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Bomba da 2ª Guerra, Londres evacuada e assalto: 'Golpe Explosivo' tenta surpreender a qualquer custo

Novo filme de David Mackenzie sacrifica a tensão em nome de uma virada anunciada, mas a notícia boa é que ele está longe dos thrillers genéricos produzidos em série por plataformas de streaming

29 mai 2026 - 18h13
(atualizado às 18h15)
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O thriller de tensão tem uma fórmula clara e bem-sucedida: coloque personagens competentes em situações impossíveis e deixe o relógio correr. É o que fizeram Velocidade Máxima, Fogo Contra Fogo e, em certa medida, toda a tradição dos filmes de assalto britânicos desde Roubo ao Banco da Inglaterra. Agora, Golpe Explosivo, dirigido por David Mackenzie, o mesmo de A Qualquer Custo, entende essa gramática e começa como se fosse dominá-la para, depois, tropeçar nas próprias ambições.

O filme começa sem pestanejar: uma bomba não detonada da Segunda Guerra é descoberta em pleno centro de Londres. Enquanto o esquadrão antibomba do exército britânico, liderado por Aaron Taylor-Johnson (Extermínio: A Evolução), evacua a região e tenta desarmar o dispositivo contra o tempo, um bando de assaltantes aproveita o caos para invadir o cofre de um banco próximo.

A ação começa sem histórico, sem apresentar os personagens. O público os conhece depois, já no meio do caos.

O primeiro ato funciona com precisão cirúrgica. Mackenzie sabe conduzir tensão e há uma crueza nos procedimentos do esquadrão, uma sensação de peso real nas decisões tomadas em segundos. O elenco, que inclui Theo James (O Macaco), Sam Worthington (Avatar) e Gugu Mbatha-Raw (Loki), veste bem seus papéis sem precisar recorrer a exageros. Por um momento, parece que o filme vai conseguir o que poucos thrillers de gênero conseguem: ser ao mesmo tempo inteligente e visceral; verdadeiro e desesperador.

O problema é que Golpe Explosivo não confia nas próprias possibilidades. Conforme a narrativa avança, a confiança na tensão orgânica vai cedendo espaço para uma série de reviravoltas que, em vez de surpreender, cansam. O grande twist — e há um, anunciado com neon desde os primeiros minutos para quem já viu alguns filmes na vida — chega sem o impacto prometido. É a armadilha clássica de roteiros que constroem tudo em função de um momento que deveria ser a cereja, mas acaba sendo apenas o fim do sorvete.

É como se todos os bons momentos fossem rifados por um único, e óbvio, plot twist.

Ainda assim, acertos

Há, porém, méritos que não devem ser ignorados. Mackenzie tem disciplina visual e o filme raramente parece inflado ou ansioso demais. Tem ritmo aqui, assim como as ambientações criam um contraste geográfico que funciona como metáfora dramática. Em seus melhores momentos, Golpe Explosivo lembra que o cinema de gênero bem executado não precisa de superpoderes nem de universos compartilhados para entreter.

O filme tampouco é um desastre. Está longe dos thrillers genéricos produzidos em série por plataformas de streaming, que confundem velocidade com urgência. Há artesanato, há intenção. Mas o roteiro cobra um preço caro demais pela aposta no final: sacrifica a credibilidade emocional acumulada em nome de um golpe narrativo que não sai como planejado — ironia involuntária, talvez, para um filme cujo título promete exatamente isso.

Golpe Explosivo é, no fim, um thriller correto que queria ser extraordinário. Tem a bomba, tem o elenco, tem o diretor certo. Faltou confiar que a premissa, por si só, já seria explosiva o suficiente.

Estadão
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