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Em 'Destruição Final 2', Gerard Butler precisa salvar a família (de novo) do apocalipse

Com título que provoca riso involuntário, longa-metragem é um apêndice desnecessário a um filme que acertou quase sem querer

7 fev 2026 - 13h27
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Impossível não perceber a ironia fina que existe no título brasileiro Destruição Final 2. Assim como O Último Exorcismo: Parte II, por exemplo, esta sequência do longa-metragem com Gerard Butler e Morena Baccarin já soa, no título, um apêndice desnecessário. Um segundo final, uma continuação de algo que já era pra ter acabado antes. Pior: essa sensação ultrapassa o título brasileiro e afeta o filme, que não tem nada a contar.

Afinal, relembre: no primeiro longa-metragem, lançado no ápice da pandemia, os personagens de Butler e Baccarin precisam salvar a família e o filho (Roman Griffin Davis, de Jojo Rabbit) do apocalipse iminente. A saída é conseguir um voo oficial para a Groenlândia, lugar que abriga um bunker preparado para o "fim do mundo".

Novamente dirigido por Ric Roman Waugh (Invasão ao Serviço Secreto, Sem Perdão), Destruição Final 2 começa com a vida dessa família dentro do abrigo na Groenlândia - outra ironia nesta história, dada a situação entre Estados Unidos e o território da Dinamarca. O problema é que o clima do lado de fora não melhora e as coisas dentro do bunker começam a ficar instáveis. Talvez eles precisem de outro lugar para ficar.

Não basta um apocalipse: Gerard Butler precisa salvar a família do segundo fim de mundo em 'Destruição Final 2'
Não basta um apocalipse: Gerard Butler precisa salvar a família do segundo fim de mundo em 'Destruição Final 2'
Foto: Diamond Films/Divulgação / Estadão

A partir disso, Roman Waugh não consegue imprimir o ritmo frenético visto no primeiro longa. Mesmo com pouco mais de 90 minutos, Destruição Final 2 repete chavões e ideias já vistos em filmes apocalípticos aos montes por aí - indo desde O Dia Depois de Amanhã, passando por A Estrada, até chegar a Impacto Profundo. A catástrofe e a carga emocional da história são ecos de filmes que já passaram nas telonas nos últimos anos.

Sem novidades

Não que o primeiro Destruição Final fosse muito diferente. É, afinal, um filme de catástrofe envolvendo um meteoro e uma família tentando sobreviver. Mas o clima no mundo real naquela época, passando por uma pandemia, ajudou a dar uma dimensão e um peso diferentes ao trabalho de Ric Roman Waugh. A finitude da vida do lado de cá conversou com a finitude da vida do lado de lá. Isso funcionou e jogou o longa pra cima, inesperadamente. Agora, o cineasta precisava de algum elemento a mais, mas não achou.

Destruição Final 2 é entrecortado, até mesmo um tanto esquisito, sem conseguir dar força e dimensão ao caos de fim de mundo. Há até um excesso de silêncios e pausas, com a família parando para fazer um piquenique pouco depois de uma chuva de asteroides e com pessoas matando quem elas encontram pela rua - sim, isso acontece.

A falta de ritmo e de sensação de urgência, algo tão importante na história de 2021, assim como o esgotamento dos filmes de apocalipse, prejudica o longa como um todo. Só surge a sensação de cansaço.

Reflexões sobre o novo espaço após a chuva de meteoros, reorganização social; novas interpretações do espaço social: todas essas possibilidades, em uma sequência de filmes-catástrofe, são desperdiçadas.

'Destruição Final 2' aproveita mal o espaço social após o primeiro fim do mundo
'Destruição Final 2' aproveita mal o espaço social após o primeiro fim do mundo
Foto: Diamond Films/Divulgação / Estadão

Butler faz seu tipo de sempre, parecendo uma repetição de todos os filmes de ação do astro. Pode até bater uma falta de empolgação, mas ao mesmo tempo dá certo conforto vê-lo nesse papel de quem quer impedir um meteoro com um soco. Parece que nunca é demais. Morena Baccarin está em seu melhor papel depois de Deadpool, enquanto isso: não é grande coisa, mas ajuda a aumentar um pouco o clima de urgência e caos na trama.

Destruição Final 2, assim, é apenas um eco de tudo que já foi contado no cinema de catástrofe. Repetitivo, vazio, sem urgência. O longa-metragem ganha alguns pontos pela boa presença do elenco e uma ou duas cenas interessantes. De resto, as intenções batem no título: um apêndice desnecessário em um filme que teve a sorte de acertar uma vez.

Estadão
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