Morre Maria Ribeiro, atriz de 'Vidas Secas', aos 102 anos
'Minha vida pode ser dividida entre antes e depois de 'Vidas Secas'', dizia artista que entrou para o mundo do cinema a convite de Nelson Pereira dos Santos
Maria Ribeiro, atriz conhecida por seu trabalho no filme Vidas Secas (1963) morreu na última terça-feira, 30, aos 102 anos de idade. A informação foi publicada por sua filha, Wilma Lindamar da Silva, no Facebook, e ganhou repercussão dias depois.
A maneira encontrada foi pedir uma licença de dois meses ao seu patrão, para que fizesse as filmagens e voltasse. Ouviu um não e ainda que a gravação de Vidas Secas não justificaria a ausência por conta de fazer parte dessa "loucura do cinema nacional". Pereira teria vazado a informação para a imprensa, que repercutiu com reportagens que contavam a história da atendente de laboratório que foi chamada para ser atriz de cinema, mas barrada pelo chefe.
Nelson convenceu o produtor Herbert Richers a ligar para o patrão de Ribeiro. "Olha, Maria, eles fizeram o próprio Herbert ligar para mim. Eu devo muitos favores a esse homem e não posso dizer não. Agora, eu vou perder uma excelente funcionária, porque sei como é o cinema brasileiro. Ele vira a cabeça das pessoas", teria dito, segundo ela.
Liberada, filmou Vidas Secas e se destacou. Pôde conhecer a Europa quando foi ao Festival de Cannes. Morou algum tempo na Itália. À época de sua morte, vivia em Genebra, na Suíça. Esteve no elenco de outros filmes como A Hora e a Vez de Augusto Maltraga (1965), Os Herdeiros (1970), O Amuleto de Ogum (1974), Perdida (1976), Soledade, a Bagaceira (1976), a Terceira Margem do Rio (1994, quando voltou a trabalhar com Nelson Pereira dos Santos) e As Tranças de Maria (2003).