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Kleber Mendonça Filho rebate Wim Wenders sobre o papel do cinema

O diretor brasileiro de O Agente Secreto expressou surpresa com a fala do cineasta alemão, que defendeu que o cinema deve se manter "fora da política"

26 fev 2026 - 16h03
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O Festival de Berlim de 2026 trouxe um debate ideológico entre dois diretores contemporâneos. De um lado, o veterano alemão Wim Wenders, presidente do júri desta edição; de outro, o pernambucano Kleber Mendonça Filho, que cumpre agenda na capital alemã em meio à campanha para o Oscar de seu novo longa, O Agente Secreto.

Kleber Mendonça Filho rebate Wim Wenders sobre o papel do cinema
Kleber Mendonça Filho rebate Wim Wenders sobre o papel do cinema
Foto: Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images / Rolling Stone Brasil

A polêmica começou durante a coletiva de abertura do festival, quando Wenders foi questionado sobre o posicionamento da Berlinale em relação ao conflito em Gaza. O diretor de Dias Perfeitos e Paris, Texas afirmou que o cinema "é o oposto da política" e que os cineastas deveriam evitar o campo político para focar no "trabalho das pessoas" e na empatia.

A surpresa de Kleber Mendonça Filho

Ao tomar conhecimento das declarações, Kleber Mendonça Filho não escondeu o estranhamento. Em um evento na Embaixada do Brasil e, depois, em Londres, o diretor rebateu a visão do colega alemão, a quem afirmou admirar profundamente.

"Fiquei um pouco surpreso com as imagens do Sr. Wenders. A política faz parte das nossas vidas... Se você fala de sociedade, você fala de política", afirmou Kleber.

O brasileiro usou uma metáfora linguística para ilustrar seu ponto de vista: "Eu nunca iria a um festival e diria 'não vou falar de política', assim como não diria 'não vou falar usando consoantes'. Consoantes fazem parte do discurso, da construção das palavras". Kleber ainda apontou uma contradição na própria obra de Wenders, lembrando que o clássico Asas do Desejo (1987) é um filme profundamente moldado pela divisão política de Berlim na época.

Memória e conflito

A discordância ocorre em um contexto de forte ativismo. Kleber Mendonça Filho, que assinou uma carta aberta condenando as ações em Gaza, também relembrou o cenário político brasileiro. Durante seus discursos, ele celebrou o fato de a Embaixada Brasileira voltar a festejar o cinema, algo que, segundo ele, era impossível durante o governo de Jair Bolsonaro. O diretor chegou a ser aplaudido ao mencionar a prisão do ex-presidente ocorrida em 2025.

Wim Wenders não é o único alvo de críticas. Outros cineastas brasileiros, como Karim Aïnouz (que concorre ao Urso de Ouro com Rosebush Pruning), Fernando Meirelles e Eliza Capai, também manifestaram descontentamento com a postura "neutra" defendida pelo festival.

Uma carta assinada por 80 profissionais do setor exige que a Berlinale tome uma posição pública sobre Gaza, assim como fez anteriormente em relação aos conflitos na Ucrânia e no Irã.

FONTE: FAROUT, THEGUARDIAN

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