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Conheça Chuwi, a banda porto-riquenha que vem abrindo os shows do Bad Bunny

Quarteto de Isabela colaborou em "Weltita" e agora percorre América Latina levando mistura de ritmos caribenhos tradicionais com sonoridade contemporânea

21 fev 2026 - 13h12
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Quem esteve no Allianz Parque, em São Paulo, na noite de 20 de fevereiro viu uma banda simpática tocar antes de Bad Bunny: Chuwi, uma banda porto-riquenha de quatro integrantes, que representam exatamente o tipo de artista que Benito vem promovendo: autênticos, enraizados em tradições caribenhas, politicamente conscientes e com música boa.

Foto: Mindy Small/Getty Images / Rolling Stone Brasil

Formada pelos irmãos Lorén Aldarondo (25 anos, vocal), Wester Aldarondo (23, guitarra/produção) e Willy Aldarondo (29, percussão/produção), mais o amigo próximo Adrián López (23, teclados/percussão), Chuwi nasceu em 2019 em Isabela, cidade no noroeste de Porto Rico longe do eixo urbano da capital San Juan.

Foi esse cenário que ofereceu aos irmãos Aldarondo uma infância imersa em música de formas que raramente aconteceriam na capital: guitarra sempre disponível na sala de casa para experimentações, cultos religiosos aos domingos funcionando como verdadeira escola informal de harmonia vocal e ritmo, tradições como as "matutinas" natalinas onde vizinhos percorriam a comunidade cantando plenas porto-riquenhas de porta em porta durante a madrugada. Wester relembra essas noites com afeto especial, com grupos acordando casas de surpresa, celebrando em conjunto através de música que atravessa gerações. Ao mesmo tempo, a família nunca limitou a escuta apenas ao tradicional: o pai era fã devoto dos Beatles, garantindo que clássicos do rock britânico dividissem espaço com Lady Gaga e outros nomes do pop global, como explicaram em entrevista à Glamour. Essa dualidade entre raízes caribenhas profundas e abertura para referências mundiais moldou a abordagem musical de Chuwi, que hoje transita entre plena, bomba, salsa e rumba sem soar folclórico, incorporando produção eletrônica contemporânea sem perder a visceral conexão com as tradições.

Por anos, essa prática funcionou como hobby, até a pandemia de 2020 chegar e mudar isso. Com todos confinados e rotinas suspensas, Willy, Wester e Lorén transformaram essas sessões informais em gravações estruturadas pela primeira vez. O material inicial foi compartilhado apenas com amigos próximos e família, mas a reação entusiasmada os surpreendeu. Músicas começaram a circular organicamente entre pessoas conectadas à cena musical de Porto Rico e, inesperadamente, convites para tocar ao vivo chegaram. Foi aí que Adrián López entrou. Amigo de Wester desde a adolescência e percussionista formado, ele deveria ser solução temporária. Porém, a química entre os quatro provou-se forte demais para ser apenas pontual e ele está no grupo até hoje.

A virada de chave

Entre 2019 e 2024, Chuwi dedicou-se a construir presença na cena independente porto-riquenha. Tocaram em bares pequenos, desenvolveram repertório próprio, refinaram identidade sonora através de experimentação constante. Com esse trabalho consistente e discreto, eles chamaram a atenção de quem mudaria a trajetória deles para sempre: Bad Bunny, que estava desenvolvendo faixas para Debí Tirar Más Fotos (2025) e tinha um demo instrumental que, na visão dele, combinava perfeitamente com a estética da banda. A proposta inicial era simples — adicionar elementos ao track. Mas quando Chuwi perguntou se podiam experimentar livremente com a produção, receosos de mexer demais em música de um dos artistas mais bem-sucedidos do planeta, a resposta surpreendeu pela abertura total: não apenas permitiu mas incentivou que fossem longe nas ideias sem medo.

