade eu sou filha do Heitor" (risos). Não, brincadeira. Eu gosto de responder a tudo, não tenho essa coisa de "Ah, lá vem de novo essa pergunta", porque acho que isso faz parte do que estou fazendo agora.
E o que você está fazendo agora, ser atriz, é uma escolha que você vai fazer para sua vida?
Sim, essa é a profissão que vou escolher para mim.
Pretende fazer televisão?Não, queria fazer só cinema.
Como foi sua reação na primeira vez que você se viu em tela grande?
Antes de Cannes, tinha visto apenas alguns pedacinhos do filme. E agora no Festival de Paulínia, eu estava mais relaxada durante o filme. Mas na primeira exibição, em Cannes, eu fiquei muito, muito nervosa. Sempre achava alguma coisa estranha em mim mesma. E ficava tipo "Nossa, meu dente está torto, minha cara tá estranha". Eu vi um outro filme lá.
Em Cannes, você chegou a tirar uma foto ao lado Robert Pattinson, de Crepúsculo. Ficou nervosa com esse encontro?
Ah, foi o seguinte. A gente estava em um restaurante lá em Cannes e aí de repente ele entrou. Eu fiquei de boca aberta. Mas assim, na minha. Aí um amigo do Vincent (Cassel, ator que interpreta o pai de Laura em À Deriva) falou que podia me apresentar a ele e eu fiquei "não, por favor, não precisa". Mas aí ele me levou lá e eu apertei a mão do Robert. Aí esse amigo do Vincent falou: "Agora vamos tirar a foto". E eu morrendo de vergonha, "não, já apertei mão, não precisa de foto não". Mas então tiramos a foto.
O pessoal da sua escola quer ver o seu filme?
Todo mundo na minha escola vai assistir ao filme, mas tipo, minha escola é muito pequena, são poucos alunos na sala, então todo mundo vai ver mesmo. Meus amigos ficaram bem felizes quando souberam que eu estaria em um filme.
Você passou muito tempo longe da escola para fazer o filme?
Fiquei quase dois meses fora da escola, depois tive que ter aulas particulares para recuperar tudo.
De repente, você estava no centro de uma produção internacional, com uma estrela brasileira e um astro internacional como coadjuvantes da história da sua personagem. O que te fez não desistir desse desafio, considerando que você não era uma atriz? Houve um momento em que você pensou em desistir?
Olha, quando fui escolhida pra fazer o filme, já estava tão envolvida naquilo tudo que me senti com uma responsabilidade muito grande. Tipo, eles passaram um tempão me procurando, tentando entrar em contato comigo, que quando eu aceitei não podia mais voltar atrás. Agora, confesso que no meio das filmagens, quando eu já estava muito cansada, minhas olheiras enormes, aí pensei em desistir. Mas claro que eu não ia fazer isso.
Qual foi o momento mais difícil de filmar para você?
Foi quando eu tive que brigar com o Vincent. Estava super tensa naquela cena, porque eu tinha que ficar muito brava com ele. E quando terminamos de gravar, quando todo mundo já estava saindo do lugar, o Vincent parou e falou assim: "Acho que seria melhor se a Laura me desse um tapa." E aí o Heitor falou: "É isso, estava faltando um tapa". E eu comecei a chorar porque íamos ter que fazer tudo de novo. Isso terminou ajudando a melhorar a cena, porque naquela hora eu estava com raiva mesmo.
Você fala que quer fazer mais cinema. Quais os filmes que você gosta do cinema nacional e quem você admira?
Ah, eu adoro Lisbela e o Prisioneiro, Divã, que vi recentemente. Gosto do Selton Mello, que pude conhecer agora lá em Paulínia. Gosto também de Fernanda Torres e da Dira Paes.
Alguém da sua família foi com você para as gravações?
Minha avó foi comigo.
Seus pais te deram algum conselho quando você saiu de casa para filmar?
Meu pai ficava preocupado com minha imagem. Já minha mãe, tudo que ela falou foi: "Filha, se preserva, agora é você quem cuida de você".
