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'Faz de Conta que é Paris', comédia italiana, é exercício de imaginação posto em forma de road movie

Longa de Leonardo Pieraccioni se inspira em história de três irmãos que buscam realizar sonho do pai à beira da morte. Estreia é nesta quinta, 14

14 ago 2025 - 20h11
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Faz de Conta que É Paris, que estreia nos cinemas brasileiros na próxima quinta, 14, funciona como exercício de imaginação posto em forma de filme e em nome de uma boa causa. O diretor Leonardo Pieraccioni garante que a trama é baseada em uma história real.

Serve como sinopse breve da obra: a história seria livremente inspirada nos irmãos Michele e Gianni Bugli que, em 1982, partiram com o pai doente em viagem e o fizeram crer que chegaram até Paris. Era um antigo sonho do patriarca, que não pôde ser realizado por questões de saúde. Por razões dramáticas (e também cômicas, pois se trata de uma comédia), algumas coisas foram mudadas.

Os dois irmãos da história original viraram três personagens - Bernardo (o próprio diretor, Leonardo Pieraccioni), e duas moças, Giovanna (Chiara Francini) e Ivana (Giulia Bevilacqua). A vida os havia afastado. Com o pai (Nino Frassica) à morte, voltam a se reunir. Inventam a tal viagem de família, que nunca pôde ser feita.

'Faz de Conta que é Paris' estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta, 14.
'Faz de Conta que é Paris' estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta, 14.
Foto: Leonardo Baldini/Divulgação / Estadão

Embora inspirada em caso real, a trama parece feita de propósito para atender a alguns quesitos bastante vantajosos para o cinema de grande público. O primeiro deles, talvez o mais eficaz, seja contar uma história de reaproximação de uma família dividida. Como escreveu Tolstoi em Anna Karenina, todas as famílias felizes são iguais; as famílias infelizes são infelizes cada qual à sua maneira.

Também esta é uma família pouco venturosa, que guarda um estilo próprio de infelicidade, com rusgas mais ou menos graves entre irmãos, casos não resolvidos, segredos, ciúmes mútuos, etc. Tudo agravado pela situação dramática do irmão e das duas irmãs, prestes a perder a última referência que, bem ou mal, lhes resta.

O pai tem pouco tempo de vida. Mas há que se pensar também que, ao realizar o desejo do pai, pelo menos imaginariamente, a trama dispõe-se como um road movie, um filme de estrada. Gênero que é particularmente confortável para se contar histórias.

'Faz de Conta que é Paris' une três irmãos em busca de realizar sonho do pai.
'Faz de Conta que é Paris' une três irmãos em busca de realizar sonho do pai.
Foto: Leonardo Baldini/Divulgação / Estadão

Quando os personagens saem de viagem, pode curtir a mudança da paisagem. É como estar num cenário móvel. Conhecem outras pessoas e interagem com elas. Podem, se for o caso (e no cinema sempre é), mudar também à medida que muda a paisagem e as pessoas com as quais convivem. Esse poder (hipotético) de subverter o cotidiano faz a magia da viagem, tema que sempre encantou a humanidade por diversos motivos.

Sentimo-nos paralisados pelo hábito e acreditamos que o simples fato de pôr o pé na estrada fará de nós pessoas diferentes. Melhores, mais sábias, "viajadas", como se costuma dizer. Talvez aquela pessoa que sempre sonhamos ser. Ou sempre desejamos encontrar.

O toque final é dar à história o tom de comédia. Além de ser um gênero popular, fornece uma linha de defesa contra o possível sentimentalismo envolvido num caso com este. A proposta do filme se arma então de bagagem valiosa - a emoção potencial de um caso de doença terminal; o embate entre irmãos tornados estranhos entre si, porém ligados pelos laços de sangue; a viagem em si. A comédia e, por fim, o trunfo de ser uma viagem imaginária, menos para o pai que deve acreditar que tudo é verdade.

'Faz de Conta que é Paris' é baseado em história real, segundo o diretor Leonardo Pieraccioni.
'Faz de Conta que é Paris' é baseado em história real, segundo o diretor Leonardo Pieraccioni.
Foto: Pandora Filmes/Divulgação / Estadão

Deve-se dizer que Faz de Conta que é Paris cumpre em parte aquilo que promete. Mescla amor e rivalidade no relacionamento entre irmão e irmãs. Encontra personagens de estrada interessantes ou exóticos para interagir com os protagonistas. Tenta passar ao espectador a magia da fraude com que tentam confortar o pai. Não deixa de acrescentar uma pitada LGBT+ na trama, porque hoje é obrigatória. Enfim, é aquele tipo de filme pensado, modelado e realizado para ser um sucesso.

Uma fotografia clara e lavada mostra logo de cara que as imagens nada têm a esconder. São o que são, sem zonas de sombra ou mistério. O elenco funciona bem, mas, como comédia, não me pareceu particularmente engraçada. Sim, há momentos de graça e de emoção, ambos moderados. Falta aquele ânimo mais corrosivo e libertário, o riso mesclado à melancolia que fez a fama da commedia all'italiana em filmes como Aquele que Sabe Viver (1962), de Dino Risi, ou O Incrível Exército de Brancaleone (1966) e Os Desconhecidos de Sempre (1958), de Mario Monicelli.

Estadão
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