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Brasil faz história no Globo de Ouro, e 'O Agente Secreto' ganha força para o Oscar

Caminhada do longa de Kleber Mendonça Filho ao maior prêmio do cinema norte-americano ganhou impulso importante com vitória dupla

12 jan 2026 - 17h50
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O Brasil voltou a fazer história no Globo de Ouro 2026, com vitórias importantes para O Agente Secreto e para seu protagonista Wagner Moura neste domingo, 11. Ambos saíram fortalecidos e ganharam um impulso significativo na campanha para o Oscar, que acontece em março.

Vencedor em Melhor Filme em Língua Não-Inglesa, o longa de Kleber Mendonça Filho repetiu a vitória do Critics Choice Awards - agora de forma devidamente televisionada - e tornou-se o segundo filme brasileiro a levar a estatueta para casa, 27 anos após Central do Brasil (Orfeu Negro chegou a ganhar, em 1960, mas concorreu pela França).

O Agente Secreto derrotou os concorrentes de peso Valor Sentimental e Foi Apenas um Acidente, frustrando muitos analistas que apostavam nas vitórias de um dos dois. Assim como o brasileiro, os longas de Joachim Trier e Jafar Panahi estavam indicados em Melhor Filme de Drama (vencida por Hamnet), mas concorriam em outras categorias muito disputadas, Melhor Direção e Melhor Roteiro. Era um indicador do favoritismo de ambos, que não se confirmou na entrega dos prêmios.

A vaga de O Agente Secreto entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional já era, há meses, considerada garantida, assim como a de seus dois principais concorrentes da temporada; o triunfo no Globo de Ouro, no entanto, precedido pelo bom desempenho em outras premiações da crítica especializada, coloca o longa na dianteira em uma briga acirrada pelo troféu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas - e o fortalece para brigar, também, por um lugar na disputa de Melhor Filme, tal como aconteceu com Ainda Estou Aqui no ano passado.

Isso é especialmente importante no momento em que a campanha dos rivais parece ter perdido um pouco de fôlego, com uma única vitória nos prêmios televisionados até agora: o Globo de Ouro de Ator Coadjuvante para Stellan Skarsgard, de Valor Sentimental.

É obrigatório notar que o corpo votante do Globo de Ouro, composto por cerca de 400 jornalistas especializados, não é o mesmo do Oscar, que reúne aproximadamente dez mil membros da indústria cinematográfica, de várias categorias profissionais. A premiação, no entanto, é a mais conhecida do grande público depois do Oscar, e fornece uma janela de divulgação importante a O Agente Secreto, com potencial de levar mais pessoas (e votantes, claro) a se interessarem pelo filme e a assisti-lo. O timing é especialmente positivo: as votações da Academia para definir os indicados começam nesta segunda, 12, e vão até sexta, 16.

E Wagner?

Isso nos leva ao caso específico de Wagner Moura, que fez história não só ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer como Melhor Ator em Filme de Drama, como também o primeiro ator a levar o prêmio por um filme não falado em inglês. Ele recebeu o prêmio com um discurso curto, mas poderoso, em que falou sobre a importância de transmitir valores às novas gerações e agradeceu aos brasileiros em português.

Ele também se beneficia bastante da visibilidade conferida pela premiação, e as estatísticas estão a seu favor. Na história do Globo de Ouro, só quatro atores levaram o troféu de Drama e não foram indicados ao Oscar de Melhor Ator: Spencer Tracy por Papai Não Quer (1953), Anthony Franciosa por Calvário da Glória (1959), Omar Sharif por Doutor Jivago (1965) e Jim Carrey, por O Show de Truman (1998).

Ainda há muita água a rolar, mas a vaga de Wagner no Oscar não é um sonho tão distante quanto alguns fizeram parecer após o ator ficar de fora do Actor Awards (o antigo SAG, prêmio do Sindicato dos Atores americanos) e dos pré-indicados ao Bafta, principal premiação britânica. Os dois prêmios são conhecidos por privilegiar talentos locais e de filmes falados em inglês, então a ausência do brasileiro não foi exatamente uma surpresa (com o agravante de que O Agente Secreto ainda não estreou no Reino Unido, o que só acontecerá ao final de fevereiro).

No ano passado, o mesmo aconteceu com Fernanda Torres, que ficou de fora do SAG e do Bafta, mas chegou ao Oscar impulsionada por sua surpreendente vitória no Globo de Ouro. E Wagner tem algumas vantagens: além de já ser um nome conhecido de Hollywood, por produções como Narcos e Guerra Civil, ele levou o prêmio de Melhor Ator em Cannes e vem aparecendo constantemente nas premiações da crítica norte-americana.

Também ajuda que, na mídia, sua campanha tenha começado mais cedo que a da colega. No último mês, ele já foi destaque em veículos como o New York Times, o Washington Post e a W Magazine, e esteve no talk show noturno de Seth Meyers - tudo parte de um roteiro importante a quem busca o prêmio da Academia, e que deve ser intensificado nas próximas semanas.

A briga por uma vaga no Oscar, claro, promete ser concorrida. Timothée Chalamet, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia ou Musical, por Marty Supreme, e Leonardo Di Caprio (Uma Batalha Após a Outra) estão praticamente garantidos, assim como Michael B. Jordan (Pecadores). Wagner busca uma das duas vagas restantes, ao lado de Ethan Hawke (Blue Moon), Joel Edgerton (Sonhos de Trem) e Jesse Plemons (Bugonia). Mas não é aconselhável apostar contra o brasileiro, agora em uma posição bem mais consolidada que os concorrentes.

As indicações ao Oscar serão reveladas no próximo dia 22. Até lá, ficamos na torcida.

Estadão
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