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A Queda custou US$ 3 milhões e agora ganha sequência nos cinemas

Primeiro filme colocou duas amigas no topo de uma torre de 600 metros; sequência troca a antena por uma passarela suspensa na Tailândia.

20 ago 2026 - 15h38
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Resumo
Com orçamento de US$ 3 milhões e arrecadação de US$ 21,7 milhões, o suspense "A Queda" (2022) ganhará a sequência "A Queda 2: No Limite", com estreia no Brasil em 8 de outubro de 2026. Dirigido pelos irmãos Spierig e roteirizado por Scott Mann, o novo longa muda o cenário para uma passarela na Tailândia a mais de 900 metros de altura, onde novas protagonistas lutam pela sobrevivência após um deslizamento. O desafio da produção é expandir o sucesso original sem perder o impacto do medo de altura.

"A Queda" precisava de muito pouco para explicar sua proposta: duas mulheres, uma torre de aproximadamente 600 metros e nenhuma maneira segura de voltar ao chão. O thriller de sobrevivência dirigido por Scott Mann em 2022 construiu praticamente todo o filme em torno dessa equação, gastou cerca de US$ 3 milhões e terminou sua passagem pelos cinemas com aproximadamente US$ 21,7 milhões arrecadados mundialmente. Quatro anos depois, aquela experiência claustrofóbica a céu aberto cresceu o suficiente para gerar "A Queda 2: No Limite", que estreia no Brasil em 8 de outubro de 2026.

O curioso é que o primeiro longa funciona justamente porque sua ambição narrativa cabe em poucos metros quadrados. Becky (Grace Caroline Currey) perdeu o marido, Dan (Mason Gooding), em um acidente de escalada e abandonou a vida que levava antes da tragédia. Hunter (Virginia Gardner), amiga aventureira e influenciadora digital, reaparece propondo uma forma bastante questionável de enfrentar o trauma: subir uma torre de transmissão abandonada para espalhar as cinzas de Dan. Elas chegam ao topo. A escada desaba. A partir daí, água, celular, mochila e alguns centímetros de metal passam a valer mais do que qualquer discurso sobre superação.

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Crítica

Uma Premissa Pequena Que Sabia Exatamente Onde Colocar o Dinheiro

Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Foto: Divulgação/Paris Filmes / Woo! Magazine

O orçamento de aproximadamente US$ 3 milhões explica parte da inteligência de "A Queda". O filme concentra elenco, cenário e conflito, deixando que a altura entregue uma escala visual que o dinheiro disponível dificilmente compraria por outros caminhos. A bilheteria mundial de US$ 21,7 milhões representa mais de sete vezes o custo de produção, embora esse cálculo bruto não inclua despesas de distribuição, publicidade e participação das empresas envolvidas.

O investimento reduzido também favorece a simplicidade do roteiro de Scott Mann e Jonathan Frank. Depois que Becky e Hunter ficam presas, quase tudo depende da capacidade de encontrar novos problemas dentro do mesmo espaço. A ausência de sinal, a fome, o calor, a deterioração física e as tentativas de chamar atenção criam pequenas metas que sustentam a tensão.

Esse mecanismo funciona melhor quando o filme confia na situação. A relação entre as protagonistas oferece carga emocional suficiente para impedir que a experiência vire apenas uma coleção de provas de sobrevivência, e Currey e Gardner conseguem transmitir exaustão física de maneira convincente. O longa perde alguma precisão quando acrescenta segredos pessoais e uma reviravolta na parte final que força o drama além do necessário. A premissa já era forte; em alguns momentos, o roteiro parece desconfiar dela e acrescenta complicações justamente quando o vazio seria mais eficiente. Essa divisão apareceu também na recepção crítica: atmosfera, direção e atuações foram elogiadas, enquanto roteiro e certas soluções visuais receberam avaliações mais divididas.

Como Uma Torre de 30 Metros Virou Um Abismo de 600

Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Foto: Divulgação/Paris Filmes / Woo! Magazine

A grande sacada da produção está fora do roteiro. Mann descartou uma filmagem dominada por chroma key e levou a equipe para Shadow Mountain, no deserto da Califórnia. Ali, uma estrutura de aproximadamente 100 pés, pouco mais de 30 metros, foi construída no alto de uma montanha com um enorme desnível. Câmera, horizonte, vento e localização completaram a ilusão de que Becky e Hunter estavam realmente no topo de uma torre de 2.000 pés.

