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Berlinale: 76ª edição do Festival de Berlim aposta na diversidade e tem forte presença do cinema brasileiro

O Festival de Cinema de Berlim abre sua 76ª edição nesta quinta-feira (12) com uma seleção de filmes que atesta mais uma vez a busca pela diversidade de estilos em um evento conhecido por seu engajamento político. O Brasil tem uma forte participação este ano, com nove produções nacionais presentes em diferentes mostras, além de dois filmes internacionais dirigidos por cineastas brasileiros, dois deles concorrendo ao Urso de Ouro, o principal prêmio da Berlinale.

12 fev 2026 - 12h17
(atualizado às 13h23)
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Silvano Mendes, enviado especial a Berlim

Imagem do tapete vermelho do Berlinale Palast, onde são realizadas as principais projeções do Festival de Cinema de Berlim. Imagem ilustrativa da edição de 2025.
Imagem do tapete vermelho do Berlinale Palast, onde são realizadas as principais projeções do Festival de Cinema de Berlim. Imagem ilustrativa da edição de 2025.
Foto: © Richard Hübner / Berlinale 2025 / RFI

"Cinema é uma forma de arte que nos ajuda a compreender uns aos outros e a nos conectar." Com essa definição, Tricia Tuttle, diretora do festival, resumiu o papel da 7ª arte e a vocação da Berlinale no panorama cinematográfico mundial. À frente do festival desde 2024, a americana destaca que os filmes selecionados para a competição principal em 2026 refletem a diversidade criativa do cinema contemporâneo e confirmam a abertura estética e política que molda a reputação do evento.

Reconhecida ao lado de Cannes e Veneza como um dos três maiores festivais do mundo, a Berlinale se diferencia por seu perfil explicitamente mais político, uma marca construída ao longo de sua trajetória. Criado em 1951, na Berlim Ocidental, o festival nasceu como iniciativa dos aliados para apresentar a cidade como vitrine do Ocidente no pós-guerra. Seu primeiro filme exibido, "Rebecca", de Alfred Hitchcock, simbolizou esse gesto, já que a obra havia sido proibida pelo regime nazista quando estreou, em 1940.

Desde então, o festival se consolidou pela ousadia de sua programação, que combina grandes produções, filmes autorais e propostas inovadoras distribuídas entre diversas mostras e seções. Entre suas marcas históricas está também o Teddy Awards, o primeiro prêmio internacional dedicado a filmes de temática LGBTQIA+, que celebra 40 anos nesta edição.

A Berlinale também se destaca por sua intensa participação do público. Diferentemente de Cannes, qualquer pessoa pode comprar ingressos a preços de uma entrada de cinema para assistir tanto aos filmes em competição quanto às sessões paralelas em diferentes pontos da capital alemã. O resultado aparece nos números: no ano passado, além dos convidados profissionais, como jornalistas, produtores e distribuidores, 336 mil ingressos foram vendidos ao público.

Michelle Yeoh é homenageada e Wim Wenders preside o Júri

Este ano, na cerimônia de abertura, nesta quinta-feira, o diretor e roteirista Sean Baker fará o discurso de homenagem à atriz Michelle Yeoh, que receberá um Urso de Ouro por sua carreira. A cerimônia também contará com a presença da diretora vencedora do Oscar, do Globo de Ouro e do BAFTA, Chloé Zhao, e do cineasta Wim Wenders, presidente do Júri Internacional. Após a cerimônia, será apresentada a estreia mundial de "No Good Men", da premiada diretora afegã Shahrbanoo Sadat, que abre oficialmente a 76ª Berlinale.

Na Competição da Berlinale, 22 filmes disputarão os Ursos de Ouro e de Prata, entre eles um primeiro longa, uma animação e um documentário. Estão representados 28 países, e 20 filmes são estreias mundiais. Nove produções foram dirigidas ou codirigidas por mulheres. Os vencedores serão anunciados no Berlinale Palast em 21 de fevereiro de 2026, no encerramento do festival.

Brasil na 76ª Berlinale

Entre os 22 filmes na disputa principal estão "Rosebush Pruning", coprodução de Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido, rodada em inglês e dirigida pelo brasileiro Karim Aïnouz. Sátira contemporânea sobre as contradições da família tradicional, com elenco estrelado (Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell e Pamela Anderson, entre outros), a produção é um remake de "I Pugni in Tasca" (De Punhos Cerrados), filme de 1965 do italiano Marco Bellocchio, e consolida a incursão de Aïnouz no cinema internacional.

Já Beth de Araújo, cineasta filha de pai brasileiro e mãe sino-americana, apresenta "Josephine", uma produção norte-americana. Com Channing Tatum e Gemma Chan no elenco, o filme conta a história de uma menina de oito anos que se torna testemunha de um crime brutal. O drama familiar já levou prêmio este ano no Festival de Sundance.

Além disso, nove produções brasileiras fazem parte da programação, duas delas rodadas no Ceará, duas em Minas Gerais e uma no interior do Piauí, provando que o cinema feito fora do eixo Rio-São Paulo tem cada vez mais força.

Na mostra Perspectiva, uma seção competitiva dedicada exclusivamente a longas-metragens de ficção de diretores estreantes, Grace Passô dá seus primeiros passos como diretora com "Nosso segredo". Já a Panorama, que apresenta produções independentes e filmes bem mais autorais (muitos a veem como o equivalente de "Um Certo Olhar", em Cannes), conta com "Isabel", de Gabe Klinger, e "Se eu fosse vivo… vivia", de André Novais Oliveira.

O cinema brasileiro também marca presença na seção Generation, dedicada principalmente a produções sobre e para um público mais jovem. Participam da seleção o documentário "A Fabulosa Máquina do Tempo", de Eliza Capai; "Feito Pipa", de Allan Deberton; "Quatro Meninas", de Karen Suzane; e "Papaya", de Priscilla Kellen, primeiro filme de animação brasileiro na Berlinale.

A lista se completa com "Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha", de Janaína Marques, e "Floresta do Fim do Mundo", de Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa, selecionados, respectivamente, para as seções Forum e Forum Expanded, que reúnem obras que propõem inovação de linguagem e de temas.

Além desses nove filmes,"Narciso", do diretor paraguaio Marcelo Martinessi, é uma coprodução com participação de sete países, entre eles o Brasil. Os brasileiros também estão presentes no Mercado de Filmes com "Apneia", dirigido por Lô Politi., 

Tradição brasileira na Berlinale

O Festival de Berlim tem uma longa relação com o cinema brasileiro, que historicamente mantém presença expressiva no evento. Em 2025, o país foi representado por 13 produções selecionadas e conquistou o Urso de Prata com "O Último Azul", que também recebeu o Prêmio do Júri. O Brasil já havia vencido o Urso de Ouro em 1998, com "Central do Brasil", de Walter Salles, e em 2008, com "Tropa de Elite", de José Padilha. Em 2014, "Hoje eu quero voltar sozinho", de Daniel Ribeiro, levou o Teddy Awards e "Três tigres tristes" de Gustavo Vinagre, ganhou o mesmo prêmio em 2022.

O próprio Karim Aïnouz, que concorre ao Urso de Ouro este ano com uma produção internacional, já participou da Berlinale em três ocasiões: em 2014, na competição oficial, com "Praia do Futuro"; em 2018, na seção Forum, com o documentário "Central Airport THF", quando recebeu o Prêmio da Anistia Internacional; e, em 2020, na mostra Panorama, com o documentário "Nardjes A.".

A Berlinale acontece entre 12 e 22 de fevereiro.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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