Filme perdido com Joan Crawford é relançado pela Warner após 90 anos
"Redimida" foi retirado de circulação em 1936, devido a uma batalha de direitos autorais e leis de censura do cinema estadunidense
Em 2026, diversas obras do cinema estadunidense chegam ao domínio público. Entre elas, o drama criminal Redimida (1932), dirigido por Clarence Brown e estrelado por Joan Crawford (O Que Terá Acontecido a Baby Jane?) e Robert Montgomery (A Dama do Lago).
Apesar de ser uma obra de ficção, a trama é baseada no escândalo e julgamento real da socialite Madeleine Smith, que teria envenenado seu amante. O caso inspirou um romance escrito por Marie Belloc Lowndes, e, mais tarde, originou o filme (via Terra).
Mas o longa enfrentou uma longa batalha jurídica de direitos autorais. Antes de seu lançamento, já existia uma peça de teatro baseada no livro de Lowndes, intitulada Dishonored Lady, que exigia 30 mil dólares pelos direitos da história. Além disso, o Código Hays, código de censura que controlava o que podia aparecer nos cinemas dos EUA entre 1930 e 1960, classificou Dishonored Lady como "impróprio para adaptação", devido à abordagem de temas como traição, sexo e assassinato.
Para contornar essa situação, o filme comprou os direitos do livro, que eram mais baratos. Quatro anos após o lançamento do filme, porém, os autores da peça de teatro processaram os estúdios alegando plágio. Isso fez com que Redimida fosse retirado de circulação em 1936 e ficasse perdido por 90 anos.
Recentemente, a peça de teatro que originou o caso foi à domínio público. Consequentemente, o filme teve sua situação regularizado e foi relançado.
O canal de televisão Turner Classic Movies (TCM), da Warner, anunciou que Redimida estaria na line-up de seu festival de clássicos, ocorrido no início de maio. Cópias físicas do filme começaram a ser vendidas em junho. A Warner detém os direitos dos filmes dos estúdios MGM lançados antes de 1986.
Por que Redimida foi relançado em 2026?
O clássico foi relançado em 2026 pois este foi o ano em que diversas obras de 1930, como a peça Dishonored Lady, chegaram ao domínio público. Segundo as leis dos Estados Unidos, obras permanecem sob direito privado por até 95 anos desde sua publicação. Depois desse período, os copyrights expiram e a obra perde exclusividade.
A lei é bem diferente do Brasil; aqui, uma obra só perde direito de copyright depois de setenta anos da morte de seu autor.
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