Criticada desde o roubo espetacular no Louvre, presidente do museu pede demissão
A presidente do Louvre, Laurence des Cars, apresentou sua demissão a Emmanuel Macron nesta terça-feira (24). O museu, abalado sobretudo pelo espetacular roubo ocorrido em 19 de outubro de 2025, "precisa" de um "novo impulso", informou a presidência francesa.
"O chefe de Estado aceitou [a demissão de Laurence des Cars], saudando um ato de responsabilidade em um momento em que o maior museu do mundo precisa de apaziguamento e de um novo impulso forte para levar adiante grandes projetos de segurança, modernização e o programa 'Louvre - Nova Renascença'", afirmou a presidência em comunicado.
Emmanuel Macron "agradeceu [Laurence des Cars] por sua atuação e seu engajamento nos últimos anos e, apoiando-se em sua expertise científica incontestável, desejou lhe confiar uma missão no âmbito da presidência francesa do G7 sobre a cooperação entre os grandes museus dos países envolvidos", acrescentou a nota.
Além do roubo das joias da Coroa francesa que expôs falhas de segurança do museu, a crise no Louvre ganhou um segundo capítulo com a mobilização de funcionários por melhores condições de trabalho, o que perturbou o acesso à instituição diversas vezes nos últimos meses. O museu também teve de fechar recentemente uma de suas galerias por fragilidades no edifício e foi alvo de uma fraude na bilheteria.
No dia seguinte ao roubo, Laurence des Cars, nomeada em 2021 pelo presidente Emmanuel Macron, havia proposto sua demissão, então recusada pela ministra da Cultura, Rachida Dati.
"Um Estado dentro do Estado"
Na semana passada, os responsáveis por uma comissão parlamentar de inquérito acusaram o museu de ter se tornado um "Estado dentro do Estado" e contestaram sua direção.
"O roubo do Louvre não é um acidente, ele revela falhas sistêmicas do museu" e "uma negação dos riscos", afirmou em entrevista coletiva o deputado Alexandre Portier, do partido Os Republicanos (direita), presidente da comissão de inquérito sobre a segurança dos museus, criada no início de dezembro, após o roubo de 19 de outubro.
"O que chama atenção é ver que o Louvre se tornou um Estado dentro do Estado", disse Portier, acrescentando que o museu funcionava como se "não tivesse de prestar contas da gestão do dinheiro público".
(Com agências)