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Salgueiro homenageia povo Yanomami e levanta a Sapucaí com enredo de resistência

A escola foi a terceira a desfilar pelo Grupo Especial do Rio de Janeiro na Sapucaí, no último domingo, 11

12 fev 2024 - 14h09
(atualizado às 14h10)
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Salgueiro homenageia povo Yanomami e é aclamada pelo público
Salgueiro homenageia povo Yanomami e é aclamada pelo público
Foto: Agência Brasil

Terceira escola a desfilar pelo Grupo Especial do Rio de Janeiro, a Acadêmicos do Salgueiro apresentou o enredo Hutukara na Sapucaí, no último domingo, 11. A aposta da escola de samba foi pela admiração e afirmação do povo Yanomami.

A escola desfilou com o samba-enredo inspirado no livro A queda do céu - palavras de um xamã Yanomami, espécie de bíblia narrada por Davi Kopenawa, uma das lideranças do povo ianomâmi, que desfilou no último carro da escola, e Bruce Albert. O tema, inclusive, foi elogiado nesta semana pelo astro de Hollywood e ambientalista Leonardo DiCaprio.

O samba enredo foi escrito por Arlindinho, Pedrinho da Flor e Dudu Nobre. Na música, Davi Kopenawa é o eu-lírico, como no trecho em que diz que ele teve de aprender português para denunciar o sofrimento de seu povo.

“Eu aprendi o português, a língua do opressor/Pra te provar que meu penar também é sua dor/Falar de amor enquanto a mata chora/É luta sem flecha, da boca pra fora”, diz o trecho do enredo.

Segundo o enredista da escola, Igor Ricardo, a ideia partiu do presidente André Vaz, quando foram divulgadas as reportagens sobre a situação em Roraima, em janeiro do ano passado.

“A mensagem do enredo, eu acho que é muito isso que o Davi falou com a gente: você só respeita aquilo que você conhece. A gente não conhece o povo Yanomami. Nós só vemos uma coisa na televisão que não são eles. Nossa proposta é fazer com que todos, de certa forma, possam conhecer um pouco do que é o povo Yanomami, para que a gente possa, no final, virar amigo deles”, disse Igor.

Na comissão de frente da escola, os bailarinos desfilaram maquiados com feridas e respiradores ligados a mudas de plantas. A escola emocionou o público antes mesmo de colocar o pé na Avenida e o tom crítico do desfile foi ainda maior com um tripé intitulado “comedor de terra”, com uma escavadeira, criticando os invasores de terra ianomâmi.

No final do desfile, Salgueiro fez uma homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista britânico Dom Phillips. 

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Fonte: Redação Terra
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