Dono de cinema pornô, aposentadoria após 10º filme e treta com Oliver Stone: 6 fatos sobre Tarantino
Leia curiosidades sobre o cineasta Quentin Tarantino, que relança 'Kill Bill' em versão única nos cinemas
Em Kill Bill: The Whole Bloody Affair, o cineasta Quentin Tarantino realizou um dos seus maiores desejos enquanto criador — reunir a saga da vingança de Beatrix Kiddo (Uma Thurman) em um único volume. O longa, que conta com mais de 4h30 de duração, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 5.
Kill Bill — Volume 1 e Kill Bill — Volume 2 foram lançados, respectivamente, em 2003 e 2004, mas Tarantino sempre deixou claro que visualizava a obra como um único filme. O diretor acabou acatando as ordens do estúdio e dividiu a história em duas partes, mas, 20 anos depois, ele lança a história da Noiva como a idealizou.
Na trama, Beatrix é dada como morta após seu ex-chefe e amante, Bill (David Carradine), atacá-la durante o seu casamento. Buscando vingança, ela vai atrás de todos os membros de sua antiga organização criminosa. Na nova versão, há mudanças pontuais em algumas cenas e a introdução de uma nova sequência animada que revela informações inéditas sobre o passado de uma das personagens do longa.
Aos 62 anos, Tarantino é um dos cineastas mais influentes de Hollywood. Com nove filmes em sua filmografia, o diretor é conhecido por sua violência, seus diálogos rápidos e intrigantes e suas homenagens ao cinema clássico. O Estadão separou 6 curiosidades sobre o criador de longas como Pulp Fiction, Kill Bill e Era uma Vez em... Hollywood. Confira:
Tarantino é dono de um cinema que costumava exibir filmes pornográficos
O diretor Quentin Tarantino é conhecido por sua paixão pelo cinema e a sua história. Além de homenagear uma série de filmes antigos em sua obra, o cineasta também é responsável pela preservação e divulgação de clássicos da sétima arte. É o caso do New Beverly Cinema, cinema histórico de Los Angeles comprado por Tarantino em 2007.
Com uma programação voltada para a exibição de filmes clássicos de Hollywood, as salas de cinemas do local contam com uma curadoria especializada do diretor norte-americano. A programação do mês de fevereiro de 2026, no entanto, ganhou as manchetes ao redor do mundo por sua temática pouco usual.
Ao longo do mês, o New Beverly Cinema exibiu clássicos do cinema erótico e pornográfico. Entre as obras que serão exibidas estão longas como Emanuelle, de Just Jaeckin, Garganta Profunda, de Gerard Damiano e Calígula, de Tino Brass.
A temática adulta dos filmes, entretanto, não é uma novidade para o local. Entre 1970 e 1977, o New Beverly Cinema era conhecido como Eros, um cinema dedicado a filmes pornográficos. O estabelecimento, porém, acabou fechando, dando lugar ao Beverly Cinema.
Tarantino planeja encerrar a carreira após o décimo filme
Ao longo de sua trajetória profissional, Quentin Tarantino repetiu um único mantra: ele se aposentaria da cadeira de diretor após lançar o seu décimo filme. Em diversas entrevistas ao longo dos anos, o cineasta explicou sua motivação e afirmou que não gostaria de ter o seu legado arruinado por filmes feitos após o seu auge criativo. Para evitar que isso ocorra, ele prefere limitar a quantidade de longas que dirigirá ao longo de sua vida. Atualmente, Tarantino conta nove filmes em sua carreira.
"A maioria dos diretores tem péssimos últimos filmes", afirmou Tarantino no Pure Cinema Podcast, em junho de 2021. "Encerrar a carreira com um filme decente é raro. Encerrar com um bom filme, então, é algo fenomenal", explicou. A fixação de Tarantino com o número dez parece ser arbitrária, mas ele leva sua regra bem a sério. Em 2024, por exemplo, ele engavetou a produção do filme The Movie Critic por não se sentir confiante que ele seria um bom último filme.
A conta de Tarantino, no entanto, é um pouco problemática. Muitas pessoas consideram que ele já alcançou os dez filmes prometidos. O diretor, no entanto, nega e usa uma brecha curiosa para o seu argumento: ele conta a duologia de Kill Bill, lançado como Vol. 1 e Vol. 2 separadamente, como um único longa.
