“Meu Carnaval eu faço depois”, diz motorista do trio de Bell
Motorista do trio elétrico do Chiclete com Banana conta que ganha mais de R$ 4 mil durante a folia
“Na minha profissão não dá para curtir o Carnaval”. Essa foi uma das frases que o motorista do trio elétrico do Chiclete com Banana, Gilberto Campos Júnior, disse ao Terra durante o segundo dia de apresentação de uma das bandas mais tradicionais do Carnaval de Salvador. Há sete anos sob o comando de Bell Marques, e há 25 na mesma profissão, Gilberto tem outra maneira de comemorar os seis dias de festa na capital baiana.
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“O meu Carnaval eu faço depois, com churrasco e praia”, brincou o motorista. “Mas eu nasci disso e gosto muito do que faço”, justificou Gilberto, lembrando que um de seus tios é responsável por construir trios elétricos.
Sem desgrudar os olhos da Avenida Oceânica, no circuito Dodô, Gilberto contou que recebe cerca de R$ 2,5 mil de salário, mas que durante o Carnaval consegue tirar mais R$ 4 mil. “Faço isso pela minha família e essa é uma das vantagens de dirigir esse trio”.
O motorista contou ainda que a maior dificuldade no trabalho é ter atenção total nos comandos de Bell Marques e das pessoas do suporte, que ficam à frente do caminhão. No caso do trio do Chiclete, o próprio cantor, através de um pedal, dá a ordem de parar ou acelerar o caminhão. Uma luz verde e outra vermelha acendem na cabine do veículo para prosseguir a viagem ou estacionar em frente a algum camarote.
Após ser questionado sobre qual era a maior dificuldade de ser motorista de um trio elétrico no Carnaval de Salvador, ele respondeu rapidamente. “Todas, mas temos que controlar a multidão e ficar atentos às coordenadas. Mas temos algumas vantagens também, como não passar calor, não tomar chuva, etc”. Gilberto lembra que a situação mais inusitada aconteceu fora da capital baiana. “Uma vez tive que colocar o trio em cima de uma balsa e andar por sete dias em Manaus”, disse.
Sobre a despedida de Bell Marques, que faz seu último Carnaval em Salvador com o Chiclete com Banana, Gilberto disse que a terça-feira será triste, quando o cantor fará sua última apresentação. “Ele é um cara muito tranquilo, muito boa gente. Conversa sempre com a gente e não é porque é meu patrão que estou falando bem”, elogiou.
Gilberto, que já dirigiu o trio do É o Tchan por vários anos, afirmou que nunca teve problemas com incidentes. “Hoje a segurança é muito melhor do que há 15 anos. Muitas pessoas trabalham nisso. Hoje em dia está ótimo”.
A maioria dos motoristas dos trios trabalha com um motorista reserva ao seu lado, uma espécie de copiloto em casos de emergência. No caso de Gilberto, o seu braço direito é Adeílson de Jesus, 40 anos.