Johnny Hallyday compara método de diretor chinês ao de Godard
Astro da música francesa, Johnny Hallyday também é um habitual nome nas telas de cinema da França, tanto em produções locais como internacionais, a exemplo de uma participação em A Pantera Cor-de-Rosa 2.
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O cantor de 65 anos, que no momento faz sua turnê de despedida dos palcos, está em Cannes como protagonista de Vengeance (vingança em francês), uma co-produção entre França e Hong Kong, com direção do especialista em ação Johnnie To.
Seu papel é de um dono de restaurante francês que vai a Macau para descobrir quem assassinou seu genro chinês, os dois netos e deixou sua filha ferida. Promete então vingá-los e contrata um trio de matadores eficientes, mas de jeitão um tanto cômico, para perseguir os assassinos.
Um fato peculiar é que o personagem do cantor tem uma bala alojada na cabeça ¿ seu passado guarda um envolvimento também com boa habilidade em armas ¿ e está perdendo aos poucos a memória, o que o obriga a fotografar tudo e escrever nas imagens quem são seus colaboradores e inimigos.
Hallyday lembrou na entrevista aos jornalistas neste início de tarde que a situação do personagem era muito semelhante a sua como um visitante na China.
"Eu me sentia muito perdido ali, num país desconhecido e de língua difícil; então também tinha que escrever minhas próprias indicações", brincou. Mesmo o cotidiano de trabalho no set de Johnnie To, que fala pouco inglês, exigia intérpretes. "Ajudava o fato de Johnnie ter uma postura muito física ao dar as instruções para os atores, porque isso tem muito a ver com o filme, em que quase não se fala e sim é baseado na ação".
Sobre o método do diretor de só entregar o roteiro para os atores na véspera da cena a ser filmada, Hallyday lembrou a semelhança com o estilo do francês Jean-Luc Godard, com quem trabalhou em Detéctive, por exemplo.
"Todo dia eu chegava às filmagens e recebia minhas cenas na hora; só a minha parte, sem saber a dos outros atores; então o método de Johnnie não me foi novo¿, explicou.