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Drama da violência de gênero na Argentina vira tema de filme

26 dez 2016 - 06h02
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Mais de 200 mulheres foram assassinadas na Argentina neste ano por homens, um dado que a diretora Alejandra Perdomo mostra em seu último documentário com testemunhos de vítimas, especialistas e familiares de jovens cujas mortes foram um marco na luta contra a violência de gênero.

São números apavorantes que alarmaram os cidadãos em 2013 e que mostraram a estatística de uma vítima a cada 30 horas no país. Hoje em dia a média se mantém inalterada.

Desse "número tão redondo e concreto", que marcou um antes e um depois no tratamento da violência de gênero, nasceu o documentário 'Cada 30 horas'.

"É o fruto da preocupação cotidiana de abrir um jornal, escutar rádio e ver televisão e encontrar a notícia de um novo feminicídio no país", explicou a diretora do filme em entrevista à Agência Efe.

O resultado é "um filme duro, mas real" que tenta demonstrar que "além da dor, também há esperança", com um grande grupo de gente "trabalhando para que a mulher possa sair" do buraco.

Perdomo utiliza o testemunho das protagonistas: das vítimas - de todas as idades e classes sociais -, das pessoas que trabalham a cada dia para ajudá-las desde diversos organismos, e também conta com a participação de parentes de mulheres assassinadas "que souberam transformar sua dor em luta".

É o caso dos pais de Wanda Taddei, morta em 2010 por seu companheiro, um famoso baterista da banda argentina 'Callejeros'; cujos testemunhos são "a coluna central do documentário" e dos que dedicam todas as suas energias a ajudar outras mulheres para que não ocorra o mesmo com sua filha.

Também há o testemunho da mãe de Ángeles Rawson, uma adolescente estuprada e assassinada pelo porteiro de seu edifício e que comoveu o país em 2013; assim como o da mãe de Julieta Mena, que após um ano de sua morte, o julgamento do autor do crime segue sem ter data.

Tudo isso tecido com um cartaz roxo que percorre, nas mãos de uma jovem, diversas localizações da cidade de Buenos Aires e que termina com uma reivindicação: "Nem uma menos".

Em 2010, o governo de Cristina Kirchner (2007-2015) aprovou a Lei de Violência contra a Mulher, na qual incluíam medidas para prevenir, punir e erradicar o problema, embora nunca tenha chegado a ser implementada.

O novo Governo de Mauricio Macri apresentou a medida, embora dependa de que cada província argentina cumpra com o protocolo para poder ver uma redução nas agressões.

O documentário detalha que, apesar de movimentos como 'Nem uma menos' terem conseguido dar visibilidade a esta questão, ocorre "uma inundação" de denúncias, mas também "de mortes" após cada manifestação.

Neste sentido, 'Cada 30 horas' procura constituir uma "ferramenta para a sociedade" e, especialmente, para as mulheres que estão "imersas em um círculo de violência".

"Para que saibam que não estão sozinhas e que há muita gente trabalhando na militância, em programas de vítimas contra a violência; advogados e um monte de profissionais que estão trabalhando para ajudar a mulher em seu resgate", detalhou Perdomo.

O documentário estreou no dia 24 de novembro, dentro das atividades realizadas por ocasião do mês da não violência contra as mulheres e, para sua autora, o impacto do filme fica patente em cada projeção.

"Quando termina o filme, os espectadores permanecem sentados em suas poltronas", afirmou, tentando "processar todos os testemunhos" e histórias que escutaram.

Mas houve outra crítica transcendental para a documentarista: a realizada pelos próprios protagonistas.

"Para mim, o maior prêmio foi que estes pais me dissessem que se sentiram muito respeitados e que o filme não tem golpes baixos", afirmou a autora, surpreendida inclusive com a reação de alguns deles, que manifestaram que o trabalho "deveria passar em todas as escolas da Argentina", para "gerar uma mudança de consciência" da sociedade que comece desde a infância e ajude a evitar "condutas machistas e patriarcais".

Agora, a equipe só espera poder seguir projetando o filme, chegando aos lugares que querem a projeção, inclusive saindo dos espaços de cinema e desembarcando em outros países como México e Espanha.

EFE   
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