'Amizade Colorida' testa teoria de que existem amigos com benefícios
- Juliana Ranciaro
Amizade Colorida reforça a teoria de que é difícil manter uma relação estritamente sexual com um amigo, alguém próximo, com quem já se tem um mínimo de intimidade, sem outras consequências.
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A história é batida e muitas vezes começa pelo mesmo motivo, após o término de um longo namoro ou, para quem já está há muito tempo sozinho, carência. Daí surge a ideia de satisfazer algumas necessidades, nesse ponto justificadas "físicas", como sexo, com alguém que não vá cobrar. Sexo casual, amigos com "benefícios".
A tendência é confundir as coisas, embaralhar os sentimentos. Apesar do sexo, a carência ainda perpetua, sente-se a necessidade do carinho, da pessoa sempre por perto. Tem casos também em que o sentimento sempre existiu além da amizade, mas fora ignorado ou simplesmente passou despercebido.
Nas telonas, os bonitos e, diga-se de passagem sarados, Justin Timberlake e Mila Kunis são os responsáveis por explicitar esses dilemas. Os dois protagonizam cenas de sexo na sala, no quarto, pegadas na cozinha, no corredor, na casa dos pais e em todos os cantos das próprias casas. Isso sem falar nos olhares pra lá de sensuais, nas jogadinhas de charme a nas quebradinhas de pescoço, dicas para o "vamos para a cama".
Jamie (Mila Kunis) é uma jovem recrutadora de Nova York, que convence um cliente em potencial, Dylan (Justin Timberlake), a deixar seu emprego em São Francisco para trás e aceitar um emprego em NY. Apesar da atração mútua, ambos sabem que estão fugindo de um relacionamento - porque se consideram traumatizados ou inacessíveis - e decidem se tornar amigos com benefícios. O arranjo até parece perfeito, mas depois eles começam a perceber que não há nada melhor do que estar "amarrado" a alguém.
Em meio a passeios pelo Central Park, lindas vistas do alto de prédios em Nova York, a própria muvuca da cidade, e também das belas paisagens de Los Angeles, Jamie e Dylan vão testar se vale ou não o clichê de que só os homens realmente acreditam na amizade colorida. As mulheres, na maioria dos casos, fingem que acreditam e até acham que acreditam nisso no começo, mas depois elas querem mais. Os homens querem sexo.
O argumento básico de uma comédia romântica é que duas pessoas se conhecem mas, apesar da atração óbvia que existe entre elas, não se envolvem romanticamente por algum fator interno; por alguma barreira externa, como o fato de um deles ter uma relação amorosa com outra pessoa; ou de não querer se envolver com ninguém, por exemplo.
Amizade Colorida se encaixa assim, sem sombra de dúvidas, no gênero comédia romântica, com um final um tanto clichê, mas que faz rir do começo ao fim com cenas que mexem com o espectador, seja por semelhança ou quem sabe por total estranhamento da questão.
Ainda vale destacar a trilha sonora e os flash mobs inseridos na trama. Músicas até antigas como Closing Time, do Semisonic, e Jump, do duo americano de rappers Kris Kross, empolgam aqueles que se lembram dos hits ou ainda fazem balançar na companhia de Timberlake, que se sacode pra lá e pra cá, relembrando os tempos de N'Sync.