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Atrizes e escritoras espalham mensagem potente de livro de Gisèle Pelicot nas redes; veja 1º vídeo

Fernanda Torres é a primeira a ler trecho de livro de memórias da francesa, que sofreu repetidos estupros e denunciou o marido, em nova ação da Companhia das Letras; veja quem mais participa

5 mar 2026 - 15h51
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O lançamento de Um Hino à Vida, biografia de Gisèle Pelicot, francesa de 73 anos que virou símbolo de coragem e resistência feminina aos denunciar anos de abuso sexual do ex-marido e de mais 50 homens, está mobilizando artistas brasileiras, incluindo Fernanda Torres.

Nesta quinta-feira, 5, a editora Companhia das Letras divulgou um vídeo da atriz performando uma leitura dramática de um trecho da obra, que chegou às livrarias em fevereiro.

A ação faz parte de uma campanha de divulgação que contará com uma série de vídeos de leituras de trechos realizadas por atrizes e escritoras. Nos próximos dias, serão divulgados vídeos de Fernanda Montenegro, Lilia M. Schwarcz, Astrid Fontenelle, Andrea del Fuego, Aline Bei, Taís Araújo, entre outros nomes.

Fernanda Torres integra ação de divulgação de 'Um Hino à Vida', biografia de Gisèle Pelicot.
Fernanda Torres integra ação de divulgação de 'Um Hino à Vida', biografia de Gisèle Pelicot.
Foto: Companhia das Letras/Divulgação / Estadão

O mote da campanha é "A vergonha precisa mudar de lado", principal mensagem do livro e subtítulo da obra. Gisèle ouviu a frase de uma advogada feminista décadas atrás e acabou tornando-a o mantra do julgamento que a levou a ser um rosto conhecido pelo mundo todo.

O que aconteceu com Gisèle Pelicot?

A história de Gisèle chocou o noticiário em 2024, quando ela denunciou o ex-marido, Dominique Pelicot, e dezenas de homens por estupro. Durante uma década, Dominique drogava a mulher com soníferos e ansiolíticos, abusava sexualmente dela e convidava homens que conhecia online para fazer o mesmo.

Os abusos eram filmados e documentados, guardados em uma pasta no computador de Dominique. O caso veio à tona após ele ser flagrado filmando por baixo da saia de mulheres em um supermercado. Gisèle só descobriu os abusos quando foi chamada a um delegacia e foi apresentada às provas. Após o julgamento, ele foi condenado a 20 anos de prisão.

Ela lança a biografia, escrita com a jornalista Judith Perrignon, pouco mais de um ano depois da condenação. No livro, descreve a infância, o relacionamento e casamento com Dominique, a descoberta dos estupros, a relação com os filhos e netos e como reconstruiu sua vida após o julgamento.

Confira o trecho lido por Fernanda Torres

"Cheguei à praia. A brisa do mar sempre é marcante. Penetra mais fundo nos pulmões, nos expõe aos elementos, nos faz sentir pequenos, mas vivos. Senti na pele o quanto precisava do resto do mundo. Já não queria estar só. Tantos desconhecidos haviam me ajudado e me acolhido quando eu não tinha mais nada. Havia perdido o medo dos olhares. Já não temia que as pessoas soubessem. A vergonha precisava mudar de lado. Essas palavras que vinham se erguendo havia mais de uma década em apoio às mulheres vítimas de estupro e violência. Eu as ouvi e elas se instalaram como um refrão dentro da minha cabeça. Eram pequenas lâminas afiadas que de repente aguçavam meu pensamento. Todos precisavam ver os 51 estupradores. Eles é que deviam se curvar. Não eu."

Um Hino à Vida

  • Autora: Gisèle Pelicot com Judith Perrignon
  • Tradução: Julia da Rosa Simões
  • Editora: Companhia das Letras (208 págs.; R$ 62.90; R$ 34,90 o e-book; R$ 39,99 o audiolivro)
Estadão
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