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Presidente do júri de Veneza denuncia 'problema sistêmico' contra diretoras

Maggie Gyllenhaal falou sobre a presença reduzida de mulheres em festivais internacionais

2 set 2026 - 11h49
(atualizado às 12h55)
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Resumo
Presidente do júri do 83º Festival de Veneza, Maggie Gyllenhaal denunciou a escassa presença feminina na disputa pelo Leão de Ouro — apenas duas diretoras neste ano — como resultado de um problema sistêmico. Ela apontou barreiras no acesso a financiamento e questionou os critérios de valorização artística no cinema, dominado historicamente por homens. Gyllenhaal defendeu a importância de mulheres em postos de decisão e exaltou o cinema como ferramenta de empatia em meio a crises globais.

A atriz, diretora e roteirista americana Maggie Gyllenhaal, presidente do júri da 83ª edição do Festival de Veneza, afirmou nesta quarta-feira (2) que a baixa presença de mulheres na direção em grandes mostras internacionais é resultado de um "problema sistêmico".

Durante uma coletiva de imprensa realizada antes da abertura da mostra, Gyllenhaal foi questionada sobre a presença reduzida de diretoras na disputa pelo Leão de Ouro. Neste ano, apenas duas mulheres concorrem ao principal prêmio do festival, contra seis na edição anterior.

Inicialmente, a cineasta respondeu com ironia à pergunta sobre uma possível falta de talento feminino na direção. "Acho que finalmente ficou claro que os homens fazem filmes melhores do que as mulheres", brincou, provocando risos na plateia.

Em seguida, porém, Gyllenhaal adotou um tom sério. "Responderei seriamente: existe um problema sistêmico", afirmou.

Segundo ela, uma das principais dificuldades enfrentadas pelas cineastas está no acesso ao financiamento. "Acho que é muito mais difícil para as mulheres do que para os homens conseguirem financiamento para seus filmes", declarou.

Gyllenhaal também levantou a possibilidade de que experiências e temas abordados por mulheres sejam, por vezes, avaliados de maneira diferente no universo cinematográfico.

"Quem decide o que é bom? Quem decide o que tem valor?", questionou.

Para a diretora, ainda existe uma dificuldade de reconhecer como arte de alto nível obras construídas a partir de experiências femininas que historicamente tiveram menos espaço no cinema.

"Acho que ainda faz pouco tempo que as mulheres tiveram a oportunidade de fazer filmes, e levará tempo para nos acostumarmos com o fato de que muitas delas os fazem de maneira muito diferente dos homens", afirmou.

Quando questionada se o diretor artístico do Festival de Veneza, Alberto Barbera, acredita que cineastas mulheres são penalizadas pelos temas que abordam, a diretora esclareceu que "no longo processo de seleção, não há viés em relação à forma ou ao conteúdo; o único critério é a qualidade do filme."

Gyllenhaal, no entanto, ponderou que ainda existe uma "confusão sobre o que está sendo valorizado" no cinema.

A diretora destacou ainda que seu próprio júri reúne mulheres com trajetórias importantes no cinema e que a presença feminina em posições de decisão representa uma mudança significativa.

Por fim, a presidente do júri falou sobre a realização de um grande festival de cinema em um momento marcado por conflitos e crises internacionais.

"Como é possível que estejamos falando de cinema agora, quando o mundo está em estado de emergência?", perguntou, antecipando uma reflexão que, segundo ela, seria aprofundada durante a cerimônia de abertura.

Para Gyllenhaal, a resposta está na capacidade do cinema de estimular a empatia. "Acredito que o cinema oferece a oportunidade de encontrarmos empatia dentro de nós mesmos", afirmou.

A 83ª edição do Festival de Veneza começa nesta quarta-feira (2) e será realizada até o próximo dia 12 de setembro.  

Ansa - Brasil
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