Romance histórico resgata trajetória da família Crespi na Itália
Um membro do clã tornou-se referência industrial em São Paulo
O primeiro livro da italiana Alessandra Selmi lançado no Brasil promete cativar os leitores nacionais com uma trama que mistura fatos reais e fictícios a um episódio envolvendo a família lombarda Crespi, que viria a se tornar uma das mais influentes de São Paulo no início do século 20.
O romance "Deste lado do rio: O sonho da família Crespi", publicado pela editora Autêntica, concentra a narrativa no vilarejo operário Crespi D'Adda, fundado na província de Bergamo no século 19 e Patrimônio Mundial da Unesco.
Selmi, que tem se consolidado como uma das vozes mais relevantes do romance histórico italiano contemporâneo, traz como ponto de partida a trajetória do empresário Cristoforo Benigno Crespi (1833-1920), que, às margens do rio Adda, encontra o lugar ideal para construir uma moderna fábrica têxtil em conjunto com uma vila operária.
Ela garantiu à ANSA que "tudo" o que citou sobre os Crespi "é verdadeiro", baseado em documentos históricos. A autora acredita que misturar fatos reais com fictícios - caso da narrativa ligada aos operários - é uma "forma mais fácil e cativante" para levar a história da família aos leitores.
"O que mais me atrai na história de Cristoforo Crespi é o seu desejo em enriquecer aliado aos cuidados com os próprios operários", revelou Selmi, acrescentando que o industrial doou "beleza" aos funcionários - quase todos analfabetos -, já que as casas do vilarejo vão além da função de teto ao apresentar uma "bela" estética visual.
Exemplo de imóvel no vilarejo histórico Crespi D'Adda"Pensar no bem-estar dos operários foi uma ideia revolucionária para o século 19, quando não se discutiam os direitos trabalhistas", destacou a escritora, que vive a cerca de 40 quilômetros da Vila Crespi D'Adda.
Mas foi o conde Rodolfo Crespi (1874-1939), membro de um ramo da família, que, ao imigrar para São Paulo em 1893, fundou, no bairro da Mooca, um dos maiores grupos industriais da época, o Cotonifício Crespi. Participante ativo da vida econômica e social da capital paulista, seu legado também inclui a fundação do clube Juventus e do tradicional colégio Dante Alighieri.
Rodolfo também criou o jornal "Il Piccolo", redigido em sua língua natal para que seus milhares de conterrâneos pudessem ler, e foi presidente do icônico Circolo Italiano entre 1928 e 1930.
"Desconhecia a história do Colégio Dante Alighieri em São Paulo e gostaria muito de visitá-lo", contou Selmi, que nunca esteve no Brasil, como jamais imaginou que seu livro chegaria aos leitores de um dos países com uma das maiores comunidades de ítalo-descendentes do mundo.
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