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'Carlos, o Chacal' desmente filme de Cannes sobre sua vida

12 mai 2010 - 17h13
(atualizado às 18h10)
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O venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como Carlos, o Chacal, condenado na França à prisão perpétua, desmentiu a uma revista francesa três das hipóteses lançadas por um filme sobre sua vida dirigido pelo francês Olivier Assayas, que será apresentado no Festival de Cannes.

Carlos, preso na França há 16 anos, afirma à revista francesa Le Point em sua edição de quinta-feira que sua famosa tomada de reféns da Opep em 1975 em Viena foi encomendada pelo líder líbio Muammar Kadhafi e não, como diz o filme, pelo ex-presidente iraquiano Saddam Hussein.

"É fácil atribuir (o fato) a Saddam Hussein, porque ele já não está neste mundo para responder", diz Carlos, que está na prisão de Poissy, nos arredores de Paris.

Ele afirma que, contrariando o que diz o filme, nunca se reuniu com o chefe da KGB, o serviço secreto russo, Yuri Andropov, em 1978. Segundo o filme, este lhe havia dado a missão de matar o então presidente egípcio Anuar el Sadat.

"São besteiras. Nunca vi Andropov", disse Carlos. "Não acredito que os soviéticos tenham ordenado o assassinato de Sadat, mas não tenho certeza. Isso poderia interessar mais a Kadhafi e a Saddam."

O venezuelano de 60 anos, que era considerado uma lenda na década de 1970, declara-se convencido de não ter sido traído pelo sírio Kamal al Issawi, membro dos serviços secretos sírios, como diz o filme.

"Ninguém me traiu", afirma. "Todo mundo sabia que eu não tinha ido de Amã a Cartum. Os sauditas e os americanos também. Foram eles que alertaram os franceses, que não sabiam."

O filme dirigido por Assayas será transmitido a partir de 19 de maio pela emissora de televisão privada francesa Canal +, no mesmo dia em que o filme será exibido no Festival de Cannes, que teve início nesta quarta-feira.

A Justiça francesa negou a ele, no início de abril, a possibilidade de ver o filme antes de sua divulgação na televisão, considerando que isso seria "radicalmente contra a liberdade de expressão".

Foto: Divulgação
AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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