Zach Cregger leva sensações dos jogos 'Resident Evil' aos cinemas: 'Queria protagonista como eu'
Diretor de 'A Hora do Mal' diz que preferiu reproduzir o que sente jogar os games, enquanto Austin Abrams interpreta um protagonista apavorado diante do horror; leia entrevistas
O diretor Zach Cregger traz aos cinemas uma nova adaptação de Resident Evil focada na experiência de sobrevivência e tensão dos games. Em vez dos heróis clássicos, o filme introduz Bryan (Austin Abrams), um entregador comum criado para funcionar como avatar do jogador desamparado. Diante das críticas prévias sobre a falta de fidelidade aos jogos, o cineasta defende a qualidade de sua obra e pede que o público assista ao longa antes de julgá-lo, confiante na visão que imprimiu ao projeto.
Zach Cregger conhece Resident Evil por dentro. O diretor de A Hora do Mal e Noites Brutais jogou repetidamente os games da franquia e sabe o que, para ele, os torna tão atraentes: não apenas o terror, mas a sensação de sobrevivência, o gerenciamento de recursos e a progressão de armas. Seu novo Resident Evil estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 17, mas, em vez de colocar Leon Kennedy ou outro personagem familiar no centro da trama, Cregger criou Bryan, um entregador médico interpretado por Austin Abrams.
A ideia era fazer do personagem uma espécie de avatar do jogador — alguém despreparado, assustado e tentando sobreviver a uma situação que está muito além de sua capacidade.
"Eu joguei todos os jogos tantas vezes que sinto que sei exatamente como eles evoluíram", contou o cineasta ao Estadão. "O que eu amo nesses jogos é a jogabilidade: o terror, o gerenciamento de recursos, a sobrevivência. São essas sensações que me fazem voltar a jogar Resident Evil de novo e de novo — e foi isso que eu quis celebrar no filme: o ritmo, o tom, a progressão das armas."
Agora que o longa está pronto, o diretor acompanhou algumas reações antecipadas na internet, reclamando que o filme tem pouco a ver com os games, mas não vê muito o que fazer diante delas. "Não posso mudar o filme. E, aliás, o filme é ótimo", afirma.
Para Cregger, a discussão só faz sentido depois que o público assistir ao longa. "Quando você for ao cinema e formar sua opinião depois de ver, aí sim, tudo bem. O que você pensar é justo", diz, se defendendo das críticas que surgem só a partir do trailer. "Mas acho que as pessoas precisam ao menos assistir ao filme antes de decidir se é bom ou ruim."
A segurança do diretor também tem relação com o momento em que Resident Evil foi produzido. Cregger começou a trabalhar no longa antes mesmo de A Hora do Mal, seu segundo filme, chegar aos cinemas. Quando o filme com Tia Gladys estreou e passou a ocupar o centro das atenções, ele já estava concentrado na produção de Resident Evil.
"Eu comecei Resident Evil antes mesmo de A Hora do Mal sair. Então, quando A Hora do Mal saiu e teve seu momento, eu já estava de cabeça baixa, trabalhando neste aqui", afirma. "Eu não tive espaço para ficar pensando 'será que isso vai ser tão bom quanto blá-blá-blá?'. Não é assim que eu penso."
Para Abrams, a lógica é parecida, mas passa menos pelo gênero e mais pelo cineasta. "Acho que quem está dirigindo é, de fato, a coisa mais importante."
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