Festival MixBrasil 2026 reúne 138 filmes em programação dedicada à diversidade LGBTQIA+
Evento acontece de 11 a 22 de novembro, em São Paulo, com estreias nacionais, mostras competitivas, teatro, literatura, games, realidade virtual e atividades sobre inteligência artificial
A 34ª edição do Festival MixBrasil acontece de 11 a 22 de novembro em São Paulo e online, reunindo 138 filmes e duas séries de 30 países com foco na diversidade LGBTQIA+. Com o tema "Todos os Futuros Possíveis", o evento homenageia João Silvério Trevisan e abre com a pré-estreia do longa de Daniel Ribeiro. A programação multidisciplinar ocupa 14 espaços da capital e inclui mostras competitivas com obras premiadas em Cannes e Berlim, teatro, inteligência artificial, games e literatura.
A 34ª edição do Festival MixBrasil, um dos maiores eventos culturais LGBTQIA+ da América Latina, acontece de 11 a 22 de novembro, em São Paulo, com uma programação que reúne 138 filmes e duas séries de 30 países e 12 estados brasileiros. Com o tema Todos os Futuros Possíveis, o evento ocupa 14 espaços culturais da capital paulista e três plataformas digitais, com atividades que incluem cinema, teatro, literatura, games, performances e debates.
Sob direção geral de André Fischer e direção de programação de cinema de Marcio Miranda Perez, o festival apresenta uma seleção que recebeu quase mil inscrições, sendo 690 produções brasileiras. Entre os destaques estão estreias nacionais e mundiais, títulos premiados em festivais internacionais e uma homenagem ao escritor, cineasta, dramaturgo e ativista João Silvério Trevisan.
A abertura acontece em 11 de novembro, para convidados, com a entrega do Prêmio Ícone Mix a Trevisan e a première nacional de Eu Vou Ter Saudades de Você, novo longa de Daniel Ribeiro, com elenco 100% trans. A produção acompanha Amanda e Caio, casal que está junto há sete anos e decide morar na mesma casa. A convivência, porém, coloca em evidência as diferenças entre os dois: enquanto Caio busca estabilidade profissional, Amanda está concentrada no início de sua carreira jurídica.
A homenagem a Trevisan reconhece sua contribuição à cultura brasileira e à história do movimento LGBTQIA+. Sua relação com o MixBrasil ultrapassa três décadas: em 1995, o festival exibiu publicamente pela primeira vez Orgia ou o Homem que Deu Cria (1970), filme censurado durante a ditadura militar e considerado um marco do cinema queer brasileiro. A edição deste ano também apresenta O Onanista, releitura de um conto do escritor realizada com inteligência artificial generativa e imagens gravadas.
Destaques do cinema nacional e internacional
No Panorama Internacional, o festival reúne produções que passaram por eventos como Cannes, Berlim, Sundance, Tribeca, San Sebastián, Locarno e Veneza. Entre os principais destaques estão o espanhol A Bola Preta, de Javier Calvo e Javier Ambrossi, apontado como um dos favoritos ao Oscar de Melhor Filme Internacional de 2027; Barbara Forever, de Brydie O'Connor, vencedor do Prêmio Teddy de Melhor Documentário no Festival de Berlim; e Covarde, do belga Lukas Dhont, cujos protagonistas receberam o prêmio de Melhor Ator em Cannes.
A seleção internacional também inclui o australiano Leviticus: Ritual de Sangue, de Adrian Chiarella, eleito melhor filme de estreia no Frameline, em São Francisco; a animação francesa Jim Queen, que terá sua versão dublada em português exibida no evento, com vozes de Leonardo Miggiorin e Johnny Hooker; o americano Algo Que Você Deveria Saber Sobre Mim, de Andy Fidoten, com produção executiva de Lilly Wachowski; e o francês Parada Noturna, de Pierre Le Gall, vencedor do prêmio Queer Palm Revelação em Cannes.
Na Mostra Competitiva Brasil de Longas, dez produções disputam os prêmios da edição. Entre elas estão A Margem do Rio, de Enock de Carvalho e Matheus Farias, vencedor do Prêmio Especial do Júri em Locarno; A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr., selecionado para San Sebastián; London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, vencedor do Queer Lion no Festival de Veneza; e Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco, premiado por direção, montagem e atuações no Festival de Brasília.
Completam a competição As Aparências Enganam, de Sabrina Greve e Luciano Patrick; Não Estamos Sonhando, de Ulisses Arthur; Olhe para Mim, de Rafhael Barbosa; Privadas de Suas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner; Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira; e Eu Vou Ter Saudades de Você.