Com a luz verde dada, Chuwi transformou completamente o demo. Adicionaram camadas densas de percussão tradicional porto-riquenha, texturas eletrônicas sutis, reestruturaram a composição levando a música para território radicalmente diferente do ponto de partida. Quando chegou o momento de apresentar o resultado, o nervosismo retornou com força — e se Bad Bunny odiasse e a colaboração morresse ali? O oposto aconteceu. Não só aprovou a direção como mergulhou no processo criativo colaborativo, desenvolvendo versos e integrando a voz de Lorén estrategicamente. E então, "Weltita" estava pronta.

https://www.youtube.com/watch?v=vmbyVU9w47Y

O impacto da colaboração foi transformador de todas as formas possíveis. A faixa acumulou milhões de streams rapidamente, introduzindo Chuwi a uma audiência global que nunca os descobriria através de canais tradicionais de música independente. Mais importante que os números, porém, foi a legitimação: estar em álbum de Bad Bunny sinalizou para a indústria e o público que a banda merecia atenção séria. Convites começaram a chegar em cascata. Primeiro, participação na residência No Me Quiero Ir de Aquí em Porto Rico, série de shows onde Bad Bunny celebrou a ilha e a cultura local. Depois, aparição no Grammy Latino em novembro de 2025, performando ao lado de Benito para audiência de milhões. E finalmente, posição como banda de abertura oficial da DeBÍ TiRAR MáS FOToS World Tour, oportunidade que os levaria a palcos da América Latina, incluindo Brasil.

Do Tiny Desk ao reconhecimento crítico

Paralelo ao sucesso comercial junto a Bad Bunny, Chuwi também conquistou o coração de muitos depois do convite para gravar o Tiny Desk. Em Porto Rico, conseguir tal feito é momento de orgulho coletivo, validação cultural quando artista local alcança plataforma americana prestigiada. Lorén confessa que cada membro tem Tiny Desk favorito, que acompanham o projeto há anos prestando atenção em quais porto-riquenhos já participaram. "Quando artista novo de Porto Rico chega ao Tiny Desk, é explosão de amor e orgulho", descreveu.

Para a gravação, a preparação foi meticulosa. Selecionaram repertório que mostrasse a amplitude de identidade musical — faixas que transitavam entre explosões rítmicas cheias de percussão e momentos contemplativos com harmonias delicadas, entre celebração e melancolia. Cada escolha foi discutida longamente porque queriam que o set contasse história coerente sobre quem são. A performance foi tão emocionalmente carregada que a equipe de produção comentou depois que nenhuma banda havia chorado tanto após finalizar a gravação.

https://www.youtube.com/watch?v=r3ZPhIZ6_bM

Turnê própria e próximos passos

Com base de fãs estabelecida, Chuwi já tem os próximos passos planejados: construir trajetória completamente independente, com 16 shows solo pelos Estados Unidos, cobrindo Nova York, Miami, Los Angeles, Chicago e Las Vegas. Mas antes de conquistar o território americano, Chuwi já vem construindo catálogo próprio que vai muito além de "Weltita". Faixas como "Tikiri" e "Tierra" mostram o grupo explorando diferentes facetas de identidade caribenha, enquanto "Falta Algo" — single mais recente — indica mergulho em ritmos cubanos e experimentação sonora que promete definir a próxima fase. O álbum completo está em desenvolvimento, e tudo indica que será declaração definitiva de quem Chuwi é quando não está dividindo os holofotes com Bad Bunny.

Para quem teve chance de ver a apresentação deles no Allianz Parque, ficou claro que Chuwi é banda que sabe criar conexão genuína com a plateia mesmo quando a maioria não conhece o repertório completo. A energia contagiante dos quatro no palco — Lorén comandando o vocal com presença carismática, Wester e Willy criando base rítmica hipnótica, Adrián adicionando camadas que fazem tudo ganhar corpo — transformou a abertura de show em momento memorável por si só. A simpatia natural do grupo, que entre músicas conversava com o público em espanhol e ria dos próprios momentos, mostrou que Chuwi não leva a fama a sério demais. São, acima de tudo, quatro amigos de Isabela que ainda não acreditam completamente que estão tocando para dezenas de milhares de pessoas do outro lado do mundo — e é justamente essa humildade autêntica que faz a diferença.

Rolling Stone Brasil — edição de colecionador Bad Bunny

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O artista mais ouvido no Spotify e vencedor do álbum internacional do ano segundo a Rolling Stone BrasilBad Bunny, estreia nos palcos nacionais com a sua "Debí Tirar Más Fotos World Tour". Criamos um dossiê sobre a carreira de Benito Antonio Martinez Ocasio, artista que aponta suas bandeiras para a unificação da América em música, atitude e vibe.

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