Amigos falidos resolvem fazer pornô para pagar as contas
Quando Pagando Bem, Que Mal Tem? foi anunciado pelo diretor de besteiróis, Kevin Smith (O Balconista), muita gente torceu o nariz. A temática do filme parecia pesada demais para os padrões americanos e, por três vezes, foi considerado impróprio para menores de 17 anos. Até o primeiro cartaz divulgado pela produtora responsável foi banido dos cinemas por insinuação de sexo oral.
O filme conta a história de dois amigos falidos que, incapacitados de pagar suas contas, resolvem fazer um pornô caseiro. Depois de uma precisa procura de elenco, eles finalmente conhecem a turma perfeita para rodar o tal experimento.
Mas, o cunho pornográfico de Pagando Bem, Que Mal Tem? nada mais é do que uma desculpa para mostrar uma história romântica bem melosa, que só se salva pelas tais cenas tórridas - algumas um tanto escatológicas -, premissa que definitamente não combina com o estilo de Smith.
Com isso, nudez parcial, feminina e masculina, ganham as telas várias vezes, bem como simulações de sexo, o que, pasmem, dá um tom comportado para a produção.
Com certeza, quando o filme passou a ser comentado no mundo inteiro, esperava-se que ele pudesse mostrar até sexo explícito. E o que vemos são um monte de insinuações bobas que nem chegam perto de outros longas maliciosos, como American Pie e até Porky´s, da década de 80.
Para a platéia jovem, aliás, trata-se de algo inofensivo. As cenas mostradas por Kevin Smith parecem tolas se comparadas ao acervo que alguns sites e programas de compartilhamento de arquivos possuem e que os adolescentes - mesmo sem a permissão dos pais - acessam em massa.
No mais, Pagando Bem, Que Mal Tem? rende uma meia dúzia de momentos realmente engraçados e um bom elenco principal, liderado pelo já veterano das comédias, Seth Rogen. Outra participação legal que deveria ser mais valorizada é a de Brandon Routh (o novo Superman), que interpreta um bonitão que esconde seu namoro com um ator pornô.
Com dom para agradar a juventude, com este trabalho, Kevin Smith só faz os adultos terem saudade da época em que espiar as revistas pornográficas com o canto do olho nas bancas já servia para atiçar a imaginação.