A Mostra Competitiva Brasil de Curtas reúne 16 produções, com histórias que abordam diferentes experiências LGBTQIA+, incluindo envelhecimento, afeto, desejo e liberdade. Entre os destaques estão Morfeu & Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr.; Santo, de Maria Luísa Alves; e Mulher Papaya, de Camila Tarifa. A seleção também apresenta as estreias mundiais de Sandra Roque, de Mayara Santana, com Bruna Linzmeyer no elenco, e Romântica, de Leonardo Amorim.
Outras mostras ampliam o panorama da produção audiovisual. A Reframe reúne oito obras experimentais que concorrem ao Coelho de Prata de Melhor Contribuição Artística, enquanto o Queer.Doc transforma pela primeira vez sua seleção de documentários em uma mostra competitiva. Entre os títulos estão Darcy Faz 100 Anos, de Lufe Steffen, e Erōtikós, ambos com estreia mundial no festival, além de Afrontosa, de Coraci Ruiz e Julio Matos, Ney Por Trás das Máscaras, de Esmir Filho, e Rita Moreira: Crônicas, Memórias e Videotape, de Sérgio Santos Barroso.
O Mundo Mix, dedicado à produção queer de diferentes países, terá a Alemanha como foco em 2026, em referência aos 75 anos das relações entre Brasil e Alemanha e do Goethe-Institut. A programação inclui uma retrospectiva com sete filmes do cineasta Rosa von Praunheim, pioneiro do cinema queer.
Inteligência artificial, teatro e games
A programação também abre espaço para produções que exploram as possibilidades da inteligência artificial no audiovisual. A sessão Queer.IA apresenta três propostas: a competição Corpos e Códigos, com dez curtas realizados com IA generativa; O Onanista, que revisita a obra de João Silvério Trevisan; e Enquanto Dure, instalação generativa que apresenta imagens da comunidade queer local que envelhecem e desaparecem, exigindo a presença constante do público.
Em sua 11ª edição, o MixLab Spcine promove cinco dias de atividades gratuitas voltadas à formação e ao mercado audiovisual. A programação inclui o +MALA, novo mercado audiovisual latino-americano LGBTQIA+, e o Fucking Different: Generations, dedicado aos diálogos entre diferentes gerações da comunidade. Também estão previstos encontros sobre novelinhas verticais, inteligência artificial e efeitos visuais na narrativa cinematográfica.
Já o Mix.XR apresenta seis experiências de realidade virtual de países como Irlanda, Portugal, Taiwan, Alemanha e França. Entre elas estão No Vapor, ambientada em uma sauna gay surreal, e Gonzo Lolita, experiência não narrativa que convida o público a percorrer imagens de um templo da pornografia.
No teatro, a seção Dramatica, presente no festival desde 1999, reúne oito projetos entre adaptações literárias, resultados da Ocupação IBT e produções convidadas. A programação inclui espetáculos como O Onanista - Ensaio Aberto Degenerativo, Da Próxima Vez, o Fogo, Cloro e Tango Queer com Mariana Docampo: Memória, Manifesto.
Outro destaque tradicional é o Show do Gongo, que neste ano será apresentado por Suzy Brasil, substituindo Marisa Orth, que está em turnê por Portugal. Sob o comando do júri capitaneado por Silvetty Montilla, cineastas profissionais e amadores apresentam produções de até cinco minutos, submetidas à avaliação do público e ao temido gongo. A atividade acontece em 17 de novembro, na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo.
A programação ainda inclui o Mix Games, com o workshop Queering the Game - Imersão Mix Games, que investiga como os videogames reproduzem normas de gênero, estruturas narrativas e relações de poder. No Mix Literário, estão previstos a apresentação do projeto de documentário Além do Carnaval, baseado na obra de James N. Green, e a entrega dos prêmios Mix Literário e Caio Fernando Abreu, com mesas e debates programados para 15 e 16 de dezembro.
Onde assistir ao Festival MixBrasil 2026?
As sessões e atividades presenciais acontecem no CineSesc, Centro Cultural São Paulo, Instituto Moreira Salles (IMS Paulista), Museu da Imagem e do Som (MIS), Espaço Petrobras de Cinema, Cine Satyros Bijou, Cine na Praça, Instituto Cervantes, Museu da Diversidade Sexual, Biblioteca Mário de Andrade, Complexo Cultural Oswald de Andrade, Galeria Vermelho e Instituto Brasileiro de Teatro.
Parte da programação também poderá ser acompanhada online, em todo o Brasil, pelas plataformas Sesc Digital, Spcine Play e Itaú Cultural Play. Toda a programação do 34º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade pode ser conferida no site: mixbrasil.org.br
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