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Dia Mundial do Braille: como o letramento tátil continua transformando vidas

Especialista ressalta que a data reforça a importância da acessibilidade e da inovação em busca de uma sociedade mais inclusiva

4 jan 2026 - 11h00
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No dia 4 de janeiro, o mundo celebra o "Dia Mundial do Braille", data que remete ao nascimento de Louis Braille, o jovem francês que transformou seis pontos em relevo em um sistema de escrita capaz de dar voz e autonomia a milhões de pessoas com deficiência visual. Inventado no século XIX, o Braille foi reconhecido como um divisor de águas na educação para quem não enxerga, permitindo não apenas o acesso à informação, mas também à participação plena na vida escolar, profissional e social.

'Dia Mundial do Braille' aumenta a conscientização sobre a importância do método para a verdadeira inclusão social
'Dia Mundial do Braille' aumenta a conscientização sobre a importância do método para a verdadeira inclusão social
Foto: LightField Studios | Shutterstock / Portal EdiCase

Mais de 200 anos depois, sua importância permanece inquestionável e talvez até mais relevante, diante das barreiras de acessibilidade que persistem em um mundo cada vez mais digital. Para Beto Pereira, analista de relações institucionais da Laramara — Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, o Braille continua sendo a base da alfabetização e da autonomia.

"O áudio pode informar, mas é o Braille que alfabetiza. Ele permite compreender a estrutura da língua, ter independência e acessar informações com privacidade e precisão", afirma. Segundo ele, dominar o letramento tátil continua sendo fundamental para que crianças, jovens e adultos com deficiência visual construam trajetórias educacionais sólidas e acessem oportunidades reais de inclusão.

Acessibilidade digital longe do ideal

Apesar do poder transformador do sistema, os desafios permanecem expressivos. Em pleno século XXI, grande parte dos sites, aplicativos, serviços públicos e plataformas digitais ainda não segue padrões mínimos de acessibilidade. A ausência de conteúdos compatíveis com leitores de tela, a falta de descrições de imagens e interfaces mal estruturadas criam barreiras diárias que poderiam ser facilmente evitadas. 

Para Beto Pereira, essa lacuna entre tecnologia e acessibilidade exige atenção urgente. "Inovação sem inclusão é retrocesso. Precisamos de plataformas digitais que respeitem direitos e permitam que recursos como o Braille digital nos displays, nos celulares e nos computadores sejam realmente úteis no cotidiano", completa.

Sinalizações públicas inadequadas continuam sendo uma barreira que transforma atividades simples do dia a dia em desafios para deficientes visuais
Sinalizações públicas inadequadas continuam sendo uma barreira que transforma atividades simples do dia a dia em desafios para deficientes visuais
Foto: GBJSTOCK | Shutterstock / Portal EdiCase

Barreiras além do ambiente online

Além do ambiente digital, outros obstáculos seguem impactando a vida de pessoas cegas no Brasil. Rotulagem de medicamentos e alimentos sem identificação tátil, documentos que não oferecem versões acessíveis e sinalizações públicas inadequadas tornam atividades simples do dia a dia desafios desnecessários. 

Educação, políticas públicas e tecnologia como caminhos para a mudança

Para o especialista, a combinação entre educação inclusiva, políticas públicas eficazes e investimentos em tecnologia assistiva é o caminho para transformar esse cenário. "O Brasil ainda é um país pouco acessível. Mas nenhuma sociedade pode ser considerada inclusiva se não garantir que todos tenham acesso ao conhecimento. E isso começa pelo Braille", destaca.

O Dia Mundial do Braille, portanto, é mais do que uma celebração simbólica. É um convite à reflexão sobre como a sociedade enxerga ou deixa de enxergar os direitos das pessoas com deficiência visual. É uma oportunidade de ampliar a discussão sobre educação, inovação e acessibilidade, e de reforçar que o Braille, longe de ser um recurso do passado, segue no centro da luta por igualdade de oportunidades.

Por Caroline Amorim

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