Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

'Mortal Kombat 2' é a resposta direta para os fãs que reclamaram do primeiro filme

Novo filme deixa a história de lado e foca em lutas que acontecem em sequência e sem forma lógica; Karl Urban está divertidíssimo

6 mai 2026 - 18h11
Compartilhar
Exibir comentários

Quando Mortal Kombat estreou, em 2021, o objetivo da Warner Bros. era claro: construir um universo fantástico — com deuses, poderes, lutas e violência — capaz de abraçar dois públicos distintos. De um lado, os fãs do videogame, que há décadas se divertiam com personagens como Kano, Scorpion e afins. Do outro, o estúdio queria criar um universo fictício minimamente interessante para conquistar espectadores que nunca tocaram num controle. A recepção foi mista pela crítica, mas os fãs fizeram barulho: reclamaram que havia pouca ação. Mortal Kombat 2, que chega aos cinemas nesta quinta, 6, é a resposta direta a essa reclamação.

Novamente dirigido por Simon McQuoid, o longa-metragem abre com a história de Kitana (Adeline Rudolph), uma princesa guerreira que vê seu mundo ser tomado pelo violento Shao Kahn, vivido pelo imponente Martyn Ford. O tempo passa, ela cresce e começa a lutar. É então que um novo torneio — o tal Mortal Kombat — se instaura entre os lutadores da Terra e os vilões do conquistador. Nessa equação, McQuoid ainda insere Johnny Cage (Karl Urban), um astro de filmes de ação dos anos 1990 em decadência, fora de forma e desmotivado, convocado pelos deuses para participar do torneio mortal.

Nos bastidores, o roteirista Jeremy Slater chegou a entregar um primeiro rascunho de 178 páginas — cerca de 70 a mais do que o habitual —, com cerca de 20 personagens lutadores e arcos emocionais paralelos. O que chegou às telas é uma versão muito mais enxuta dessas ambições.

Karl Urban está divertidíssimo, mas não salva 'Mortal Kombat 2'
Karl Urban está divertidíssimo, mas não salva 'Mortal Kombat 2'
Foto: Warner Bros./Divulgação / Estadão

Um fiapo de história e muito sangue

Não é exagero dizer que essa é, em linhas gerais, toda a história de Mortal Kombat 2. Há uma trama aqui e acolá, mas McQuoid, os roteiristas (Slater, Ed Boon e John Tobias) e os produtores querem, acima de tudo, agradar os fãs do jogo. É algo parecido com o que aconteceu com Star Wars — guardadas as devidas proporções — quando a Disney praticamente apagou Os Últimos Jedi para produzir o envergonhado e covarde A Ascensão Skywalker, apenas para acalmar um grupo de fãs raivosos. É o medo do fracasso em forma de decisão criativa.

Mortal Kombat 2 abandona qualquer pretensão de construir um universo mitológico consistente e encadeia lutas violentas uma atrás da outra, mesmo quando várias delas não se conectam organicamente à narrativa. Prova disso é o que fazem com Cole, o protagonista do primeiro filme, que praticamente desaparece. É como se este segundo capítulo fosse uma página em branco, apagando o que veio antes para recomeçar com outros objetivos.

Há algo de calculado nessa ânsia em agradar uma parcela específica do público, como se o fãs mais ruidosos fossem os únicos árbitros de uma boa bilheteria. O resultado é o abandono de qualquer estrutura mais sólida. Não chega a ser um erro por si só — é, afinal, uma decisão criativa. Mas é difícil ignorar o vazio que toma conta do longa. O filme parece um jogo filmado com atores, sem qualquer interesse em fazer com que o espectador mergulhe numa história. E o que seria do cinema sem histórias, sem emoções, sem personagens que valem a pena acompanhar?

Johnny Cage salva o que pode

O principal ponto de interesse — e também de decepção — gira em torno de Cage, esse personagem improvável que surge no meio de uma competição mortal entre criaturas com poderes sobrenaturais. Ele é um ator, não um lutador, e precisa se virar para sobreviver como dá.

'Mortal Kombat 2': universo mitológico é construído de forma envergonhada
'Mortal Kombat 2': universo mitológico é construído de forma envergonhada
Foto: Warner Bros./Divulgação / Estadão

Karl Urban entrega uma versão mais vulnerável e humana do personagem do que se poderia esperar, algo que o próprio Slater admitiu ter descoberto ao longo da escrita. É como se Van Damme ou Stallone fossem escalados para lutar num torneio intergaláctico — divertido, claro, mas com um potencial narrativo que o filme desperdiça ao não lhe dar espaço, presença e protagonismo suficientes.

Mortal Kombat 2 deve percorrer o curioso caminho de agradar muito aos fãs — ansiosos por ver o jogo traduzido para o cinema com atores reais — e desagradar quem quer simplesmente ver cinema de verdade. McQuoid e sua equipe ficam no limite tênue entre a arte e a mera reprodução. Pelo menos dá para encontrar algo de divertido nessa mistura de ideias pela metade, atores em torneios intergalácticos e lutas incessantes.

Estadão
Compartilhar

Comentários

As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra