Atriz que será Carolina de Jesus no cinema se emociona na Bienal: 'Esse filme existir é um milagre'
A mesa na Bienal do Livro de SP sobre o filme também contou com Conceição Evaristo e Vera Eunice, filha de Carolina
Na Bienal do Livro de SP, a atriz e produtora Maria Gal apresentou o teaser da cinebiografia de Carolina Maria de Jesus, que protagonizará. O evento teve a presença de Conceição Evaristo e Vera Eunice, filha da autora, que integram o elenco. Adaptação de "Quarto de Despejo", o longa levou 11 anos para sair do papel, destacando afeto e o protagonismo negro longe de estereótipos. Previsto para estrear em 2027, o filme agora busca ampla distribuição para expandir o legado da escritora pelo Brasil.
A atriz e produtora Maria Gal se emocionou ao apresentar o primeiro teaser de Carolina de Jesus, longa-metragem em que interpreta a escritora, em um painel na 28ª Bienal do Livro de São Paulo, no Distrito Anhembi, neste sábado, 5, de intenso movimento no evento. A mesa contou ainda com Conceição Evaristo, escritora que integra o elenco do filme, e Vera Eunice, filha de Carolina que também estará na produção. A mediação foi da jornalista Adriana Couto.
Foram 11 anos até que o filme saísse do papel, segundo Gal. A atriz interpretou a autora de Quarto de Despejo no teatro e mobilizou sua produtora Move Maria para a realização do filme. "Esse filme existir é um milagre", disse ela, falando das dificuldades de se fazer cinema no Brasil, mas também sobre a importância de contar a história de Carolina da maneira como o filme fará.
"Esse lugar dos corpos negros não com armas nas mãos, mas com livros. É um filme que fala sobre afeto, sobre sonhos. Muita gente tem uma visão muito estereotipada da Carolina. Queria trazer para essa heroína - porque ela é -, essa mulher que ama, que tem de fato enraizado nela um senso de propósito, de legado, de justiça", afirmou.
O longa-metragem tem previsão de estreia para 2027 e é uma adaptação do livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, livro autobiográfico em que Carolina retrata o cotidiano na favela do Canindé, em São Paulo. A obra foi publicada em 1960 e virou um sucesso de vendas, apesar de críticas ainda marcadas por racismo e elitismo, como lembrou Adriana Couto.
No painel, Conceição Evaristo afirmou que Carolina foi pioneira de uma tradição da literatura brasileira, mostrando que as classes populares também podiam produzir literatura. "Esse filme é uma forma de afirmar Carolina na cultura brasileira", disse ela.
A escritora também se lembrou de quando leu Quarto de Despejo pela primeira vez, já que o inicio do livro menciona Vera Eunice, criança na época em que a mãe escreveu a obra. Conceição disse que jamais imaginou conhecer Vera, muito menos dividir com ela o filme sobre sua mãe.
"O que vocês vão ver no filme é a minha vida retratada e eu espero conseguir ver até o final, porque com o teaser já estou assim [emocionada]", disse a filha de Carolina após a exibição de uma prévia de pouco mais de 1 minuto do filme. O teaser só havia sido exibido anteriormente na Marché du Film, mercado oficial do Festival de Cannes, da qual o longa participou.
Segundo Maria Gal, o maior desafio agora é garantir que o filme tenha distribuição ampla em todo o Brasil. Ela deseja que a produção ajude a obra de Carolina a chegar em mais pessoas, seja de gerações mais jovens ou àquelas que vão redescobri-la.
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