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Tunísia parabeniza Palma de Ouro de Kechiche, mas não fala sobre filme

27 mai 2013 12h25
| atualizado às 12h26
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'La vie de Adèle' narra a paixão ardente entre duas mulheres, uma questão sensível na sociedade árabe-muçulmana
'La vie de Adèle' narra a paixão ardente entre duas mulheres, uma questão sensível na sociedade árabe-muçulmana
Foto: Divulgação

O ministro tunisiano da cultura parabenizou, nesta segunda-feira (27), o diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche pela conquista da Palma de Ouro com La vie de Adèle, sem entrar no mérito da paixão homossexual retratada no filme, e que é tabu no mundo árabe.

"O ministro da cultura parabenizou o diretor Abdellatif Kechiche por este reconhecimento internacional, desejando-lhe sucesso no mundo do cinema", anunciou o ministério.

A declaração, no entanto, não mencionou o tema do filme, que narra a paixão ardente entre duas mulheres, uma questão sensível na sociedade árabe-muçulmana.

O ministério também não deu nenhuma indicação quanto a um possível lançamento do filme na Tunísia, cujo governo é liderado pelo movimento islamita Ennahda.

Desde a revolução em janeiro de 2011, várias obras, exposições e festivais têm sido alvos de protestos, às vezes violentos, do movimento islâmico radical, que registra um crescimento significativo desde a queda do regime de Zine El Abidine Ben Ali.

Em outubro, a exibição do filme franco-iraniano Persépolis, pelo canal privado Nessma TV, provocou uma onda de violência entre os radicais islâmicos.

O diretor do canal de televisão foi multado por "atentado à moralidade", já que o filme contém uma cena em que mostra Deus, e sua representação é proibida pelo Islã.

Ao receber a Palma de Ouro, Kechiche dedicou seu filme "a esta bela juventude da França, que me ensinou muito sobre o espírito de liberdade", bem como "outros jovens da revolução tunisina por sua aspiração a viver livremente, e amar livremente".

"É uma bela história, um belo amor, com o qual todos podem se identificar, independentemente da sexualidade", declarou o presidente do júri, o diretor americano Steven Spielberg.

A homossexualidade em si não é proibida pela lei na Tunísia, mas a sodomia é punida com três anos de prisão.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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