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'George Michael era o que Harry Styles é hoje', afirma diretor de filme-concerto sobre ícone pop dos anos 80

David Austin, Andy Morahan e Mary McCartney conversaram com Rolling Stone Brasil sobre a restauração da Faith Tour e a importância de apresentar a música de George Michael às novas gerações

5 nov 2026 - 08h07
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Resumo
O filme-concerto "George Michael: The Faith Tour" resgata apresentações históricas do cantor em Paris, gravadas em 1988 e restauradas a partir de películas de 35 mm. Dirigida por David Austin e Andy Morahan, a produção chega aos cinemas acompanhada pelo curta intimista "Finding Faith", de Mary McCartney. A obra celebra o perfeccionismo e o auge pop do artista, cuja relevância atemporal e alcance entre as novas gerações foram comparados pelos diretores ao fenômeno atual de Harry Styles.

Quase quatro décadas depois de uma das fases mais importantes de sua carreira, George Michael está de volta às telas de cinema. George Michael: The Faith Tour recupera imagens inéditas de duas apresentações realizadas em 1988, no Palais Omnisports de Paris-Bercy, durante a turnê que consolidou o cantor como um dos maiores nomes da música pop mundial.

'George Michael era o que Harry Styles é hoje', afirma diretor de filme
'George Michael era o que Harry Styles é hoje', afirma diretor de filme
Foto: concerto sobre ícone pop dos anos 80 (Michael PutlandGetty Images) / Rolling Stone Brasil

Gravado em película de 35 mm, o material passou anos guardado até ser redescoberto e restaurado para uma experiência cinematográfica que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 5 de novembro, incluindo sessões em salas IMAX. Dirigido por David Austin e Andy Morahan, dois colaboradores próximos do artista, o filme-concerto apresenta George no auge de sua popularidade, pouco depois do lançamento de Faith (1987), primeiro álbum solo do cantor.

A produção também conta com uma participação especial de Mary McCartney, filha de Paul McCartney, responsável pelo curta-metragem Finding Faith, que abre as sessões. A partir de imagens de arquivo e registros sonoros pouco conhecidos, a cineasta propõe um olhar mais íntimo sobre George, em contraste com a dimensão monumental dos shows. A ideia é apresentar não apenas o astro diante de milhares de pessoas, mas também o homem que refletia sobre sua música, sua voz, seus relacionamentos e os caminhos que pretendia seguir.

Em conversa com a Rolling Stone Brasil, os três falaram sobre os desafios de recuperar o material, a responsabilidade de preservar a memória de George e a maneira como sua obra continua encontrando espaço entre artistas e ouvintes mais jovens. Confira o papo a seguir:

O desafio de recuperar um momento histórico

Para Andy Morahan, um dos aspectos mais interessantes do trabalho foi perceber que o material original já possuía uma qualidade extraordinária. Com a recuperação dos registros, os responsáveis pelo projeto reuniram uma equipe especializada para alcançar o padrão técnico que consideravam adequado.

"Uma das coisas mais fáceis foi que, quando redescobrimos as imagens, sabíamos que estavam em 35 mm. Sabíamos que tínhamos filmado a maior parte do show, mas o material acabou ficando em uma prateleira, acumulando poeira por alguns anos", contou Morahan.

A principal preocupação, segundo o diretor, não era transformar o registro em algo que parecesse contemporâneo, mas preservar justamente aquilo que o tornava especial: sua autenticidade.

"Não precisávamos fazer parecer que era dos anos 1980, porque ele já é dos anos 1980. Não precisávamos torná-lo melhor do que realmente é. É algo incrível. Nossa responsabilidade era maximizar a qualidade que sabíamos que estava ali e apresentar o material de uma maneira que tanto o público mais jovem quanto as pessoas que olham para aquele período com nostalgia pudessem aproveitar e compartilhar", explicou.

O homem por trás do espetáculo

Se o filme-concerto recupera a energia de George diante de milhares de pessoas, o curta Finding Faith segue uma direção diferente. "Eu estava assistindo às imagens do show e pensando em como tudo era exuberante e fabuloso, na energia e naquela multidão enorme, com milhares de pessoas reunidas em uma arena. Então pensei que seria interessante mostrar George sozinho, mais exposto, revelando seu lado sensível e reflexivo", explicou Mary McCartney.

Para Mary, esse momento mais intimista funciona como uma espécie de passagem para o espetáculo que vem a seguir. "Era uma maneira de começar com um momento silencioso, apenas com George e sua voz, e conduzir o público até o palco para a apresentação. É quase como um momento de bastidores", definiu.

