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'A Dama de Ferro' retrata Margaret Thatcher solitária e confusa

27 dez 2011 - 18h51
(atualizado às 19h07)
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Fazer um filme sobre um político que se tornou ícone, caso da britânica Margaret Thatcher, é como andar em um campo minado cinematográfico. E optar por uma atriz norte-americana - mesmo uma tão reverenciada quanto Meryl Streep - é procurar problema. Ainda assim, os produtores de A Dama de Ferro, que estreia nos cinemas dos EUA nesta sexta-feira (30), foram além.

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A atriz Meryl Streep ao lado de Jim Broadbent em 'A Dama de Ferro'
A atriz Meryl Streep ao lado de Jim Broadbent em 'A Dama de Ferro'
Foto: Divulgação

Eles optaram por mostrar Thatcher, hoje com 86 anos, como uma mulher solitária e confusa, vivendo de glórias passadas. E, ao escolher esse caminho, mostraram o mesmo tipo de coragem exibido pela ex-primeira-ministra britânica.

A diretora britânica Phyllida Lloyd e o roteirista Abi Morgan explicaram às vésperas do lançamento do longa que nunca tiveram a pretensão de fazer uma cinebiografia ou um filme sobre política. A ideia era contar a história de uma mulher de origem comum, que ascendeu ao poder apenas para voltar, já idosa, a uma vida normal como a de qualquer outro. "É uma história shakespeariana sobre o poder, a perda de poder e o custo de uma vida formidável depois deixar tudo isso", disse Lloyd à Reuters.

A Dama de Ferro é o primeiro filme sobre Thatcher, até hoje a única premiê britânica do sexo feminino, eleita em 1979 e obrigada, às lágrimas, a deixar o cargo em 1990, depois de perder o apoio de seu gabinete.

Do Partido Conservador, Thatcher, apelidada de "dama de ferro" por suas posições - daí o nome do filme -, foi reverenciada por ter sido intransigente com a União Soviética e devolver à Grã-Bretanha sua grandiosidade. Ao mesmo tempo, foi vista como vilã por sindicatos trabalhistas e responsabilizada pelas profundas divisões dentro da sociedade britânica.

Lloyd disse que, "surpreendentemente, houve pouca repercussão" no país por ele ter escolhido a norte-americana Meryl para interpretar o ícone britânico. O papel exigia alguém que conseguisse retratar uma mulher no auge da vida e em seu declínio, tipo de contraste que demandaria uma atriz habilidosa, com entendimento das nuances de ambas as fases. "Você precisava de alguém da magnitude de Meryl Streep para assumir o tamanho e a personalidade de Margaret Thatcher. Era preciso uma superstar para interpretar uma superstar", explicou Lloyd.

A escolha parece ter funcionado. Mestre da manipulação teatral, Streep recebeu vários prêmios pela interpretação e é favorita para ganhar sua 17ª indicação ao Oscar quando a Academia divulgar a lista de concorrentes ao prêmio, em janeiro. Mas a atriz e os produtores queriam fazer mais do que uma cinebiografia de Thatcher e de sua agenda política.

"Meryl disse que procurava já há algum tempo um projeto que considerasse o fim das coisas. Ela não enxergava de jeito nenhum o filme como uma cinebiografia", disse a diretora. E colocar todas as decisões em 11 anos de governo, com a ascensão de Thatcher, de filha de um merceneiro a um dos mais altos escalões de poder em um mundo dominado pelos homens, foi como "apertar uma mulher gorda em um vestido justo demais", comparou Morgan.

O produtor, então, optou por situar o longa nos dias de hoje, quando a ex-premiê decidiu abrir mão das roupas do falecido marido, Denis, e se tornou presa das lembranças do passado. A decisão significou introduzir a frágil saúde mental de Thatcher, que sofreu vários pequenos derrames depois de deixar o poder.

Em 2008, sua filha Carol revelou que a ex-titã da política britânica, distante do público há dez anos, sofria de demência. Os cineastas não buscaram a cooperação da família de Thatcher, mas basearam o filme em suas memórias, já publicadas, em declarações de políticos na década de 1980 e em horas de imagens de televisão e discursos proferidos por ela quando no poder.

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