"Foi revisitar momentos que vivi", diz M. Machado sobre longa Tropicália
- Anne Gigliucci
- Direto de São Paulo
Extremamente fiel ao movimento do final da década de 60 que deu origem a atual música brasileira, o Tropicalismo, Marcelo Machado decidiu voltar no tempo e reviver a história dessa revolução em 89 minutos de vídeo, reunindo diversas fotos e depoimentos que muitos ainda não têm conhecimento. O conjunto de tudo isso se resumiu no documentário Tropicália, que estreia nesta sexta-feira (14).
Em entrevista exclusiva ao Terra, o diretor contou com brilho nos olhos que ficou muito feliz e realizado por relembrar um marco brasileiro de imensa importância à cultura. "Fazer o Tropicália foi revisitar os momentos que vivi. Foi uma motivação interna, que veio de dentro. Estou muito contente por poder contar como foi de fato esse período", declarou Marcelo.
Questionado sobre a parceria e amizade de 20 anos com Oswaldo Santana, que ajudou a dar forma ao longa, o diretor demonstrou muita satisfação e emoção quando disse: "ele é como se fosse meu irmão. Montamos o documentário juntos, mas, às vezes, ele me pedia um tempo, uma semana, por exemplo, e eu dava sem problemas. Nossa parceria é assim, muitas vezes ele fazia algo diferente do que pedia, mas sempre deu certo. Gosto de ser surpreendido pelo Oswaldo."
Sempre participando de todos os processos, desde a seleção da equipe, que sempre escolhe de acordo com seu bom senso, até ao desfecho do projeto, Marcelo fez questão de fazer parte de dois testes de audiência, onde reuniu diversas pessoas, uns com escolaridade superior completa, outros incompleta, além de moradores de periferia, que opinaram sobre sua obra - o que foi fundamental para o arremate de todo o trabalho.
No decorrer da entrevista, com a aproximação de uma senhora loira, segundo Marcelo, sua tia, que o cumprimentou carinhosamente, ele se lembrou de uma história, a qual fez questão de contar por ter ligação ao gosto pelo tema de seu documentário. Sorridente, o diretor disse que foi com aquela senhora loira que teve o primeiro contato direto com o Tropicalismo, uma vez que aprendeu a cantar Alegria Alegria,de Caetano Veloso, com a querida tia, que sempre o incentivou.