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Adaptação de Thalita Rebouças, 'Era Uma Vez Minha 1ª Vez' leva às telas história de amizade

Nova adaptação de livro de Thalita Rebouças, lançado originalmente em 2011, com direção de Claudia Castro, traz maior diversidade, debates em alta e importância da união; leia entrevista com artistas

19 set 2026 - 12h11
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Resumo
Dirigido por Claudia Castro, o filme "Era Uma Vez Minha 1ª Vez", adaptação da obra de Thalita Rebouças, chegou aos cinemas com foco no amadurecimento e na força da amizade feminina. Na trama, quatro amigas planejam perder a virgindade antes da formatura, enfrentando pressões, inseguranças e autodescoberta. Atualizada com mais diversidade em relação ao livro lançado há 15 anos, a produção usa o despertar sexual como pano de fundo para celebrar a união entre mulheres e a transição para a vida adulta.

Quem acha que Era Uma Vez Minha 1ª Vez, de Thalita Rebouças, é um livro - e agora, filme - que só trata de experiências sexuais, se engana. Para muito além dos relacionamentos, a obra busca trazer um olhar mais profundo e significativo para as amizades femininas e o amadurecimento.

Adaptação de livro homônimo de Thalita Rebouças 'Era Uma Vez Minha 1ª Vez' chega aos cinemas nesta quinta-feira, 17.
Adaptação de livro homônimo de Thalita Rebouças 'Era Uma Vez Minha 1ª Vez' chega aos cinemas nesta quinta-feira, 17.
Foto: Helena Barreto/Reprodução / Estadão

A história acompanha Teresa, Clara, Tuca e Patty, quatro amigas que decidem estabelecer uma meta em comum: deixar de ser virgens antes da formatura. Interpretadas por Letícia Braga, Castorine, Lívia Silva e Duda Matte, as garotas passam por situações emocionais ao lidar com expectativas, inseguranças e descobertas sobre a própria sexualidade.

A trajetória do grupo busca mostrar que o conceito de momento certo para determinadas experiências não existe. O elenco ainda reúne Cauã Martins, Caian Zattar, Cintia Rosa, Pedro Ogata, JP Rufino e Duda Pimenta.

Dirigido por Claudia Castro, o filme baseado na obra de Thalita acaba de chegar aos cinemas. Emocionadas e impactadas com o lançamento, diretora e escritora conversaram com o Estadão sobre a história e o processo de adaptação

As amizades femininas e representatividade

Apesar de as primeiras vezes terem destaque dentro do longa, Era Uma Vez Minha 1ª Vez vai muito além disso. "Acho que a coisa da insegurança, da amizade, na verdade, vem antes do sexo", analisa Thalita. "Porque falamos do antes e do depois, das consequências dessa escolha. Falamos da pressão, do pacto, mas é tão mais sobre isso. Na verdade, é só o pano de fundo para a jornada de autoconhecimento delas. E nessa jornada, elas descobrem o sexo com elas mesmas;"

"Nosso filme é muito mais sobre amizade, limite, e eu acho que a descoberta de si, do autoconhecimento, pelo contorno da outra, pelo limite da outra, pelo respeito em relação à outra pessoa", completa Claudia. "A amizade feminina é uma coisa tão forte. Às vezes fazemos amizade aos 14 anos e não largamos nunca mais. Passa uma vida inteira."

Thalita diz que vê a história como um "serviço de utilidade pública disfarçado de filme leve" - mas que da espaço especial às amizades.

Claudia Castro e Thalita Rebouças, diretora e escritora de obra original 'Era Uma Vez Minha 1ª Vez'.
Claudia Castro e Thalita Rebouças, diretora e escritora de obra original 'Era Uma Vez Minha 1ª Vez'.
Foto: Helena Barreto/Reprodução / Estadão

Apesar de as quatro protagonistas passarem por alguns conflitos, a mensagem final do filme é de reforço à união e rejeição à rivalidade.

Como fazer uma adaptação a partir de uma nova leitura, mas mantendo-se fiel ao original

O livro foi escrito por Thalita há 15 anos; por isso, a história passou por algumas mudanças em sua versão para as telonas. Uma delas foi a inclusão de mais diversidade na história: "Poder fazer um beijo lindo de duas mulheres poderosas, donas de si", disse Thalita.

Ela completa: "O legal é que a essência delas continua a mesma. Eu só trouxe coisas, mas elas continuam as que saíram da minha cabeça. É esse tipo de coisa que o audiovisual aos poucos me deu a possibilidade de melhorar, a possibilidade de contar novas histórias com os mesmos personagens".

Fazer a adaptação de um livro para um produto audiovisual não é uma tarefa fácil. É preciso entender a melhor forma de transpor aquela obra, já bastante querida por uma base de fãs, para um filme que faça sentido.

"Tem as partes fáceis e gostosas e as partes difíceis, que precisamos ir sempre fazendo aquele cálculo matemático do que fica, do que não fica", explica Claudia a respeito de seu cuidado no momento de trabalhar a adaptação.

"Não dá para transportar tudo do livro e, ao mesmo tempo, precisamos ter uma narrativa de uma curva fechada, toda aquela coisa de cinema que a gente precisa ter uma história para contar", continuou. "Mas, na verdade, que quando você pega um assunto, um tema que você gosta, a coisa fica um pouco mais facilitada. Quando você tem pessoas que você é íntima, facilita mais ainda."

O que realmente é o amadurecimento?

Um dos conceitos abordados no filme é o coming of age, algo que se assemelha à chegada a vida adulta. Era Uma Vez Minha 1ª Vez retrata a descoberta e exploração de uma fase nova da vida, bem como as vantagens e desvantagens que chegam com ela.

"O processo de amadurecimento começa quando a gente nasce e ele só termina quando a gente morre", diz a cineasta. "Então, na verdade, estamos falando de um amadurecimento das primeiras experiências."

"Acho que as primeiras experiências trazem amadurecimentos - o primeiro término, por exemplo, é uma dor que você nunca mais vai esquecer", continuou. "Todo término que você viver depois, você vai passar por ele. Você revisita, amadurece de novo, porque você só vai amadurecendo os términos dos relacionamentos. Assim como você vai amadurecendo o seu sexo, a sua maneira de estar dentro de uma relação, a sua maneira de ser amiga, a sua maneira da atenção ao próximo. Então, acho que isso é o início do amadurecimento emocional".

A artista ainda refletiu sobre a forma como as personagens saem mudadas ao final da narrativa. Para ela, as amigas são de um jeito no início do filme, e com o decorrer da história, passam por momentos que alteram a forma como se comportam: "Tem aí uma trajetória de início, e elas terminam um filme modificadas, mais consolidadas em suas amizades, na certeza de que elas vão continuar juntas. Então você tem uma trajetória de personagem que elas começam de um jeito e terminam mais fortes, mais fortalecidas pela amizade", afirma a diretora.

Estadão
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