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Camila Pitanga vive grande momento em novo filme de Brant e Ciasca

19 abr 2012 - 17h29
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Marina Azaredo

Está no dicionário: musa é a suposta divindade ou gênio que inspira a poesia. Em Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, filme de Beto Brant e Renato Ciasca que estreia em todo o Brasil nesta sexta-feira (20), o poeta é um fotógrafo, Cauby, interpretado por Gustavo Machado. E a musa, ah, a musa... Como Lavínia, uma mulher dividida entre dois homens, Camila Pitanga atinge a condição máxima de musa inspiradora. Bipolar, arrebatadora, selvagem, misteriosa, dilacerada e instável, Lavínia vira de cabeça para baixo a vida de Cauby, um forasteiro que chega a uma cidade fictícia cravada no meio da Amazônia para dar um tempo de São Paulo - e que simplesmente não consegue parar de fotografá-la depois que a conhece. Levando ao grau máximo a sua capacidade de interpretar, Camila também é, de certa maneira, a musa de Brant e Ciasca, e mais do que isso: é a alma do filme.

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Baseado no livro homônimo de Marçal Aquino, Eu Receberia é a história de uma mulher (Lavínia) que, nesta cidade do interior do Pará, se vê dividida entre a paixão pelo fotógrafo Cauby e pelo marido, o pastor Ernani, vivido por Zecarlos Machado. O clima úmido da Amazônia, o suor dos personagens, a música local e os rostos gastos da população da região servem de combustão para esse triângulo amoroso que tem como pano de fundo a devastação da floresta e os conflitos da comunidade local com as madeireiras.

Eu Receberia é o sétimo longa da parceria profissional de Beto Brant e Renato Ciasca e o segundo em que dividem a direção. O primeiro foi Cão sem Dono, de 2007, em que a temática do amor também está presente e que, da mesma maneira, se vale de uma forte personagem feminina: Tainá Müller estreou como atriz no longa, baseado no livro Até o Dia em que o Cão Morreu, de Daniel Galera, e chamou a atenção pela atuação. Mas as semelhanças param por aí. O filme de 2007 retrata um amor entre dois jovens em um ambiente inóspito pelos componentes urbamos - a história se passa em Porto Alegre. Eu Receberia é a história de três adultos deslocados no meio da floresta, envolvidos em um triângulo amoroso que vai ganhando toques de suspense e surrealismo, enquanto conflitos sociais e uma extrema pobreza dominam o ambiente.

Através de uma trama que vai e volta no tempo, o espectador vai descobrindo quem é Lavínia, uma mulher que, embora jovem, já passou por uma grande mudança em sua vida. Ex-prostituta, foi resgatada das ruas por Ernani e claramente tem com ele um casamento que sobrevive não apenas de amor, mas também de gratidão. Com Cauby, vive uma relação que começa de forma carnal e se transforma em cumplicidade e dependência. Mas a cidade é pequena e viver um caso extraconjugal em lugares como esse pode ser mais arriscado do que cometer um assassinato.

Embora o filme tenha deixado de lado alguns personagens secundários presentes no livro, destaca a figura do jornalista Viktor Laurence, vivido pelo excelente Gero Camilo. Com exceção de Lavínia, ele é praticamente a única pessoa que interage com Cauby, e os dois travam alguns dos melhores diálogos do longa. Primeira pessoa da cidade a saber do caso dos dois, ele age como a consciência de Cauby e é, de certa forma, responsável, pelo fato que provoca a grande reviravolta do filme. Destaca-se ainda o papel de Magnólio de Oliveira, que vive Chico Chagas, um local que protagoniza o momento mais sombrio e também um dos mais bonitos do filme: ele conhece Cauby em uma rua escura, com o carro estragado, no meio da noite. Tempos depois, o fotógrafo vai até o circo em que ele trabalha como palhaço e assiste ao quadro da mulher virando peixe, que provoca gargalhadas nas crianças presentes.

Gustavo Machado e Zecarlos Machado também têm ótimas atuações, mas, verdade seja dita, ficam quase ofuscados pela atuação arrebatadora de Camila (vale lembrar que ela levou o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio 2011 pelo trabalho). No que ela mesma definiu como um marco em sua carreira ("mas espero que não seja o auge", disse em entrevista de divulgação do filme), Camila brilha e mostra toda a sua capacidade de interpretação, ora tímida e introspectiva, ora um furacão sexual (e que cenas de sexo!). Da prostituta - ela confessa que, no início, teve de lutar para não fazer uma cópia de Bebel, de Paraíso Tropical, um de seus maiores sucessos nas novelas - à mulher recatada, esposa de pastor. Dessa mulher comportada a uma menina despretensiosamente sensual que é capaz de mudar para sempre os rumos da vida de um homem. Camila passa por tudo isso com maestria. E, com toda a sua beleza, sensualidade e talento, deixa uma certeza: não poderia haver outra Lavínia.

Como Lavínia, uma mulher dividida entre dois homens, Camila Pitanga atinge a condição máxima de musa inspiradora no filme
Como Lavínia, uma mulher dividida entre dois homens, Camila Pitanga atinge a condição máxima de musa inspiradora no filme
Foto: Divulgação
Fonte: Terra
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