O resultado explica por que determinadas imagens provocam desconforto mesmo quando o espectador conhece o truque. As atrizes estavam presas por equipamentos de segurança, mas existiam altura, sol, vento e profundidade reais ao redor delas. A fotografia de MacGregor explora essa condição alternando planos que colocam o corpo humano diante da dimensão da paisagem com enquadramentos fechados que reduzem o espaço disponível. É uma combinação eficaz: primeiro o filme mostra quanto existe abaixo; depois obriga o público a permanecer preso naquele pequeno pedaço de metal.

Currey e Gardner também participaram de muitas cenas fisicamente exigentes, trabalhando com harnesses e realizando parte das ações no próprio cenário. As condições ambientais chegaram a interromper as filmagens, com ventos fortes e tempestades impondo limites de segurança.

Há ainda uma curiosidade que parece saída de outra discussão completamente diferente. Depois que a Lionsgate adquiriu o filme, mais de 30 usos de palavrões precisavam ser alterados para que a classificação americana chegasse ao PG-13. Refilmar as cenas seria caro, então a produção utilizou tecnologia da Flawless, empresa da qual Mann é cofundador, para modificar digitalmente os movimentos da boca e encaixar novas palavras. O processo levou cerca de duas semanas.

O Que Fez A Queda Funcionar Também Pode Virar Sua Maior Armadilha

Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Foto: Divulgação/Paris Filmes / Woo! Magazine

O primeiro "A Queda" possui uma vantagem difícil de reproduzir: a descoberta. Basta mostrar aquela torre pela primeira vez para que o espectador compreenda o perigo. Depois de quase duas horas explorando cada degrau, parafuso e possibilidade de despencar, uma continuação precisa criar outro tipo de medo sem abandonar a identidade que justificou sua existência. É esse é exatamente o desafio de "A Queda 2: No Limite".

Desta vez, Harriet Slater interpreta Jax Hunter, irmã de Hunter, que se aproxima de Luce (Arsema Thomas), amiga da personagem do primeiro longa. As duas viajam para a Tailândia e enfrentam uma passarela de tábuas suspensa no Monte Kwan. Um deslizamento destrói parte do percurso e deixa as personagens presas a cerca de 3.000 pés, aproximadamente 914 metros, sobre o vazio (A medida merece atenção porque alguns materiais brasileiros chegaram a reproduzir "3.000 metros"; a descrição oficial da Capstone trabalha com 3.000 pés).

A mudança de cenário é uma escolha inteligente. Repetir outra torre poderia transformar a franquia em autoparódia já no segundo capítulo. A montanha oferece pedras, passarelas, deslizamentos e uma geografia mais extensa, criando possibilidades diferentes para o mesmo medo primitivo de cair.

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A Queda 2 Precisa Provar Que Vertigem Pode Ser Franquia

Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Imagem: Divulgação/Paris Filmes
Foto: Divulgação/Paris Filmes / Woo! Magazine

Michael e Peter Spierig, responsáveis por "Premonição" e "Jogos Mortais", assumem a direção, enquanto Mann e Jonathan Frank permanecem no roteiro. A campanha apresenta Slater e Thomas como protagonistas, com Tom Brittney também entre os principais nomes. Listagens atuais incluem Virginia Gardner e Grace Caroline Currey no elenco, embora os materiais divulgados até agora não esclareçam a dimensão de suas participações.

O novo filme também chega carregando uma responsabilidade que o primeiro jamais teve: justificar uma franquia. A Capstone anunciou ainda em 2023 o desenvolvimento de duas continuações, com Mann ligado também a um terceiro capítulo.

Essa expansão faz sentido comercialmente. "A Queda" encontrou uma imagem fácil de vender, funcionou com orçamento pequeno e ganhou vida longa depois dos cinemas, especialmente no streaming. Narrativamente, o cenário é mais delicado. A força do original estava na sensação de que aquela ideia absurda poderia acontecer uma única vez.

"A Queda 2: No Limite" precisa encontrar outra razão para colocar duas mulheres acima do chão sem transformar trauma em desculpa automática para escalar qualquer coisa perigosa que apareça no mapa. Se conseguir, a franquia terá descoberto algo maior do que uma torre.

O primeiro filme provou que o medo de cair cabe em um orçamento de US$ 3 milhões. O segundo terá que provar que esse medo ainda consegue surpreender quando o público já sabe exatamente para onde não quer olhar.

Confira o trailer de "A Queda 2: No Limite"

Vídeo: Reprodução/Youtube (@ParisFilmes)

Imagem: Divulgação/Paris Filmes

Publicado originalmente na Woo! Magazine.

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