A cineasta também fez questão de considerar a relação de David Austin e Andy Morahan com o cantor durante a realização do curta. "Queria fazer algo que esses caras gostassem, porque eles eram muito próximos de George. Existe uma devoção e um amor muito genuínos, quase como uma relação de família", afirmou.

Uma relação de amizade e responsabilidade

Para David Austin, trabalhar com o material de George Michael não representa apenas uma oportunidade de revisitar a obra de um grande artista. Questionado sobre como lida emocionalmente com um projeto que recupera imagens de seu melhor amigo, David explicou que não enxerga uma separação tão clara entre a relação pessoal e o trabalho de preservação da obra.

"É um processo muito fácil, na verdade. Gosto de trabalhar com a música dele. Sei o que ele gostaria e sei como gostaria de ser apresentado visualmente. A emoção que levo comigo é o cuidado. Eu me importo com o que faço e sei o quanto ele também se importava com o próprio trabalho. Tento agir da mesma maneira", contou.

Embora reconheça que existiram momentos difíceis após a perda do cantor, David encara a possibilidade de cuidar de seu catálogo como um privilégio. "É um presente dos céus. Estamos falando de um dos maiores artistas, com um catálogo fantástico. Existe uma responsabilidade enorme, mas a maneira como lido com isso é tendo cuidado e garantindo que faço aquilo que ele gostaria que eu fizesse", afirmou.

O perfeccionismo de George Michael

A Faith Tour também representa um momento importante para entender como George Michael construiu sua identidade solo. Para Andy Morahan, que acompanhou de perto essa evolução profissional, a apresentação de 1988 registra um artista cada vez mais seguro de suas capacidades e preocupado com todos os aspectos de sua carreira.

"Como artista, ele sempre foi bastante extravagante quando ganhou confiança com o Wham!. Aquilo foi uma evolução contínua até chegar ao momento em que tinha um álbum solo fantástico, que alcançou o primeiro lugar. O mundo o amava", observou Andy.

O diretor também destacou que o aperfeiçoamento de George não se limitava à construção de uma imagem pública. "Sua performance de palco estava ficando cada vez melhor. Sua voz também. Tudo fazia parte daquela obsessão que ele tinha de se apresentar da melhor maneira possível. E isso não dizia respeito apenas ao visual, mas também à maneira como performava, à sua musicalidade e à sua composição", completou.

Mary McCartney concordou com a avaliação e resumiu aquele período como o trabalho de um artista que dominava diferentes aspectos de sua criação. "Era um profissional completo, trabalhando em todas as frentes. Acho que o mundo estava muito curioso para descobrir o que ele apresentaria em sua carreira solo depois de sair do Wham!", comentou.

Um artista que continua conquistando novas gerações

Quase dez anos depois da morte de George Michael, em dezembro de 2016, sua música continua circulando entre diferentes públicos. Para David, esse interesse não é apenas resultado da nostalgia de quem acompanhou o cantor nos anos 1980 e 1990. Existe uma conexão genuína com ouvintes que sequer eram nascidos quando a Faith Tour aconteceu.

"Existe toda uma nova geração descobrindo George. Os números dele em plataformas como o TikTok são enormes. Seu alcance entre o público mais jovem é impressionante. Você tem artistas como Taylor Swift incorporando sua música, Dua Lipa e outros nomes que também reconhecem sua importância", afirmou.

Ele acredita que parte dessa popularidade acontece até mesmo entre pessoas que conhecem as canções, mas nem sempre associam imediatamente os sucessos ao intérprete original. "Acho que muitos jovens conhecem várias dessas músicas sem necessariamente saber quem é o artista. Todo mundo conhece 'Careless Whisper', todo mundo conhece 'Last Christmas', todo mundo conhece 'Father Figure'. A música dele é atemporal", disse.

Ao tentar dimensionar a importância que George tinha no auge da carreira, o produtor recorreu a uma comparação com um dos maiores astros pop da atualidade. "Ele era exatamente o que Harry Styles é hoje", afirmou.

Mary McCartney também percebe essa conexão dentro de casa. "Meus filhos me mandam músicas e isso acaba se tornando uma maneira de criar uma conexão entre nós. Eles dizem: 'Mãe, escuta essa música', sem entender que eu era uma grande fã naquele período. Acho que isso acaba nos aproximando, e essa é a grande coisa da música", concluiu.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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