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'Eu & Você na Toscana' tenta mostrar que ainda há espaço para a ingenuidade nos cinemas

Longa-metragem, estrelado por Halle Bailey e Regé-Jean Page, é uma comédia romântica simpática e divertida, ainda que nada original

13 jun 2026 - 12h11
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Difícil não imaginar que o tempo das comédias românticas nos cinemas passou. Afinal, as décadas de 1990 e 2000 trouxeram inúmeros filmes do gênero às telonas, lançaram astros de peso em larga escala e fizeram grande bilheteria. Depois, com a chegada do streaming, essas histórias ficaram restritas às plataformas, com poucos filmes "escapando" para os cinemas. Por isso é tão interessante ver um longa como Eu & Você na Toscana chegando às telonas, em mais uma tentativa de reviver o gênero.

O longa-metragem conta a história de Anna (Halle Bailey, a Ariel de A Pequena Sereia), uma jovem de Nova York que abandonou o sonho de ser chef por questões pessoais. Após perder o emprego de house-sitter, ela conhece o italiano Matteo e decide, impulsivamente, viajar para a Toscana para ficar em uma villa vazia, que pertence à família dele. O plano simples vira caos quando a mãe de Matteo aparece, Anna finge ser a noiva dele e, claro, surge uma química inesperada com o primo charmoso Michael (Regé-Jean Page, de Bridgerton). É o clássico "casal falso" misturado com viagem idílica, gastronomia italiana e vinhedos.

Dirigido por Kat Coiro (do ótimo Case Comigo), o longa parece um eterno eco de outras produções. Seja pela região em que se passa (difícil não pensar no clássico Sob o Sol da Toscana), seja por essa história um tanto batida de "casais falsos", como A Proposta ou tantos outros exemplares do gênero. Em qualquer outro contexto, essa falta de originalidade poderia ser um problema. Aqui, curiosamente, acaba funcionando como parte do charme.

Vinho, Itália e romance: essa é a fórmula de 'Eu & Você na Toscana'
Vinho, Itália e romance: essa é a fórmula de 'Eu & Você na Toscana'
Foto: Universal Pictures/Divulgação / Estadão

A mesmice é o charme

Eu & Você na Toscana não está interessado em reinventar a roda. Pelo contrário: abraça sem qualquer constrangimento uma fórmula que Hollywood conhece há décadas. Há encontros improváveis, mal-entendidos, declarações românticas, familiares excêntricos e uma quantidade quase obscena de pôr do sol dourado. O espectador sabe exatamente para onde a história está caminhando pouco após o início. E o filme também sabe disso.

Essa previsibilidade, porém, raramente pesa. Muito disso acontece pela química entre Bailey e Page. Ela interpreta Anna com uma mistura de vulnerabilidade e entusiasmo que impede a personagem de virar apenas mais uma protagonista atrapalhada das comédias românticas. Já Page faz exatamente aquilo que se espera dele desde os tempos de Bridgerton: distribui charme, sorrisos calculados e uma elegância quase caricata. Não há grandes surpresas nos personagens, mas há carisma suficiente para sustentar a jornada.

Halle Bailey e Regé-Jean Page no longa-metragem 'Eu & Você na Toscana'
Halle Bailey e Regé-Jean Page no longa-metragem 'Eu & Você na Toscana'
Foto: Giulia Parmigiani/Universal Pictures/Divulgação / Estadão

Kat Coiro também demonstra compreender que, em uma produção assim, o cenário é tão importante quanto os protagonistas. A Toscana surge como um terceiro personagem -- ainda que não tão bem filmada como no longa com Diane Lane, por exemplo. Vinhedos intermináveis, cidades de pedra, praças ensolaradas e mesas fartas transformam o filme em uma espécie de catálogo turístico de luxo. É impossível não sair da sessão com vontade de comprar uma passagem para a Itália ou, no mínimo, procurar um restaurante italiano a caminho de casa.

É tudo óbvio? Claro. Mas, de alguma forma, dá um quentinho divertido no coração.

Conforto até demais

Isso não significa que o filme escape de problemas. Em alguns momentos, a narrativa parece excessivamente confortável dentro de sua própria fórmula. Certos conflitos surgem apenas para cumprir tabela e desaparecem com a mesma rapidez. Há cenas que existem só para levar os personagens ao próximo cartão-postal. Falta mais personalidade para que o longa encontre uma identidade própria em meio às inúmeras referências que carrega, escapando dessa falta de originalidade e encontrando, enfim, alguma boa ideia própria.

Fica a sensação de que falta ousadia em alguns momentos, além de medo em arriscar nesse gênero tão machucado nos últimos anos. Aos poucos, ele se torna menos interessante e mais "divertidinho", comportado demais.

Ainda assim, existe algo de simpático na maneira como Eu & Você na Toscana resgata uma ingenuidade que parecia ter desaparecido dos cinemas. Em uma era dominada por franquias, universos compartilhados e histórias que precisam constantemente prometer algo maior e com mais impacto, o filme se contenta em contar uma história contida e gentil. Quer apenas fazer o público sorrir, suspirar e passar duas horas em boa companhia. Talvez seja pouco. Mas, para uma comédia romântica, talvez seja exatamente o suficiente.

Estadão
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