Blake Lively: sucesso de 'Gossip Girl' impede mais filmes
Bastou apenas um teste, uma única cena, para Blake Lively convencer a diretora Rebecca Miller de que era a atriz ideal para encarnar a fase jovem da personagem-título de
A Vida Íntima de Pippa Lee, que chega nesta sexta-feira (18) ao circuito carioca. Mas a prova final não aconteceu sem gerar muita ansiedade na jovem porém experiente estrela do popular seriado de TV
Gossip Girl.
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"Li com Rebecca o momento em que Pippa pira depois de ter tomando o frasco de estimulantes da mãe (vivida por Maria Bello) e briga com ela", contou Blake ao Jornal do Brasil durante o Festival de Berlim, onde o filme ganhou première mundial. "É uma cena muito emocional e eu estava nervosa. Mas tinha que ganhar aquele papel. Rebecca saiu da sala por alguns minutos e voltou dizendo: 'Você é a minha Pippa. Não farei esse filme com outra pessoa'". Ela me contratou no ato.
A jovem atriz californiana de 22 anos descreveu o instante, passado dentro de uma minúscula sala de Nova York, como "o dia mais feliz da minha vida". Quando Gossip Girl virou um fenômeno televisivo mundial, Blake se viu obrigada a deixar passar uma série de oportunidades em cinema; virou refém do sucesso do seriado, cuja terceira temporada está sendo exibida no Brasil pelo canal Warner. A participação da atriz em A Vida Íntima de Pippa Lee, comédia dramática sobre o lado selvagem de uma dona-de-casa e esposa perfeita, foi rodado nos intervalos entre a primeira e a segunda temporada do programa de TV.
"Eu me divirto muito mais fazendo filmes do que televisão porque, em cinema, a gente tem a chance real de construir um personagem, com seus altos e baixos. Em um seriado, nunca sabemos ao certo o que está acontecendo ou o que direção os personagens vão tomar. A gente não tem muita liberdade para criar, é mais como recitar diálogos. Não se tem muita liberdade, é tudo uma questão de gravar a maior quantidade de cenas por dia", compara a atriz.
O longa-metragem de Rebecca Miller representa um up-grade na carreira de Blake, que estreou fazendo um pequeno papel em Sandman (1998), "uma produção quase familiar", segundo Blake, dirigida pelo pai, o ator Ernie Lively. Sua contribuição mais marcante para o cinema, até agora, havia sido nos dois filmes da franquia cômica Quatro Amigas e um Jeans Viajante (2005 e 2008). Em A Vida Íntima de Pippa Lee ela contracena com Julianne Moore e o veterano Alan Arkin. O elenco do filme, estrelar, conta com os hollywoodianos Robin Wright Penn (que interpreta a personagem na fase madura) e Keanu Reeves.
"Cheguei no projeto de Rebecca muito tarde no cronograma das filmagens,justamente por causa de meus compromissos com a TV. Mas isso não foi um problema, de forma alguma. Rebecca criou uma personagem bela, forte e fácil de compreender, eu a entendia por dentro e por fora", admitiu a atriz, que atualmente está envolvida com a pré-produção de The Town, a ser dirigido pelo ator Ben Aflleck. "Pippa é uma jovem determina, que preza muito a liberdade que tem. Sou um pouco assim, mas num outro nível de relação com o mundo. Mas foi divertido estar sob a pele de alguém tão diferente de mim, e vivenciar as emoções dessa pessoa".
A Vida Íntima de Pippa Lee é um dessas raras oportunidades em que Blake tira folga da má reputação de Serena van der Woodsen, a manipuladora protagonista do seriado de TV. Crônica do cotidiano de adolescentes ricos, mimados e às vezes perversos de um colégio particular para famílias ricas de Nova York, Gossip Girl já deu muita dor de cabeça à atriz.
"Os paparazzi ainda insistem em criar paralelos personagem e atriz. Nas últimas temporadas do programa, os personagens viraram celebridades por terem criado o seu próprio universo colegial; há quem os siga com câmeras, documentando a vida deles. Aparecer nos tablóides é bom para o show e todos os envolvidos na produção, menos para nós, grandes vítimas dessa situação", explica Blake. "Teve um dia em que meu agente me ligou e perguntou: 'Você está aqui em Los Angeles?'. 'Claro que não! Estou em Nova York, trabalhando', respondi. E ele: 'Mas os jornais de hoje estão dizendo que você foi vista ontem, com um cara numa festa!'".
Quando mais jovem, Blake não dava a menor atenção a novelas centradas no cotidiano de adolescentes, como Barrados no Baile. Preferia acompanhar atrações mais ingênuas, como o clássico A Feiticeira, ou os programas do canal de culinária The Food Channel. ("Adoro conzinhar", avisa.) Seria de se esperar que ela se preocupasse com o fato de comportamento dos personagens de Gossip Girl, sobre rivalidades, triângulos amorosos e intimidades expostas na internet envolvendo jovens abastados, servissem de exemplo para jovens do mundo inteiro.
"É importante saber distinguir o que é realidade e o que é representação. O seriado lida com uma hiperrealidade, não queremos pregar como as pessoas devem viver suas vidas. Tive a sorte de ter sido criada numa família com os pés no chão. É preciso saber escolher bem os modelos que gostaríamos de seguir. No final, todos pagamos pelas consequências de nossos atos", ensina.