Tarantino quase dirigiu um filme de 'Star Trek'
Em 2017, Tarantino quase dirigiu um filme no universo de Star Trek. Apesar do projeto ter sido anunciado ao público, a produção do longa acabou nunca acontecendo. Sabe-se que a trama do filme se passaria em um planeta distante inspirado na cultura gângster norte-americana dos anos 1920. O roteirista Mark L. Smith, que ajudaria Tarantino na criação da história, já falou sobre o projeto.
"Lembro que estávamos conversando e ele [Tarantino] disse: 'Se eu aceitar a ideia de que Star Trek pode ser meu último filme, a última coisa que eu faço. É assim que quero terminar minha carreira?'", afirmou o roteirista em entrevista ao site Collider em 2023. "Ele começou a se preocupar com o número de filmes dele", comentou. "Acho que foi o problema que ele nunca conseguiu resolver".
Tarantino usou tantas músicas de Ennio Morricone que o compositor criou uma trilha original para um de seus filmes
Quentin Tarantino sempre admirou o compositor italiano Ennio Morricone, músico responsável pela trilha sonora dos maiores clássicos do gênero western. Ao decorrer de sua carreira, o cineasta norte-americano reutilizou diversas canções de Morricone em sua obra, dando um novo significado as faixas compostas pelo compositor.
Em mais de uma ocasião, no entanto, o músico se recusou a participar das produções de Tarantino, negando convites para compor canções para Pulp Fiction e Bastardos Inglórios. Em 2012, Morricone aceitou escrever uma canção para Django Livre, mas afirmou se arrepender da decisão após o lançamento do filme. Ele chegou a afirmar que Tarantino usava suas músicas "fora de contexto" e que jamais trabalharia com ele novamente. Após a repercussão das falas, entretanto, o compositor afirmou que foi mal-interpretado e disse que tinha um enorme respeito por Tarantino.
Três anos mais tarde, Tarantino finalmente conseguiu o que queria. Morricone compôs a trilha sonora de Os Oito Odiados, marcando a primeira e única vez que o diretor utilizou uma trilha sonora completamente original em um de seus filmes. A composição do italiano lhe rendeu o Oscar de Melhor Trilha Sonora, sua primeira e única estatueta competitiva da Academia — Morricone havia recebido um Oscar Honorário em 2006.
Tarantino se arrependeu de vender o roteiro de 'Assassinos por Natureza' para Oliver Stone
Quando Tarantino não gosta de algo ou alguém, ele não mede palavras para demonstrar o seu descontentamento. Nada, no entanto, se compara ao ódio que o cineasta sente pelo também diretor Oliver Stone. Ainda no começo de sua carreira, Tarantino vendeu o roteiro de Assassinos por Natureza e viu Stone dirigir o longa em seu lugar.
O filme não foi um sucesso de público ou de crítica, mas a raiva de Tarantino pouco tem relação com esses fatos. O que realmente incomodou o cineasta foi o fato de que Stone, ao lado do roteirista David Veloz e do produtor Richard Rutowski, reescrevam diversas partes do roteiro. Para Tarantino, essa foi a maior das traições possíveis. "Eu odiei aquela m**** de filme", afirmou em uma famosa entrevista durante o Festival de Cinema de Busan, na Coreia do Sul, em 2013. "Se você gosta da minha obra, não assista aquela longa".
Durante as filmagens de 'Os Oito Odiados', um violão histórico de 145 anos foi destruído por engano
Ao longo de décadas, o museu da C.F. Martin & Company — uma das marcas de violão mais tradicionais do mundo — emprestou seus instrumentos de época para diferentes produções cinematográficas. Tudo mudou, no entanto, durante a gravação de Os Oito Odiados em 2015. Durante uma cena protagonizada por Kurt Russell e Jennifer Jason Leigh, um modelo original de 145 anos foi destruído por engano.
Na cena, o personagem de Russell destrói um violão para assustar a personagem de Jennifer. A produção do filme de Tarantino não trocou o modelo original, datado do século 19, por uma das seis réplicas presentes no set. Sem saber disso, Russell bateu a guitarra contra a mesa e destruiu o objeto. A reação horrorizada de Jennifer, que sabia se tratar da guitarra original, foi mantida no filme. Após o incidente, a C.F. Martin & Company parou de emprestar seus instrumentos antigos para gravações.